Talvez, a principal frustração da torcida brasileira nas Olimpíadas Rio 2016 tenha sido a ausência de nossa carismática seleção feminina de futebol no pódio de premiação. Sobre nós, prevaleceram as equipes de, respectivamente, Alemanha, Suécia e Canadá.
O time do Brasil começou a competição muito bem, com vitórias, garra, alegria de jogar e muitos gols; o que rendeu às nossas meninas comparações com sua equivalente masculina – que iniciou o torneio deixando a desejar em todos os quesitos mencionados. Porém, essa não é uma comparação justa, por três motivos: 1) Fora Temer; 2) Ao terminar as Olimpíadas, concretizou-se um resultado previsível, mas que parece desabonar o feito de nossas meninas pelo tamanho das expectativas geradas sobre elas, expectativas essas desproporcionais aos investimentos e à atenção da mídia ao longo dos últimos quatro anos; 3) Para comparar Marta a Neymar e a seleção masculina à feminina, seria necessário que todos tivessem igualdade de condições, o que está deveras distante de acontecer.
No Brasil, o futebol ainda é um esporte muito masculino. A desigualdade na distribuição de recursos é gritante, e um pouco disso pode ser atribuído aos níveis diferentes de desenvolvimento: basta lembrar que a primeira partida oficial disputada pela seleção brasileira feminina aconteceu em 1986, quando a masculina já tinha 72 anos de chão. Mas não é só isso. Há as abissais diferenças salariais. Mas não é só isso. Como atestou uma reportagem do jornal inglês The Guardian, de 2006, a partir da experiência da jogadora chilena Dania Cabello no Santos:
“‘Durante os treinos, tínhamos que esperar em nossos quartos na hora do almoço. Enquanto os jogadores almoçavam no refeitório, recebíamos bandejas. Era como se recebêssemos sobras’, contou Cabello, lembrando ainda que o time vestia uniformes masculinos usados e precisava treinar nas areias do balneário paulista porque o campo de treinamentos era ocupado por um dos times juvenis do Santos.
Ironicamente, o time foi extinto em 2011, como parte de um pacote de cortes feitos pela diretoria do clube para tentar custear a presença de Neymar - ele acabou sendo vendido pelo Santos ao Barcelona em 2013”. (1)
Mas não é só isso. Para se referir à prática de um esporte que, no Brasil, ainda é tão masculino, é preciso levar em consideração um aspecto fundamental: as barreiras impostas às mulheres para se inserir num mercado tão dominado pelos homens, parte integrante de um universo absurdamente machista.
Ouro, prata e bronze
Por exemplo: na Suécia, medalha de prata em futebol feminino, há políticas de incentivo ao combate de estereótipos contidos na separação de brinquedos e de cores entre meninos e meninas, para enfrentar o machismo desde o berço. No Brasil, o discurso obscurantista busca limitar a participação das mulheres no espaço público, e iniciativas medonhas, como a Lei da Mordaça, visam a proibir que professores e professoras desconstruam em sala de aula os estereótipos de gênero.
Segundo o primeiro-ministro Stefen Lofven, o governo sueco é feminista. O gabinete é paritário: 12 ministros e 12 ministras. No parlamento, 44,7% são mulheres (2). No Brasil, as mulheres não chegam a 10% da Câmara dos Deputados. Na Suécia, homens e mulheres dividem o trabalho doméstico e de cuidados, graças a muito investimento público no combate à desigualdade. Atualmente, estudam-se formas de intervir na composição do comando das empresas, para que mais mulheres alcancem os postos mais altos também no setor privado (3).
No Canadá, país que nos derrotou na disputa pelo bronze, o parlamento é composto por 26% de mulheres, e há paridade na composição do governo. Ao ser perguntado sobre por que ter metade de mulheres no Ministério, o primeiro-ministro Justin Trudeau não titubeou: “Porque é 2015”. Enquanto isso, no Brasil, uma mulher legitimamente eleita, e contra a qual não pesa acusação alguma, foi cassada por um golpe parlamentar que entregou o poder a um governo inteiramente masculino, conforme noticiaram alguns dos principais veículos internacionais de informação.
Na Alemanha, medalha de ouro em futebol feminino, já há cotas de mulheres na direção das empresas desde 1998. No Brasil, muita gente se queixa do mecanismo de cotas, por desafiar seus próprios privilégios. O Parlamento alemão é composto por 36,5% de mulheres. Lá, busca-se representar linguisticamente as identidades, como forma de combater a desigualdade: artigos científicos e acadêmicos devem usar uma gendergerechte sprache, ou seja, uma linguagem igualitária entre os gêneros. No Brasil, há quem se ofenda pelo uso da flexão presidenta, presente em dicionários de Língua Portuguesa desde antes de eu e Carmen Lúcia nascermos.
Ser mulher
Segundo entrevistas com 370 especialistas ouvidos pelo TrustLaw, da Fundação Thomson Reuters, em 2012, entre os países que integram o G-20 (20 maiores economias do mundo), o Canadá é o melhor país para se ser mulher. A Alemanha vem em segundo lugar. O Brasil lidera a metade inferior da lista: 11º lugar. Tal ranqueamento foi estabelecido a partir de critérios de políticas públicas de promoção da igualdade, de combate à violência e à exploração, aliadas ao acesso a educação e saúde.
O Global Gender Gap 2015, relatório produzido pelo Fórum Econômico Mundial – percebam: Fórum Econômico Mundial – mediu a igualdade entre homens e mulheres a partir de indicadores em quatro áreas: educação, oportunidade e participação na economia; saúde e sobrevivência; e empoderamento político. No ranqueamento, entre 145 países, temos: 4º Suécia; 12º Alemanha; 30º Canadá; 85º Brasil.
Por fim, vale mencionar que, num debate caro ao movimento de mulheres no que se refere à autonomia sobre o próprio corpo e a própria vida, nosso país também não sobe ao pódio: Alemanha, Suécia e Canadá têm o aborto legalizado em seu território desde os anos 70; enquanto, no Brasil, os obscurantistas procuram, cada vez mais, restringir até extinguir o acesso das mulheres aos poucos casos de aborto legal que a lei permite.
A paixão nacional brasileira é um esporte que, até outro dia, era praticado somente por homens, em cujo campo uma mulher que adentra como árbitra ou bandeirinha está sujeita a agressões e assédios que, em entrelinhas, afirmam que ela não é bem-vinda. Só por isso, Marta, Cristiane, Formiga e companhia já são verdadeiras heroínas: elas duelam com o machismo diariamente para se concretizarem como referências no país do futebol.
Não é possível falar da prática do futebol feminino no Brasil sem levar em consideração que, embora tenhamos avançado, nosso país ainda guarda sérias dificuldades em assegurar a autonomia das mulheres e igualdade de condições. Se com tantos obstáculos, chegamos aonde chegamos, imagine só aonde as mulheres podem levar este país se rompermos as barreiras da discriminação, da opressão e da exploração que ainda nos dividem.
(1) Extraído de matéria da BBC Brasil, que pode ser encontrada em: http://www.bbc.com/portuguese/geral-37028976.
(2) Os dados sobre composição de Parlamentos neste artigo foram retirados de Global Economy.
(3) Com informações da Revista 2. Matéria disponível no portal Geledés:
Como a igualdade de gênero fez da Suécia um país mais rico - http://www.geledes.org.br/como-igualdade-de-genero-fez-da-suecia-um-pais-mais-rico/.
Música, feminismo, diálogos, política, futebol, crônica e poesia convivendo no mesmo espaço. E sem conflito.
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quarta-feira, 24 de agosto de 2016
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Sobre os secadores, os intolerantes, os babacas e o que a mídia tem a ver com tudo isso
Estou absolutamente embasbacada com a quantidade de estupidezes anti-Argentina que inundaram a minha TL nos últimos dois dias. Acho bastante triste que um dos legados desta sensacional Copa do Mundo seja o acirramento idiota de uma intolerância injustificável entre brasileiros e argentinos. Vejam que eu cuidei bem da palavra a ser usada: INTOLERÂNCIA não é rivalidade.
Estive em Buenos Aires duas vezes. Meu pai assistiu às finais da Copa de 1998 lá. Tenho amigos e amigas que vivem, viveram ou viverão lá. Tenho amigas e amigos argentinos que vivem aqui. É com base nessa experiência que desde que me conheço por gente acho essa "rivalidade" uma babaquice, sabe por quê? Porque sempre me pareceu que ela faz mais sentido pra nós que pra eles. E não precisa me dar exemplo do fulano, do beltrano ou do ciclano pra me contradizer. Poupe seu tempo.
Nunca embarquei nessa. Ao contrário, sempre me incomodaram as propagandas monotemáticas de época de Copa, reafirmando essa palhaçada; sempre me incomodou a abordagem de boa parte do jornalismo, alimentando essa palhaçada; sempre me incomodaram as exclamações galvãobuenescas dramatizando essa palhaçada.
No dia seguinte da derrota vexaminosa que o Brasil sofreu para a Alemanha, uma repórter da SporTV suspirava: "É... Agora é torcer contra os 'hermanos'". Não sei se fui só eu, mas achei de uma idiotice milenar. Afinal, é a naturalização da palhaçada. Tornou-se automático de tal forma, que o Lancenet!, do qual deixei de ser leitora, cobriu a final da Copa do Mundo no twitter com a hashtag #SomosTodosAlemanha. Quando os questionei, recebi a seguinte resposta: não somos isentos, somos brasileiros antes de tudo.
Ser brasileiro tornou-se sinônimo de ser anti-Argentina para essa mídia tosca e semeadora de toda espécie de ódio e rancor. Eles mesmos: esse jornalismo esportivo de merda que alguns fazem por aqui - tomando cuidado para evitar generalizações, afinal, nem todo veículo embarca nessa linha editorial de merda e nem todo(a) repórter compra essa abordagem de merda -, e essa publicidade de quinta categoria, que tem a criatividade de um caramujo.
