segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A cidade que mora em mim - um poema para Porto Alegre


Eu não nasci na minha cidade
Eu a adotei.

Não há rua nela em que eu não veja
O mundo que dela mesma
eu tenho para esmiuçar
e fazer dele meu palco, cenário e figurino
para ali contar minhas histórias
(aquelas que não escrevi
porque me faltava o cenário).

Não há esquina de onde não se ouça
o soluçar da dor
de cada canto do Brasil
(embora ela se reconheça
como quem já quis chorar suas próprias dores sozinha)

As esquinas democráticas,
E pores-de-sol incomparáveis,
A vontade que ela me desperta
de saber dela sempre mais.
A claridade da cidade de olhos bem abertos
A umidade da cidade à flor da pele.

Respiram na complexidade doce
de um povo que fala cantando
e sempre tem um time.
(quase sempre tem um lado)

Porto Alegre sorri em vermelho
pelas dores
pelos cantos
pelo colorido do céu no fim da tarde
pelo adormecer do sol no Guaíba
na camisa do Inter
na luta do povo.

Eu não nasci na minha cidade
Mas ela também me adotou.
Da última vez que parti,
O sol ensolararava a minha estrada
Mas as nuvens logo choraram
assim que me viram sair.

Um comentário:

Erick da Silva disse...

Conseguiu sintetizar em palavras o sentimento que muitos porto-alegrenses tem com a nossa cidade. Justamente por vir de "fora" consegue ver tão de "dentro" o que as vezes passa desapercebido por aqui.
Bjos