Eu lhes afirmo que essa richa boba faz mais sentido aqui que lá. E se você espernear e contestar e achar um absurdo e contar do dia que você encontrou um argentino na rua e não foi bem assim, tudo bem. Eu responderia: mesmo que fosse uma coisa mútua, de mesma dimensão de lado a lado, ainda é muita cretinice permitir que uma rivalidade de futebol ultrapasse os limites da brincadeira com o esporte.
A torcida anti-Argentina por parte de alguns era tão voluptuosa quanto num clássico brasileiro. Estou certa de que os hermanos não esperavam essa rejeição toda. Mas o pior vem depois: eu realmente temo que, finalmente, como tanto provocou a mídia brasileira, ela se torne visceral de lado a lado.
Cada um torce pra quem quiser. Não estou cobrando nada de ninguém. Nunca usei o argumento da solidariedade latinoamericana, afinal, minha solidariedade é tão grande que eu a distribuo a baciada pelo mundo, e, no futebol, eu a dedico aos holandeses, que são europeus, ricos, e nunca ganharam uma Copa, como vocês sabem. Eu torci para a Argentina na final por causa do Messi. Tem gente que torceu por solidariedade latina, e tá certo também, cada um com seus critérios. Teve gente que não queria a Alemanha campeã por nos ter imposto tamanha humilhação nas semis. E teve gente que torceu para a Alemanha por x, y, z também. Tranquilo. A questão é: como ouvi de um jovem advogado argentino outro dia, eu também não entendo como num campeonato de seleções nacionais alguém saia de casa para torcer contra o time do outro. Percebam: não a favor de um, mas contra o outro. E com tanta raiva.
Ah, mas eles fizeram uma musiquinha escrota contra nós! Gente. Quase tenho vontade de cantar música de ninar pra quem se ofendeu com a musiquinha. Eles reivindicam a Copa de 90, que nem ganharam, e desde a qual o Brasil foi campeão duas vezes. Se eu fosse você, eu ria da musiquinha enquanto tomava uma boa gelada no bar.
Ah, mas eles dizem que Maradona é melhor que Pelé! - Putz, fodeu. Vamos ter que tratar disso no Tribunal de Haia.
Ah, mas eles são arrogantes! - Essa é a melhor. Porque é tipo o roto falando do rasgado, como dizia a minha avó. Afinal, humildade não é propriamente uma das habilidades do futebol brasileiro, torcida inclusa.
Ah, mas eles são racistas! - Ok, fale mais sobre como é torcer para a Alemanha com essa justificativa.
Enfim, só peço que pense um pouquinho se essa intolerância toda faz sentido, ou se você não foi contaminado por um clima que "alguém" inventou com uma única intenção: vender produtos e jornais. A crítica aqui é mais à mídia que a você, mas se você quiser vestir a carapuça também, tranquilo. Só não me responda com a mesma raiva que jogaram sobre nossos vizinhos do Cone Sul, porque eu moro aqui, você vai acabar me encontrando e eu vou te desafiar para um duelo de musiquinhas do qual somente um sairá com a honra intacta.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Uma maldição paira sobre a Seleção Alemã
A Alemanha nasceu saudável, loirinha e com uma habilidade incrível para lidar com o objeto esférico que se convencionou chamar bola. Forte, facilmente se antevia que se portaria como uma barreira intransponível diante de quem lhe quisesse ultrapassar.
Era dia da celebração de seu nascimento quando o indesejável aconteceu. A bruxa má não havia sido convidada para a festa e, ofendida, chegou numa explosão esfumaçada para decretar seu veredicto:
- Ouçam bem. A Alemanha crescerá em planejamento e táticas que produzirão grandes jogadores e conquistarão destemidas vitórias. Será capaz de derrotar as mais incríveis seleções do futebol mundial, e sobre elas erguerá suas maiores façanhas. Derrotará a beleza de Puskas, de Cruijff e de Maradona, interrompendo-a no choque contra sua muralha e sua inabalável frieza, que a manterá em condições de conquistar o controle quando o adversário se deixar abalar... Vai ter o mundo aos seus pés por três vezes e sua força será admirada em todo o planeta... MAS!
Ao ressoar do "MAS", todos os presentes se assustaram, produzindo um "OOOOH" num uníssono nervoso, temeroso, como jamais se caracterizaria aquela criança ali celebrada.
- Antes do pôr-do-sol do 24º aniversário de seu último título mundial, todo o revés histórico que até então lhe terá beneficiado será usado contra ela! Então terá uma equipe com mais que força, mas também com aquela beleza que herdou das derrotas impostas às adversárias de antes! Porém, essa beleza parará nas mãos de outra muralha, erguida por uma equipe menos poderosa, e, vendo-se incapaz de superá-la, a Alemanha sucumbirá nos pés geniais de um homem franzino que desenha o futebol em aquarela, e assim chorará a mais bela e risonha equipe que pôde construir, como terão feito Hungria, Holanda e Argentina antes.
E a bruxa desfez-se no ar, em gargalhadas sonoras. Desde então, nos imponentes castelos do interior da velha Alemanha Ocidental, ouve-se o eco dessa gargalhada, e quem a percebe está em pânico desde já esperando domingo chegar.
Era dia da celebração de seu nascimento quando o indesejável aconteceu. A bruxa má não havia sido convidada para a festa e, ofendida, chegou numa explosão esfumaçada para decretar seu veredicto:
- Ouçam bem. A Alemanha crescerá em planejamento e táticas que produzirão grandes jogadores e conquistarão destemidas vitórias. Será capaz de derrotar as mais incríveis seleções do futebol mundial, e sobre elas erguerá suas maiores façanhas. Derrotará a beleza de Puskas, de Cruijff e de Maradona, interrompendo-a no choque contra sua muralha e sua inabalável frieza, que a manterá em condições de conquistar o controle quando o adversário se deixar abalar... Vai ter o mundo aos seus pés por três vezes e sua força será admirada em todo o planeta... MAS!
Ao ressoar do "MAS", todos os presentes se assustaram, produzindo um "OOOOH" num uníssono nervoso, temeroso, como jamais se caracterizaria aquela criança ali celebrada.
- Antes do pôr-do-sol do 24º aniversário de seu último título mundial, todo o revés histórico que até então lhe terá beneficiado será usado contra ela! Então terá uma equipe com mais que força, mas também com aquela beleza que herdou das derrotas impostas às adversárias de antes! Porém, essa beleza parará nas mãos de outra muralha, erguida por uma equipe menos poderosa, e, vendo-se incapaz de superá-la, a Alemanha sucumbirá nos pés geniais de um homem franzino que desenha o futebol em aquarela, e assim chorará a mais bela e risonha equipe que pôde construir, como terão feito Hungria, Holanda e Argentina antes.
E a bruxa desfez-se no ar, em gargalhadas sonoras. Desde então, nos imponentes castelos do interior da velha Alemanha Ocidental, ouve-se o eco dessa gargalhada, e quem a percebe está em pânico desde já esperando domingo chegar.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Vlucht
Com carinho, para a seleção Holandesa de 2014.
Pega a bola, solta a bola
Olha, salta
Corre, corre, corre
Voa

Olha, lança, atira
Se joga no sonho
Sem medo, sem peso
Recebe
Mergulha
Improvável belo concreto gol
A bola grudada no pé
Anda, anda, anda
Sem medo, sem pressa
Flutua
Parece tão fácil

Beija a bola com a ponta do dedão
Corre, corre, corre
Olha! Vai!
Nunca acabou
Nunca esgotou
Está sempre ali
A ânsia de eternidade
A chance do gol
No fim do jogo
Aos 47
Ela não morre
Ela vira e dança e revira
Saltita e paira no ar
Ela vive mais do que nunca
Não precisa de herói
Não se esgota
Corre, corre, corre
Que a eternidade é muito pouco
Vale mais
Manter milhões de olhos acreditando
No que veem
Voa
Que talvez nossa alegria
Resida na jovialidade
De sempre recomeçar
De levantar da pancada recebida
Do voo mal engatado
Que talvez o nosso brilho
Reluza também no charme incorruptível
Da primeira vez
Voa mais
Que, uma hora, o tempo pára de teimar,
E eu sei que os deuses do futebol
Também esperam ansiosos
A hora de confirmar:
- Agora sim nossa invenção está completa,
E a eternidade já pode começar.
Pega a bola, solta a bola
Olha, salta
Corre, corre, corre
Voa

Olha, lança, atira
Se joga no sonho
Sem medo, sem peso
Recebe
Mergulha
Improvável belo concreto golA bola grudada no pé
Anda, anda, anda
Sem medo, sem pressa
Flutua
Parece tão fácil
Beija a bola com a ponta do dedão
Corre, corre, corre
Olha! Vai!
Nunca acabou
Nunca esgotouEstá sempre ali
A ânsia de eternidade
A chance do gol
No fim do jogo
Aos 47Ela não morre
Ela vira e dança e revira
Saltita e paira no ar
Ela vive mais do que nunca
Não precisa de herói
Não se esgota
Corre, corre, corre
Que a eternidade é muito pouco
Vale mais
Manter milhões de olhos acreditando
No que veem
Voa
Que talvez nossa alegria
Resida na jovialidade
De sempre recomeçar
De levantar da pancada recebida
Do voo mal engatado
Que talvez o nosso brilho
Reluza também no charme incorruptível
Da primeira vez
Voa mais
Que, uma hora, o tempo pára de teimar,
E eu sei que os deuses do futebol
Também esperam ansiosos
A hora de confirmar:
- Agora sim nossa invenção está completa,
E a eternidade já pode começar.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Brazuca pra frente!
(Guimarães Rosa)
Sobre o futebol de dentro do campo, não há muito a acrescentar. Está claro que o Brasil perdeu para uma seleção superior, e entrou loucamente despreparado para enfrentá-la. É interessante notar que todas as goleadas que aconteceram nesta Copa se deram entre grandes e/ou médias seleções. As menos tradicionais entravam em campo preparadas para enfrentar gigantes, e assim fizeram suar cada uma delas. Como Gana contra a Alemanha, como o Irã contra a Argentina, como a Costa Rica contra a Holanda.
Superado esse tópico - perdemos porque o outro time é melhor -, vamos para outro. "Pôxa, precisava ser de SETE"?!! Foi constrangedor ver os jogadores brasileiros tão desorientados, perdidos, derrubados em campo. Daí, algumas pessoas que acharam "uma graça" que a Copa inteira nossos jogadores chorassem ao som do hino nacional, que compreenderam condescendentemente que o capitão do time não tenha conseguido ASSISTIR à disputa de pênaltis que conduziu o Brasil às quartas-de-final, que entraram no clima proposto pela HORROROSA (como sempre) cobertura da mídia sobre a Copa, de tratar um craque contundido como um mártir tombado em batalha... Essas pessoas não podem AGORA reclamar da instabilidade emocional da seleção brasileira. É muita cara de pau que haja apresentador de TV e narrador de jogo reclamando agora da construção que ELES MESMOS encabeçaram.
Eu aprendi com Telê Santana a ser mais uma brasileira apaixonada por futebol. Vivi minha infância e adolescência ouvindo sobre a alegria expressa nos pés dos craques do Brasil. A irreverência de Garrincha ao tocar a bola com suas pernas tortas, o gingado do Zizinho, a ousadia de Pelé, que gostava de desafiar o impossível. Mas não precisa parar nos anos 60 não. Nossa seleção de 1982 é lembrada até hoje por amantes do futebol em todo o planeta, independentemente de não ter conquistado aquela Copa. Zico é idolatrado mundo afora (que o diga Wesley Sneijder), Sócrates é referência eterna, e Telê segue ensinando futebol por aí (é ou não é, Pep Guardiola)?
Claro que há um processo complexo de apropriação indébita da seleção brasileira por uma turma da qual a CBF é só um instrumento. Tem bastante coisa envolvida. Mas isso daria outra crônica. Aqui, só quero dizer que, para mim, o mais triste é justamente isso: afanaram-nos a alegria! E não foi hoje não, isso já leva alguns anos. Nesta Copa, ficava clara essa lacuna no fardo carregado pelos jogadores em campo, esse fardo de ser "a Pátria de chuteiras". Não são, não podem ser e acho complicado que se tenha essa expectativa. As lágrimas durante a execução do hino. A camisa do Neymar em campo na final. Ah, gente, pára, vai. Nada contra a sensibilidade - ao contrário! -, mas tudo a favor de que a alegria e a leveza voltem a ser marcas nossas. Parecem-me uma expressão melhor da nossa sensibilidade que a resignação e a autopiedade. Parece que até a velha Alemanha do jogo truncado aprendeu isso. Nunca imaginei que a alegria que eles demonstraram em solo brasileiro nos faria tanta falta.
Parece-me que enquanto houver essa adesão coletiva ao midiático discurso de que o futebol é a nação, de que a nossa dignidade está em jogo, nada vai mudar. Enquanto houver "família Scolari", enquanto houver o acesso privilegiado da dona Globo à nossa seleção (o que a torna mediadora quase que exclusiva da relação torcida-time), enquanto houver essa absurda confusão entre jogo e vida, travestida de metáfora, enquanto houver tudo isso, haverá instabilidade emocional até do mais duro volante em campo.
Se eu pudesse dizer alguma coisa, eu diria ao David Luiz. Querido, fique tranquilo, você não destruiu os sonhos de ninguém. Fique tranquilo, você não merece arcar com essa responsabilidade. Eu me orgulho por ser sua conterrânea porque você realiza seu trabalho tão bem que se tornou um dos melhores do mundo, independentemente de vencer a Copa. Eu me orgulho por ser sua conterrânea porque você sabe que seus gestos fora de campo influenciam pessoas, e procura ser um bom exemplo. Você é.
"Não deu, galera". Simples assim. Temos a melhor - e mais cara - dupla de zaga do mundo. Mas não temos um meio-de-campo sequer razoável e uma terrível "crise de quadros" no ataque. Temos um treinador que sempre teve esse mesmo estilo de jogo, e não adianta levantar bandeira de "ousadia e alegria" porque não há treinadores brasileiros que trabalhem com essa insígnia atualmente. Porque taticamente tomamos um nó, porque não tínhamos uma boa jogada para além do "passa pro Neymar". É só futebol, gente. Não é a vingança dos povos, não é a redenção dos oprimidos, não é a justiça histórica. É um campeonato muito legal, que acontece de quatro em quatro anos.
Se tivesse havido mais leveza, mais alegria, menos lágrimas e menos fardo, ainda teríamos perdido para a Alemanha. Mas não de sete.
PS 1: Valeu, Klose, a cara do Ronaldo foi impagável!!!!
PS 2: Eu não torço pelo Brasil, eu milito por ele. No futebol, minha torcida é para que vença a beleza, pra ter espetáculos, pra resgatar aquela coisa de que o Telê me ensinou a gostar. Se a ideia de que isso é possível sagrar-se vitoriosa dentro de campo, eu me sentirei realizada. Pode chamar de saudosismo, que eu nem ligo!
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Jô Soares e a naturalização pseudoengraçadinha do machismo: ô novidade...
Jô Soares pode já ter sido um cara razoável algum dia. Mas se foi, deixou de ser "há horas", como se diz no Rio Grande do Sul. Hoje eu até evito assistir suas entrevistas, que são cada vez mais imbecilizadas e sem graça, pra me poupar da vergonha alheia.
A última vez que eu tinha visto faz tanto tempo que eu nem lembro quando. A entrevistada era a cantora Thaís Gulin, a quem ele constrangedoramente queria induzir a falar de sua relação com Chico Buarque - sem sucesso.
Mas através de uma matéria da capa da UOL, cujo link está abaixo, soube da entrevista de Jô com uma bandeirinha chamada Maíra Americano Labes. Consta da matéria que a moça "foi alvo de grande polêmica no último sábado após ter sido chamada de 'gostosa' pelo técnico Celso Teixeira, do Juventus, em partida do Campeonato
Catarinense". Eu, militante feminista e pesquisadora, considero uma violência que uma mulher, no exercício da sua profissão, seja tratada dessa forma. Particularmente, causam-me repulsa aqueles homens que abordam dessa forma grosseira as mulheres em bares e boates. Não é porque eu estou lá que estou exposta a visitação. Imagine no caso dela, que estava trabalhando. É um modo clássico e recorrente de desqualificá-la. E pelo que soube da entrevista, a própria Maíra contextualizou o "elogio" como agressão.
Aí chega o não menos cretino do Jô Soares, com todas as línguas que ele fala e seus livros publicados, e diz que o técnico "não estava tão errado assim". OI?! Não sei se Jô, seus idiomas e seus livros já ouviram falar em MACHISMO. Vai ver ele acha suas "piadas" suficientemente engraçadas para livrar-lhe da compreensão de que a fala dele encoraja SIM esse comportamento repugnante, por naturalizá-lo. As mulheres que reclamam são mal-humoradas, mal-amadas, não têm senso de humor. E assim, muitas mulheres não denunciam as violências que sofrem e ninguém sabe por quê, né.
Mas calma, pode piorar. A matéria relata o seguinte diálogo:
Jô: “Mas e se o juiz pergunta pra você: 'ô, gostosa! Foi impedimento ali?'''
Maíra: “O juiz é autoridade máxima dentro do campo''.
Jô: “Juízes, aproveitem!''
Assédio sexual é crime. O artigo 216-A da lei 10.224/2001 diz: "Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente de sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício, emprego, cargo ou função". A pena prevista é de detenção de um a dois anos. Mas vai ver que isso está escrito numa das línguas que o Jô não entende.
A última vez que eu tinha visto faz tanto tempo que eu nem lembro quando. A entrevistada era a cantora Thaís Gulin, a quem ele constrangedoramente queria induzir a falar de sua relação com Chico Buarque - sem sucesso.
Mas através de uma matéria da capa da UOL, cujo link está abaixo, soube da entrevista de Jô com uma bandeirinha chamada Maíra Americano Labes. Consta da matéria que a moça "foi alvo de grande polêmica no último sábado após ter sido chamada de 'gostosa' pelo técnico Celso Teixeira, do Juventus, em partida do Campeonato
Catarinense". Eu, militante feminista e pesquisadora, considero uma violência que uma mulher, no exercício da sua profissão, seja tratada dessa forma. Particularmente, causam-me repulsa aqueles homens que abordam dessa forma grosseira as mulheres em bares e boates. Não é porque eu estou lá que estou exposta a visitação. Imagine no caso dela, que estava trabalhando. É um modo clássico e recorrente de desqualificá-la. E pelo que soube da entrevista, a própria Maíra contextualizou o "elogio" como agressão.
Aí chega o não menos cretino do Jô Soares, com todas as línguas que ele fala e seus livros publicados, e diz que o técnico "não estava tão errado assim". OI?! Não sei se Jô, seus idiomas e seus livros já ouviram falar em MACHISMO. Vai ver ele acha suas "piadas" suficientemente engraçadas para livrar-lhe da compreensão de que a fala dele encoraja SIM esse comportamento repugnante, por naturalizá-lo. As mulheres que reclamam são mal-humoradas, mal-amadas, não têm senso de humor. E assim, muitas mulheres não denunciam as violências que sofrem e ninguém sabe por quê, né.
Mas calma, pode piorar. A matéria relata o seguinte diálogo:
Jô: “Mas e se o juiz pergunta pra você: 'ô, gostosa! Foi impedimento ali?'''
Maíra: “O juiz é autoridade máxima dentro do campo''.
Jô: “Juízes, aproveitem!''
Assédio sexual é crime. O artigo 216-A da lei 10.224/2001 diz: "Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente de sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício, emprego, cargo ou função". A pena prevista é de detenção de um a dois anos. Mas vai ver que isso está escrito numa das línguas que o Jô não entende.
terça-feira, 2 de julho de 2013
O futebol, e a (ausência de) paixão. Política é outra coisa.
Eu não deixo de torcer pro Brasil porque acho que futebol é o ópio do povo - seria incoerente, todo mundo sabe o quanto eu gosto e acompanho o Campeonato Brasileiro, a Champions League, e outros.
Eu não deixo de torcer pro Brasil porque a CBF é uma corja de filhos da puta - e é! -, até porque o pouco que conheço das confederações estrangeiras, a começar pela Fifa, nenhuma vale nada também.
Eu não gosto desse discursinho "ai, contra a Espanha, que dizimou os povos indígenas da América Latina"; "ai, contra Portugal, nosso colonizador"; "ai, contra a Alemanha de Ângela Merkel"... Vale enquanto piada, mas esperaria que as pessoas não fizessem essa confusão mental seriamente. Mas muito menos eu gosto do discursinho de rivalidade de boutique contra a Argentina e os argentinos, essa xenofobia tosca alimentada também pela mídia, essa mercantilização da rivalidade.
Eu não gosto da seleção brasileira porque ela não comove meu coração, não seduz minhas paixões futebolísticas... E gosto de torcer pra Holanda ganhar seu primeiro mundial, pro Messi vencer uma Copa do Mundo, pro Uruguai, pro Paraguai, pra quem eu quiser. Pra quem eu gostar mais na hora.
É futebol, gente, só isso. Não é vingança dos povos, não é prova de bom caráter. Não venham me catequizar. E nem venham justificar sua paixão com motivação política, vai.
Político foi o que aconteceu fora do Maracanã no último domingo. Essa é a disputa na qual a gente tem que ter lado.
#prontofalei
Eu não deixo de torcer pro Brasil porque a CBF é uma corja de filhos da puta - e é! -, até porque o pouco que conheço das confederações estrangeiras, a começar pela Fifa, nenhuma vale nada também.
Eu não gosto desse discursinho "ai, contra a Espanha, que dizimou os povos indígenas da América Latina"; "ai, contra Portugal, nosso colonizador"; "ai, contra a Alemanha de Ângela Merkel"... Vale enquanto piada, mas esperaria que as pessoas não fizessem essa confusão mental seriamente. Mas muito menos eu gosto do discursinho de rivalidade de boutique contra a Argentina e os argentinos, essa xenofobia tosca alimentada também pela mídia, essa mercantilização da rivalidade.
Eu não gosto da seleção brasileira porque ela não comove meu coração, não seduz minhas paixões futebolísticas... E gosto de torcer pra Holanda ganhar seu primeiro mundial, pro Messi vencer uma Copa do Mundo, pro Uruguai, pro Paraguai, pra quem eu quiser. Pra quem eu gostar mais na hora.
É futebol, gente, só isso. Não é vingança dos povos, não é prova de bom caráter. Não venham me catequizar. E nem venham justificar sua paixão com motivação política, vai.
Político foi o que aconteceu fora do Maracanã no último domingo. Essa é a disputa na qual a gente tem que ter lado.
#prontofalei
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Do sadismo e da mesquinhez dos seres humanos
ou
Por que os gregos não criaram mais criaturas mitológicas?
A pessoa acorda para um dia comum. Trabalhar, almoçar, voltar ao trabalho, sair um pouco mais cedo para um compromisso. Fazer o quê, data e horário de compromisso é coisa que não se escolhe muito.
- Vamos adiantar a reunião, porque a Alessandra tem compromisso às 16h.
- Eu acho que o compromisso dela é 15h45min. - um colega ri.
É, não tem como esconder. Data e horário de jogo da Champions League é coisa que não se escolhe muito.
A pessoa passa a reunião olhando o relógio. Cada comentário desnecessário, cada mal-entendido que precisa ser desfeito, cada explicação mais aprofundada incomoda a pobre alma. "Não dá pra deixar as orientações por escrito?", pensa, já quase com taquicardia.
- Vai lá, Ale, corre pro teu compromisso.
A pessoa beija o rosto do amigo compreensivo e voa.
Paixão é coisa que não se escolhe muito. E por que a paixão da pessoa, que é consumida de modo individual, vivenciada com as dores e as delícias de ser quem se é, tão quietinha, precisa ser combatida por infinitas e impiedosas metralhadoras, que visam tão somente a dilacerar os sentimentos da pessoa, a intensificar a chaga aberta em seu pobre coração blaugrana?
O Barcelona tá lá do outro lado do oceano. Não disputa o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil, nem a Libertadores. Ninguém tem um vizinho barcelonista que incomoda quando seu time perde. Mas os seres humanos são perversos. Pior que cruzamento de coiote, urubu e vilão da Disney. E sendo assim, lá vem uma mensagem de SMS. Vêm provocações via twitter. Alguém lembra de citar num comentário jocoso no facebook. Tem até quem telefone. Piores são aqueles que te encontram na rua com o rosto estampado por aquele típico riso zombeteiro, bem conhecido dos apaixonados e apaixonadas por futebol.
Tem quem condene a pessoa por sentir paixão por uma equipe do além-mar. Foda-se. Sempre fui internacionalista.
Tem quem tente converter a pessoa a ter um time só no mundo inteiro: a monogamia futebolística. E eu me pergunto o que a criatura tem a ver com a minha vida.
Tem quem vá com a pessoa assistir a N jogos do Barça, e na hora do aperto, aquela hora em que a pessoa mais precisa de um abraço, de carinho e compreensão, o ser humano mesquinho junta-se aos inimigos e faz a pergunta de todos os outros, ignorando anos de amizade leal: "mas que chocolate, hein?!".
Tem gente que nunca assistiu a uma partida de futebol, mas não perde a oportunidade de ironizar assim: "o que aconteceu com seu time?".
Talvez a mitologia grega desse conta de explicar esses seres híbridos, que são metade humanos metade urubus, ou metade coiotes.
E a mim, que me resta? Praguejar contra a humanidade? Virar ermitão? Desligar o telefone para sempre e viver esta vida offline? Virar a secadora oficial de todas as equipes deste mundo véio sem porteira?
Já sei. Empinar o nariz e, com muita serenidade, eliminar da minha vida - não necessariamente fisicamente - quem ousar me tirar deste momento de introspecção, reflexão filosófica sobre o sadismo e a mesquinhez humana, e meditação raribô rumo à paz de espírito. Preciso ser coerente com minha opinião política pelo desarmamento.
Em resumo, esta humilde crônica serve apenas para responder, de uma só vez, a todas as pessoas que, sarcasticamente, cobraram-me explicações, justificativas ou comentários sobre a derrota do Barça ontem.
Isso é porque eu sou muito elegante e altiva. Caso contrário, eu poderia ter, somente, escrito em caixa alta: VÃO PRO INFERNO.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Futebol ontem e hoje
Afinal, o blog é meu e eu posto sobre o tema que quiser, não é verdade?
Ontem - O Corínthians é um baita time. Tá muito bem montado. Chegou à final da Libertadores, pela primeira vez em sua história, com méritos. Desta vez, nem teve ajuda da arbitragem. Acontece que, embora alguns corintianos, não acostumados com a Libertadores, não tenham percebido, a final é em dois jogos. E o Boca, meus amigos... Ah, o Boca é o Boca, viu. Acho que não é desta vez que vocês vão acabar com o maior bulling coletivo do futebol brasileiro. Mas fiquem relax, o importante é competir.
Hoje - Não ficava feliz assim desde a final da Copa do Rei. Que enorme a Itália. Não, pera: que ENORME a Itália. Tô com a Azzurra desde que a Holanda saiu. Porque sim, sei lá, porque sempre gosto da Itália, mesmo quando ela não joga porra nenhuma e todo mundo fica puto. Porque eu não queria torcer pra Alemanha por culpa da Ângela Merkel (desculpem, pessoal, mas às vezes eu deixo a política influenciar em decisões nada a ver, como essa). Eu não queria torcer pra Espanha, convencida pelos amigos da Catalunha. Eu não queria torcer pra Portugal pro Cristiano Ronaldo não roubar a Bola de Ouro do Messi. Como veem, alguns bullings têm sempre que continuar.
Eu quis torcer pra Itália. Balotelli merece ser o nome da Eurocopa. Nem Cristiano, nem Iniesta, Xavi, nem Özil. O negrão Balotelli. Pra assinar seu nome na galeria dos grandes numa Euro em que houve multa por racismo de torcida. Porque a Europa é foda, e racismo tem em todos os países em todo o futebol, e isso TEM QUE parar. Isso é nojento. A UEFA tem que fazer alguma coisa.
No mais, é isso... No meio do caminho da Alemanha, tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. Torço pra que a Itália derrote a Espanha bem derrotado. E o pobrezinho do Cristiano Ronaldo não vai poder ser nem terceiro lugar. Forza Azzurra!
***
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra
(Drummond)
Ontem - O Corínthians é um baita time. Tá muito bem montado. Chegou à final da Libertadores, pela primeira vez em sua história, com méritos. Desta vez, nem teve ajuda da arbitragem. Acontece que, embora alguns corintianos, não acostumados com a Libertadores, não tenham percebido, a final é em dois jogos. E o Boca, meus amigos... Ah, o Boca é o Boca, viu. Acho que não é desta vez que vocês vão acabar com o maior bulling coletivo do futebol brasileiro. Mas fiquem relax, o importante é competir.
Hoje - Não ficava feliz assim desde a final da Copa do Rei. Que enorme a Itália. Não, pera: que ENORME a Itália. Tô com a Azzurra desde que a Holanda saiu. Porque sim, sei lá, porque sempre gosto da Itália, mesmo quando ela não joga porra nenhuma e todo mundo fica puto. Porque eu não queria torcer pra Alemanha por culpa da Ângela Merkel (desculpem, pessoal, mas às vezes eu deixo a política influenciar em decisões nada a ver, como essa). Eu não queria torcer pra Espanha, convencida pelos amigos da Catalunha. Eu não queria torcer pra Portugal pro Cristiano Ronaldo não roubar a Bola de Ouro do Messi. Como veem, alguns bullings têm sempre que continuar.
Eu quis torcer pra Itália. Balotelli merece ser o nome da Eurocopa. Nem Cristiano, nem Iniesta, Xavi, nem Özil. O negrão Balotelli. Pra assinar seu nome na galeria dos grandes numa Euro em que houve multa por racismo de torcida. Porque a Europa é foda, e racismo tem em todos os países em todo o futebol, e isso TEM QUE parar. Isso é nojento. A UEFA tem que fazer alguma coisa.
No mais, é isso... No meio do caminho da Alemanha, tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. Torço pra que a Itália derrote a Espanha bem derrotado. E o pobrezinho do Cristiano Ronaldo não vai poder ser nem terceiro lugar. Forza Azzurra!
***
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra
(Drummond)
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Vai, Grécia!
Porque o futebol é imponderável. Porque as batalhas da vida são mais duras que as do campo. Porque sempre dá vontade de torcer pelo mais fraco. Porque o mais fraco, às vezes, é brabo pra caramba. Porque o mais forte oprime o mais fraco. Porque quem joga bem já se eternizou por isso, nem precisa da vitória. Porque quem joga mal precisa jogar mais, pra melhorar. Porque é chato já saber o resultado. Porque quem dança merece mais que os outros ser feliz. Porque quem trabalha tem que ter o direito de decidir seu próprio futuro. Porque o futebol pode ser injusto, que não tem problema. Porque o mundo não pode ser injusto. Porque a gente gosta quando o povo levanta pra gritar gol. Porque a gente gosta ainda mais quando o povo levanta pra gritar basta. Porque Davi já venceu Golias. Porque Golias não pode esmagar os filhos de Davi. Porque, no futebol, nem sempre o melhor vence; e porque na vida, a gente luta pelo que há de melhor no mundo.
Vamos, Grécia! Hoje é dia de se vingar, pelo menos um pouquinho, daquela Angela Merkel.
Vamos, Grécia! Hoje é dia de se vingar, pelo menos um pouquinho, daquela Angela Merkel.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Que triunfe a poesia
"Fecha meu livro, se por agora / Não tens motivo nenhum de pranto". Ouso roubar a ideia do grande Manuel Bandeira para dizer: nem segue lendo minha crônica se espera ler uma análise fria sobre uma partida de futebol.
Eu quis inúmeras vezes escrever sobre o Barça neste blog. Acabei deixando pra lá, porque qualquer lirismo que eu quisesse colocar no meu texto não seria comparável ao que os vejo fazer em campo. Brinco com amigos que é a equipe que vinga o Brasil de 82, a Holanda de 74 e a Hungria de 54. Já ouvi muita gente dizer que é a melhor que já viu. É o time que parece escrever nas bandeiras: "olhem só, vocês pragmáticos, é sim possível vencer com jogo bonito e pra frente".
Minha afinidade com o Barça começou em 1992 - vejam que estranho -, quando o vi pela primeira vez. Meu São Paulo o derrotou na final do mundial de clubes. Não é que eu gostei do Barça. Mas ao ler sobre ele, vi que tinha junto uma história de Catalunha, de povo catalão, de língua catalã. Me chamou a atenção. Desde então, achei-o simpático.
Mas foi de três anos pra cá que me encantei. Pelo futebol, pela obra de Pep Guardiola, pelo belo jogo, jogado no chão, com inteligência, ousadia, beleza. As lindas jogadas ensaiadas, os improvisos espetaculares, a qualidade dos jogadores, quase todos oriundos das categorias de base do clube. A genialidade de alguns deles, Messi principalmente. E mais: não há nenhum jogador do naipe de uns e outros que vivem por aí sendo notícia tanto pelas festas que fazem, as compras, as viagens, as aparições, quanto pelo próprio futebol. O Barça chegou ao topo do mundo com uma equipe de bons moços. Pra mostrar que mau caratismo não é a associação automática da gana de jogar, nem de esperteza.
A temporada passada foi a consagração: título espanhol, Liga dos Campeões, Mundial de Clubes. Não sei se alguém se lembra, mas, Guardiola, ao iniciar a temporada 2011/2012 disse à imprensa: "O mais provável é que não ganhemos nada este ano". Com isso, inteligente e elegante como é, ele anunciava algo realmente previsível: os adversários conheciam cada vez mais seu estilo de jogo e se preparavam para ele. Somar-se-ia a isso a vontade de derrotar o melhor do mundo. Feita a equação. Guardiola estava certo.
O Chelsea se armou para enfrentar o melhor do mundo. O que equivale dizer que se jogou inteiramente para trás, com a disciplina típica do futebol inglês, um pouco de sangue nos olhos e Drogba. Vão me perdoar mas não vou deixar de mencionar a terrível falta de sorte que fez com que 4 bolas fossem mandadas na trave, nesses dois jogos, além do pênalti não convertido pelo inquestionável melhor jogador do mundo. Bem, deu Chelsea.
Pra mim, pior que a retranca do Chelsea, só o olho gordo universal contra a equipe azul-grená. Assim como há alguns e algumas como eu, que se apaixonam pelo que lhes enche os olhos, que se entusiasmam de ver as vitórias de um time que joga como sempre quisemos que jogassem os nossos; também há aquela coisa de torcida de futebol, meio mesquinha e infantil, de querer ver cair quem está no topo. Independentemente de tudo. O seu time não vai ser alçado ao topo no lugar. Mas ele não suporta ver o sucesso do outro, ainda que seja o outro em outro canto do mundo, sem nenhum torcedor dele pra lhe incomodar por perto.
Eu não. Eu me apaixonei pelo futebol vendo o Telê treinar meu São Paulo. Busquei a seleção de 82 pra conhecer o que era aquilo. Me encantei com Zico, Sócrates, tantos outros que sempre jogaram nas equipes adversárias da minha. Para mim, ver o Barcelona vencer, é como dizer pra história recente do futebol: tá vendo como você está errada?
Mas tudo bem. O Barça é tão inspirador, que ele certamente vai encontrar onde beber para recuperar seu trajeto à eternidade. A missão agora - que já ficou demonstrado que futebol bonito ganha jogo sim - é provar que a beleza e a superação também se combinam. E o triunfo definitivo desse grande Barcelona pode vir na próxima temporada, para dizer que, se o melhor nem sempre vence, o melhor sempre volta.
***
PS: Messi segue e seguirá quebrando recorde atrás de recorde. Não se engane, olho gordo.
PS 2: Como diz uma certa música: "quem precisa de notícia? eu prefiro poesia"...
domingo, 4 de dezembro de 2011
Domingo de não-futebol
Não sou uma dessas pessoas que se sensibiliza com a morte de pessoas que nem conheço, e nem acho que morrer deve ser tão ruim assim. Detesto essa coisa da imprensa de ficar que nem urubu acompanhando a agonia de quem, como diz o Chicó de Ariano Suassuna, vai se encontrar com o único mal irremediável. É simples assim: se o tempo nos leva tudo, para o bem e para o mal, por que não haveria de levar o corpo? De novo chamando Suassuna, tudo que é vivo morre. Eu não acho que seria legal se todo mundo fosse eterno.
Mas, poxa, o Sócrates bem que podia ficar mais um pouco hein? Pra escrever mais, pra emprestar seu brilho pra esse opaco e mesquinho futebol brasileiro. Pra sempre nos lembrar da seleção de 1982 e o que deveria ter sido e não foi. Pra criticar as estupidezes fartas que se veem na cartolagem. Pra ser um lampejo de sobriedade - sim! - no meio dessa normalidade mórbida e acéfala. Pra gente poder imaginar que vai ser diferente. Pra gente perseguir isso.
Não vou me alongar. Só queria também me despedir do Doutor. Baita figura. Queria que ficasse mais tempo por aqui. Lembrei ontem, em conversa com amigos, de uma frase que li ainda criança, e nunca esqueci. "O mundo, depois de ti, há de ser algo melhor, porque tu viveste nele". Obrigada, Doutor. Por nos oferecer a melhor referência de que as coisas não precisam ser como são.
Pro Doutor
Ei doutor
Se a gente não se encontrar
A turma manda avisar
Que ninguém aqui desistiu da peleia
Quem sabe
Num passe de calcanhar
A gente consiga lançar
A fagulha que incendeia
E fazer tremer a arquibancada
Um lindo lance, uma bela jogada
Democracia não tem carta marcada
O jogo é vivo e o sangue está na veia
Ei doutor
Os refletores do estádio embaralham a vista
E talvez a gente não te veja mais
Nem possa te ler nos jornais
Mas sempre segue o show do artista
O que está feito não se perde
As palavras, gestos e gols
Tudo o que você começou
A gente sabe que prossegue
Vamos comemorar
Até o que nunca foi
O título de 82
O dia em que vamos derrotar
Aqueles que não nos deixam sonhar.
E na sua despedida
Nós vamos brindar:
Ainda bem que estiveste com a gente
E vamos levar, daqui pra frente
Nos nossos sonhos, seus sonhos também.
Se a gente não vai se ver
Nem escrever novas histórias
A gente guarda o que tem
Num bom lugar da memória
O que é imenso
Pra ser só um minuto
Pra ser só silêncio
Ei doutor
Eis o apito, a partida acabou
Mas a gente continua a conversa no bar
Xingar ou saudar
Pra comentar
Pra resistir
E ao fundo, ouvir:
A música ao vivo são harpas chorando.
O mundo, hoje, ficou um bocadinho pior.
Mas, poxa, o Sócrates bem que podia ficar mais um pouco hein? Pra escrever mais, pra emprestar seu brilho pra esse opaco e mesquinho futebol brasileiro. Pra sempre nos lembrar da seleção de 1982 e o que deveria ter sido e não foi. Pra criticar as estupidezes fartas que se veem na cartolagem. Pra ser um lampejo de sobriedade - sim! - no meio dessa normalidade mórbida e acéfala. Pra gente poder imaginar que vai ser diferente. Pra gente perseguir isso.
Não vou me alongar. Só queria também me despedir do Doutor. Baita figura. Queria que ficasse mais tempo por aqui. Lembrei ontem, em conversa com amigos, de uma frase que li ainda criança, e nunca esqueci. "O mundo, depois de ti, há de ser algo melhor, porque tu viveste nele". Obrigada, Doutor. Por nos oferecer a melhor referência de que as coisas não precisam ser como são.
Pro Doutor
Ei doutor
Se a gente não se encontrar
A turma manda avisar
Que ninguém aqui desistiu da peleia
Quem sabe
Num passe de calcanhar
A gente consiga lançar
A fagulha que incendeia
E fazer tremer a arquibancada
Um lindo lance, uma bela jogada
Democracia não tem carta marcada
O jogo é vivo e o sangue está na veia
Ei doutor
Os refletores do estádio embaralham a vista
E talvez a gente não te veja mais
Nem possa te ler nos jornais
Mas sempre segue o show do artista
O que está feito não se perde
As palavras, gestos e gols
Tudo o que você começou
A gente sabe que prossegue
Vamos comemorar
Até o que nunca foi
O título de 82
O dia em que vamos derrotar
Aqueles que não nos deixam sonhar.
E na sua despedida
Nós vamos brindar:
Ainda bem que estiveste com a gente
E vamos levar, daqui pra frente
Nos nossos sonhos, seus sonhos também.
Se a gente não vai se ver
Nem escrever novas histórias
A gente guarda o que tem
Num bom lugar da memória
O que é imenso
Pra ser só um minuto
Pra ser só silêncio
Ei doutor
Eis o apito, a partida acabou
Mas a gente continua a conversa no bar
Xingar ou saudar
Pra comentar
Pra resistir
E ao fundo, ouvir:
A música ao vivo são harpas chorando.
O mundo, hoje, ficou um bocadinho pior.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
A magia esotérica futebolística
Amanhã tem final de Libertadores. Bom momento para socializar uma reflexão que venho fazendo desde a Copa do Mundo, ao observar meus amigos sentando-se na mesma cadeira, vestindo a mesma camisa, evitando palavras que trazem "mau-agouro".
Esse esoterismo do futebol me impressiona. Especialmente nos homens. Boa parte deles caçoa de horóscopos e simpatias, que são, em geral, mais relacionados ao comportamento feminino. Mas ouse gritar gol fora de hora num estádio! Você pode ser apedrejado! "Dá azar"!
E aqueles que assistiram à Copa do Mundo com os mesmos trajes com que viram a final em 2002? São oito anos! Mas caber numa roupa velha é o mínimo que se pode fazer para garantir sorte ao time.
Outros, mais crueis, vetam a presença de um ou outro, "amigo pé-frio". O Mick Jagger, inclusive, foi uma das personalidades da Copa por isso. Mas alguém comentou que, na final, o pobre azarado engrossou a torcida espanhola? Como já havia feito, aliás, nas quartas-de-final contra o Paraguai. Sem falar no polvo Paul! Sua preferência - como a de todo polvo, talvez como a de boa parte dos animais - por cores vibrantes como amarelo e vermelho foi confundida com capacidade de premonição! Oh ceus!
Mas que graça teria se não houvesse um Mick Jagger ou um polvo Paul? Mais, por que assumir que o resultado do jogo do seu time não depende, absolutamente em nada, de você e de suas mandingas? Assim como teria, certamente, bem menos graça viver a vida sem observar as coincidências "altamente demonstrativas do destino", a magia do "tinha que ser assim".
Todo mundo precisa um pouco do misticismo para levar a vida. É difícil saber que tudo depende só de você. Ou que nada depende... É preciso confiar em poderes extrassensoriais capazes de atuar e fazer justiça. O imponderável é parte fundamental da vida de homens e mulheres. Onde quer que se expresse.
Esse esoterismo do futebol me impressiona. Especialmente nos homens. Boa parte deles caçoa de horóscopos e simpatias, que são, em geral, mais relacionados ao comportamento feminino. Mas ouse gritar gol fora de hora num estádio! Você pode ser apedrejado! "Dá azar"!
E aqueles que assistiram à Copa do Mundo com os mesmos trajes com que viram a final em 2002? São oito anos! Mas caber numa roupa velha é o mínimo que se pode fazer para garantir sorte ao time.
Outros, mais crueis, vetam a presença de um ou outro, "amigo pé-frio". O Mick Jagger, inclusive, foi uma das personalidades da Copa por isso. Mas alguém comentou que, na final, o pobre azarado engrossou a torcida espanhola? Como já havia feito, aliás, nas quartas-de-final contra o Paraguai. Sem falar no polvo Paul! Sua preferência - como a de todo polvo, talvez como a de boa parte dos animais - por cores vibrantes como amarelo e vermelho foi confundida com capacidade de premonição! Oh ceus!
Mas que graça teria se não houvesse um Mick Jagger ou um polvo Paul? Mais, por que assumir que o resultado do jogo do seu time não depende, absolutamente em nada, de você e de suas mandingas? Assim como teria, certamente, bem menos graça viver a vida sem observar as coincidências "altamente demonstrativas do destino", a magia do "tinha que ser assim".
Todo mundo precisa um pouco do misticismo para levar a vida. É difícil saber que tudo depende só de você. Ou que nada depende... É preciso confiar em poderes extrassensoriais capazes de atuar e fazer justiça. O imponderável é parte fundamental da vida de homens e mulheres. Onde quer que se expresse.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Jabulani pra frente
Sexta-feira, o clima era de chateação geral na capital federal. Aposto que no Brasil inteiro foi assim. Frustração, desesperança, desconsolo, tristeza. Mas passa. Tristeza tem fim e felicidade também.
Eu não me mobilizo para torcer pelo Brasil, desde que me conheço por gente (a primeira Copa de que me lembro bem é a de 94). Não me mobilizo porque aquilo não me seduz, não me encanta, não me desperta sentimentos bons em relação ao esporte ou ao Brasil mesmo.
Não vou aqui criticar quem faz o contrário. Inclusive porque eu estaria me contradizendo. Pra mim, é simples assim: é um torneio internacional, muito bom de acompanhar, e eu escolho o time que eu quiser para torcer. O que eu gostar mais. Pra Holanda ganhar seu primeiro mundial. Pro Messi se consagrar de vez. Pro futebol bonito triunfar sobre a retranca. Sei lá. Não é automático que eu torça pelo Brasil simplesmente porque é o país em que eu nasci. E daí??? Faço muito mais coisas por ele do que torcer pela sua seleção de futebol. Mais do que muita gente que compra a camisa oficial, se esgoela de torcer e chora na eliminação. Mais do que os jogadores que compõem a seleção, apostaria.
Começa assim: vivo a contradição de ser uma feminista que gosta muito de um esporte praticado quase que exclusivamente por homens, discutido majoritariamente por homens, adorado por quase todos os homens. Obviamente, isso o torna, ainda, um esporte bem masculino, em que encontram eco as mais diversas manifestações de machismo que têm lugar na sociedade como um todo. Mas sabemos que há espaços em que se concentram mais.
A estúpida declaração de Felipe Melo sobre chutar bolas e mulheres, antes do início da Copa, foi apenas a pior delas nesse contexto de campeonato mundial. Mas nem precisa ir muito longe, basta olhar o tempo recente, para lembrar de causos como os que envolvem o "imperador" Adriano e suas famigeradas brigas com a mulher e seus percalços com a polícia carioca. Sem contar o suposto filho que Ronaldo não reconhece (no Japão?), a acusação a Robinho por tentativa de estupro (na Espanha?), declarações, declarações e mais declarações desastrosas, como a do Neymar - aquele mesmo, que não foi pra Copa -, que diz que não é negro. Recentemente, vimos chegar o cúmulo do absurdo de o goleiro campeão brasileiro ser suspeito de espancar uma mulher até a morte (com quem ele teve um caso extraconjugal e um filho clandestino).
Isso sem contar o que é parte do futebol em si. A presença avassaladora das empresas multinacionais nas equipes, os interesses privados, máfias que dominam campeonatos, as manipulações, os mercenários, as acusações de corrupção. São muitas e bem concretas, não são só especulação. Alguém não se lembra dos processos na Justiça, investigações da polícia, CPIs no Congresso Nacional?
Não vão me convencer a morrer de amores pela seleção e a organizar a minha vida em função disso de 4 em 4 anos. Não me dá vontade. Quem quer, que o faça, e - eu preferiria -, sem militar pela causa, sabendo que é só um campeonato de futebol. E sem vir tentar salvar a minha alma, me converter, essas coisas bem chatas. Eu também não estou pedindo pra ninguém deixar de torcer pra seleção brasileira. Afinal, isso implicaria em deixar de torcer para seus times também, em alguma medida - pra ser coerente.
Ninguém que venha me incomodar por não fazer a mesma opção. Não vou chorar a eliminação, não vou comprar briga que não é minha, não vou aderir a rivalidade tosca nenhuma. E vou torcer por quem eu quiser, sem compromisso prévio ou "natural". Minhas demonstrações de carinho pelo Brasil, prefiro executar de outra forma, por exemplo, lutando com dedicação pelo que acho melhor pro nosso povo e pra nossa soberania.
"Mas Ale, o povo fica feliz com a vitória". Tem muita coisa que é capaz de gerar felicidade coletiva, as pessoas não dependem apenas do futebol de 4 em 4 anos. Realmente, não me sinto culpada por não engrossar o côro dos contentes nesse âmbito. E, em hipótese alguma, vou choramingar ou concordar com quem choramingue que a ausência de "bad boys" levou o Brasil ao fiasco. Não sou lá muito a favor de dar chance boa a gente que já a tem de sobra, e só aproveita mal. Não me parece que o Brasil seja assim tão carente de bons jogadores a ponto de depender de quem dá demonstrações sucessivas de desvios de comportamento, de postura e até de caráter.
E, no mais, 2014 está aí. Para os superticiosos de plantão, os 190 milhões de técnicos de futebol, os das mesas redondas de boteco... assunto pra conversar, tem de sobra. Que volte o campeonato brasileiro. Que voltem os esportes todos à mídia. E que a seleção brasileira, cada um de seus jogadores, e que a Copa e todos os times brasileiros façam por merecer toda essa atenção e esse carinho das pessoas, daqui até 2014.
Eu não me mobilizo para torcer pelo Brasil, desde que me conheço por gente (a primeira Copa de que me lembro bem é a de 94). Não me mobilizo porque aquilo não me seduz, não me encanta, não me desperta sentimentos bons em relação ao esporte ou ao Brasil mesmo.
Não vou aqui criticar quem faz o contrário. Inclusive porque eu estaria me contradizendo. Pra mim, é simples assim: é um torneio internacional, muito bom de acompanhar, e eu escolho o time que eu quiser para torcer. O que eu gostar mais. Pra Holanda ganhar seu primeiro mundial. Pro Messi se consagrar de vez. Pro futebol bonito triunfar sobre a retranca. Sei lá. Não é automático que eu torça pelo Brasil simplesmente porque é o país em que eu nasci. E daí??? Faço muito mais coisas por ele do que torcer pela sua seleção de futebol. Mais do que muita gente que compra a camisa oficial, se esgoela de torcer e chora na eliminação. Mais do que os jogadores que compõem a seleção, apostaria.
Começa assim: vivo a contradição de ser uma feminista que gosta muito de um esporte praticado quase que exclusivamente por homens, discutido majoritariamente por homens, adorado por quase todos os homens. Obviamente, isso o torna, ainda, um esporte bem masculino, em que encontram eco as mais diversas manifestações de machismo que têm lugar na sociedade como um todo. Mas sabemos que há espaços em que se concentram mais.
A estúpida declaração de Felipe Melo sobre chutar bolas e mulheres, antes do início da Copa, foi apenas a pior delas nesse contexto de campeonato mundial. Mas nem precisa ir muito longe, basta olhar o tempo recente, para lembrar de causos como os que envolvem o "imperador" Adriano e suas famigeradas brigas com a mulher e seus percalços com a polícia carioca. Sem contar o suposto filho que Ronaldo não reconhece (no Japão?), a acusação a Robinho por tentativa de estupro (na Espanha?), declarações, declarações e mais declarações desastrosas, como a do Neymar - aquele mesmo, que não foi pra Copa -, que diz que não é negro. Recentemente, vimos chegar o cúmulo do absurdo de o goleiro campeão brasileiro ser suspeito de espancar uma mulher até a morte (com quem ele teve um caso extraconjugal e um filho clandestino).
Isso sem contar o que é parte do futebol em si. A presença avassaladora das empresas multinacionais nas equipes, os interesses privados, máfias que dominam campeonatos, as manipulações, os mercenários, as acusações de corrupção. São muitas e bem concretas, não são só especulação. Alguém não se lembra dos processos na Justiça, investigações da polícia, CPIs no Congresso Nacional?
Não vão me convencer a morrer de amores pela seleção e a organizar a minha vida em função disso de 4 em 4 anos. Não me dá vontade. Quem quer, que o faça, e - eu preferiria -, sem militar pela causa, sabendo que é só um campeonato de futebol. E sem vir tentar salvar a minha alma, me converter, essas coisas bem chatas. Eu também não estou pedindo pra ninguém deixar de torcer pra seleção brasileira. Afinal, isso implicaria em deixar de torcer para seus times também, em alguma medida - pra ser coerente.
Ninguém que venha me incomodar por não fazer a mesma opção. Não vou chorar a eliminação, não vou comprar briga que não é minha, não vou aderir a rivalidade tosca nenhuma. E vou torcer por quem eu quiser, sem compromisso prévio ou "natural". Minhas demonstrações de carinho pelo Brasil, prefiro executar de outra forma, por exemplo, lutando com dedicação pelo que acho melhor pro nosso povo e pra nossa soberania.
"Mas Ale, o povo fica feliz com a vitória". Tem muita coisa que é capaz de gerar felicidade coletiva, as pessoas não dependem apenas do futebol de 4 em 4 anos. Realmente, não me sinto culpada por não engrossar o côro dos contentes nesse âmbito. E, em hipótese alguma, vou choramingar ou concordar com quem choramingue que a ausência de "bad boys" levou o Brasil ao fiasco. Não sou lá muito a favor de dar chance boa a gente que já a tem de sobra, e só aproveita mal. Não me parece que o Brasil seja assim tão carente de bons jogadores a ponto de depender de quem dá demonstrações sucessivas de desvios de comportamento, de postura e até de caráter.
E, no mais, 2014 está aí. Para os superticiosos de plantão, os 190 milhões de técnicos de futebol, os das mesas redondas de boteco... assunto pra conversar, tem de sobra. Que volte o campeonato brasileiro. Que voltem os esportes todos à mídia. E que a seleção brasileira, cada um de seus jogadores, e que a Copa e todos os times brasileiros façam por merecer toda essa atenção e esse carinho das pessoas, daqui até 2014.
terça-feira, 29 de junho de 2010
"Em Van Gogh, um girassol verde e amarelo..."
Um lindo samba, pra um momento que, para mim, tem que ser avesso a ufanismos, nacionalismos toscos, galvãobuenismos, globismos, bandismos e fanatismos de qualquer espécie. De minha parte, ele está aqui para saudar o sempre saudável futebol holandês. E que vença o melhor.
BRASIL E HOLANDA
Uma ciranda, uma roda , um samba
Serpenteando daqui a Holanda
Cosmopolita todo samba é
Um riso de mulher
Moinhos cheios de café
Van Basten tabelando com Pelé
Um samba pode nascer amanhã
Em Amsterdam
Só precisa um violão e lua cheia
Gingar legal
Querer por querer
O Nassau de berimbau
O samba sai do tamanco ou chinelo
Pra pintar um jeitão meio grogue
Em Van Gogh um girassol verde e amarelo
(Moacyr Luz e Aldir Blanc)
BRASIL E HOLANDA
Uma ciranda, uma roda , um samba
Serpenteando daqui a Holanda
Cosmopolita todo samba é
Um riso de mulher
Moinhos cheios de café
Van Basten tabelando com Pelé
Um samba pode nascer amanhã
Em Amsterdam
Só precisa um violão e lua cheia
Gingar legal
Querer por querer
O Nassau de berimbau
O samba sai do tamanco ou chinelo
Pra pintar um jeitão meio grogue
Em Van Gogh um girassol verde e amarelo
(Moacyr Luz e Aldir Blanc)
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Dunga X Imprensa
Não sei vocês, mas a minha opinião foi de que o tal "editorial" dado por Tadeu Schmidt no Fantástico, em crítica ostensiva ao técnico Dunga, foi pedante e covarde.
A imprensa se considera o quarto poder, e de fato, a grande imprensa exerce um poder que muitos ainda não conseguiram mensurar. Reivindica sua "liberdade de imprensa" pra poder fazer o que bem quiser com quem quiser e como quiser, sem ter que arcar com a responsabilidade de seus atos, sem ter que responder por eles, sem se submeter a limite ou controle algum. No caso de rádios e TVs, ignoram e apagam da cabeça do povo que se trata de concessão pública, e portanto, eles têm sim satisfações a prestar, ainda mais.
Essa novela com o Dunga é muito enjoada. Eu não me empolgo com a seleção brasileira, não me mobilizo na torcida, morro de raiva do Galvão narrando um gol. Mas pera lá, dá vontade de torcer pro Dunga vencer só para, a la Zagallo - que não chegou a ser tão perseguido -, esses terem que engolir.
Aquele papo de jornalista magoado porque não pode cobrir treino já estava me aborrecendo há horas, como dizem no Rio Grande do Sul. Era inacreditável o número de matérias produzidas com o único objetivo de choramingar a ausência da imprensa no treino da seleção. Quando viram que não venceriam esse duelo, mudaram o tom: "Tá bom, Dunga pode determinar que o treino é fechado, mas o método foi bem ruim", cheguei a ouvir num telejornal.
Vem cá, o que importa a um leitor, ouvinte ou telespectador se a imprensa entrou no treino ou não e de que forma isso foi definido? Querem fazer disso uma pauta, ou (mais) um elemento de desagrado na opinião pública. O jornalista pode fazer bem seu trabalho sem esse acesso ilimitado. Porque, afinal, ninguém terá acesso ilimitado. Será que é por isso que alguns estão tão desapontados com Dunga??!
O quarto poder foi desafiado. Como reage? Se não se cumpre sua vontade, aí vem retaliação com os meios de que dispõe. A questão é que esses meios são públicos, em larga medida, e o bem com que lidam - a informação - também não lhes pertence. Isso é covardia. E é, no mínimo, pedante demais não aceitar limites. Ou pra Globo não vale o velho dito popular: "Quem fala o que quer, ouve o que não quer"?
A imprensa se considera o quarto poder, e de fato, a grande imprensa exerce um poder que muitos ainda não conseguiram mensurar. Reivindica sua "liberdade de imprensa" pra poder fazer o que bem quiser com quem quiser e como quiser, sem ter que arcar com a responsabilidade de seus atos, sem ter que responder por eles, sem se submeter a limite ou controle algum. No caso de rádios e TVs, ignoram e apagam da cabeça do povo que se trata de concessão pública, e portanto, eles têm sim satisfações a prestar, ainda mais.
Essa novela com o Dunga é muito enjoada. Eu não me empolgo com a seleção brasileira, não me mobilizo na torcida, morro de raiva do Galvão narrando um gol. Mas pera lá, dá vontade de torcer pro Dunga vencer só para, a la Zagallo - que não chegou a ser tão perseguido -, esses terem que engolir.
Aquele papo de jornalista magoado porque não pode cobrir treino já estava me aborrecendo há horas, como dizem no Rio Grande do Sul. Era inacreditável o número de matérias produzidas com o único objetivo de choramingar a ausência da imprensa no treino da seleção. Quando viram que não venceriam esse duelo, mudaram o tom: "Tá bom, Dunga pode determinar que o treino é fechado, mas o método foi bem ruim", cheguei a ouvir num telejornal.
Vem cá, o que importa a um leitor, ouvinte ou telespectador se a imprensa entrou no treino ou não e de que forma isso foi definido? Querem fazer disso uma pauta, ou (mais) um elemento de desagrado na opinião pública. O jornalista pode fazer bem seu trabalho sem esse acesso ilimitado. Porque, afinal, ninguém terá acesso ilimitado. Será que é por isso que alguns estão tão desapontados com Dunga??!
O quarto poder foi desafiado. Como reage? Se não se cumpre sua vontade, aí vem retaliação com os meios de que dispõe. A questão é que esses meios são públicos, em larga medida, e o bem com que lidam - a informação - também não lhes pertence. Isso é covardia. E é, no mínimo, pedante demais não aceitar limites. Ou pra Globo não vale o velho dito popular: "Quem fala o que quer, ouve o que não quer"?
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Apenas mais uma...
Como mulher e torcedora de futebol, como uma pessoa que gosta de ir ao estádio, torcer pelo meu time, torcer contra o time dos outros... falar de futebol no bar, vestir a camisa... infelizmente (ou não), eu insisto em me indignar.
O futebol é terreno propício para propagação do machismo, do racismo, da homofobia, da intolerância. Não dá pra nós - pelo menos nós, que somos de esquerda - fingirmos que o estádio é um mundo à parte, onde tudo tem perdão. "Ah, no estádio vale, não vale?". Não, não vale. Eu não canto musiquinha machista e/ou homofóbica, e ainda me irrito com quem canta. Dá vontade de nem participar mais. Eu não acho "frescura" ou "exagero" as denúncias de racismo dentro de campo. E acho um absurdo quem ache que, simplesmente, "isso faz parte do jogo".
Futebol NÃO é coisa de homem. Ninguém nunca convenceu a grande Marta disso, por exemplo. Ou as tantas repórteres de campo, apresentadoras, comentaristas que têm surgido. Então, o mínimo que podemos fazer é exigir RESPEITO.
Eu mesma já escrevi muito aqui sobre o assunto. É só clicar em futebol, na barra aqui do lado direito. Porque, infelizmente, sempre tem assunto. Hoje, quem deu o assunto foi o volante da seleção, Felipe Melo. Na esteira das críticas à bola da Copa do Mundo, disse ele: "A outra bola é igual a mulher de malandro: você chuta e ela continua ali. Essa de agora é igual Patricinha, que não quer ser chutada de jeito nenhum".
Alguém precisa dizer pro Felipe Melo que mulher não é pra ser "chutada". Que mulher não é objeto, para poder ser bola. Que chutar no sentido literal é violência contra a mulher, e chutar no sentido figurado é de uma misogenia inacreditável. A primeira dá cadeia. A segunda devia dar também.
Espero que o ouvido das pessoas tenha doído ao ouvir isso. Ou que os olhos tenham ardido ao ler. E que as pessoas tenham se indignado, e que as mulheres tenham se sentido ofendidas. Chega de aceitar. Isso sim é intolerável.
Pena que tem gente que pode falar na TV e ser ouvido e aproveita esse tempo com uma asneira dessas. Tanta gente com tanto pra dizer e tem que permanecer calada. Que lástima.
Que merda, hein, Felipe Melo?
O futebol é terreno propício para propagação do machismo, do racismo, da homofobia, da intolerância. Não dá pra nós - pelo menos nós, que somos de esquerda - fingirmos que o estádio é um mundo à parte, onde tudo tem perdão. "Ah, no estádio vale, não vale?". Não, não vale. Eu não canto musiquinha machista e/ou homofóbica, e ainda me irrito com quem canta. Dá vontade de nem participar mais. Eu não acho "frescura" ou "exagero" as denúncias de racismo dentro de campo. E acho um absurdo quem ache que, simplesmente, "isso faz parte do jogo".
Futebol NÃO é coisa de homem. Ninguém nunca convenceu a grande Marta disso, por exemplo. Ou as tantas repórteres de campo, apresentadoras, comentaristas que têm surgido. Então, o mínimo que podemos fazer é exigir RESPEITO.
Eu mesma já escrevi muito aqui sobre o assunto. É só clicar em futebol, na barra aqui do lado direito. Porque, infelizmente, sempre tem assunto. Hoje, quem deu o assunto foi o volante da seleção, Felipe Melo. Na esteira das críticas à bola da Copa do Mundo, disse ele: "A outra bola é igual a mulher de malandro: você chuta e ela continua ali. Essa de agora é igual Patricinha, que não quer ser chutada de jeito nenhum".
Alguém precisa dizer pro Felipe Melo que mulher não é pra ser "chutada". Que mulher não é objeto, para poder ser bola. Que chutar no sentido literal é violência contra a mulher, e chutar no sentido figurado é de uma misogenia inacreditável. A primeira dá cadeia. A segunda devia dar também.
Espero que o ouvido das pessoas tenha doído ao ouvir isso. Ou que os olhos tenham ardido ao ler. E que as pessoas tenham se indignado, e que as mulheres tenham se sentido ofendidas. Chega de aceitar. Isso sim é intolerável.
Pena que tem gente que pode falar na TV e ser ouvido e aproveita esse tempo com uma asneira dessas. Tanta gente com tanto pra dizer e tem que permanecer calada. Que lástima.
Que merda, hein, Felipe Melo?
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Luís Fernando Veríssimo: "Para voltar a crer"
Para quem não lê o Zero Hora, ou não viu hoje, ou é de fora de Porto Alegre, do Rio Grande do Sul... não precisa ficar chateado, não perde nada não lendo o ZH. É mais do mesmo, mais um desses periódicos porta-vozes da classe dominante. Posição clara.
Só que, dialeticamente, quem não viu o ZH desta quinta-feira, 03/12, perdeu a coluna do Veríssimo. Está impagável. Não socializar seria um ato de egoísmo.
Para voltar a crer
Não faltam motivos para descrer da humanidade. Vamos combinar que fizemos coisas extraordinárias, mas nossa passagem pela Terra não está sendo, exatamente, um sucesso. Para cada catedral erguida bombardeamos três, para cada civilização vicejante liquidamos quatro, a cada gesto de grandeza correspondem cinco ou seis de baixeza, para cada Gandhi produzimos sete tiranos, para cada Patrícia Pilar 17 energúmenos. Inventamos vacinas para salvar a vida de milhões ao mesmo tempo em que matamos outros milhões pelo contágio e a fome. Criamos telefones portáteis que funcionam como gravadores, computadores – e às vezes até telefones –, mas ainda temos problema com a coriza nasal. Nosso dia a dia é cheio de pequenas calhordices, dos outros e nossas. Rareiam as razões para confiar no vizinho ao nosso lado, o que dirá do político lá longe, cuja verdadeira natureza muitas vezes só vamos conhecer pela câmera escondida. Somos decididamente uma espécie inconfiável, além de venal, traiçoeira e mesquinha. E estamos envenenando o planeta, num suicídio lento do qual ninguém escapará. E tudo isso sem falar no racismo, no terrorismo e no Big Brother Brasil.
Eu tinha desistido de esperar pela nossa regeneração. Ela não viria pela religião, que se transformou em apenas outro ramo de negócios. Nem viria pela revolução, mesmo que se pagasse para o povo ocupar as barricadas. Eu achava que a espécie não tinha jeito, não tinha volta, não tinha salvação. Meu desencanto era total. Só o abandonaria diante de alguma prova irrefutável de altruísmo e caráter que redimisse a humanidade. Uma prova de tal tamanho e tal significado, que anularia meu ceticismo terminal e restauraria minha esperança no futuro. E esta prova virá neste domingo, se o Grêmio derrotar o Flamengo no Maracanã.
Se o Grêmio derrotar o Flamengo, o Internacional pode ser campeão. Mas o mais importante não é isso. Se o Grêmio derrotar o Flamengo mesmo sabendo as consequências e o possível benefício para o arquiadversário, estará dando um exemplo inigualável de superioridade moral. A volta da minha fé na humanidade não interessa, Grêmio. Pense no que dirá a História. Pense nas futuras gerações!
(Luís Fernando Veríssimo, no Zero Hora de 03/12/2009)

(peço licença ao amigo Bier - augustobier.blogspot.com - pra usar uma charge dele como ilustração... e deixo claro: eu, como em quase tudo na vida, também nessa disputa tenho lado - vermelho!)
Só que, dialeticamente, quem não viu o ZH desta quinta-feira, 03/12, perdeu a coluna do Veríssimo. Está impagável. Não socializar seria um ato de egoísmo.
Para voltar a crer
Não faltam motivos para descrer da humanidade. Vamos combinar que fizemos coisas extraordinárias, mas nossa passagem pela Terra não está sendo, exatamente, um sucesso. Para cada catedral erguida bombardeamos três, para cada civilização vicejante liquidamos quatro, a cada gesto de grandeza correspondem cinco ou seis de baixeza, para cada Gandhi produzimos sete tiranos, para cada Patrícia Pilar 17 energúmenos. Inventamos vacinas para salvar a vida de milhões ao mesmo tempo em que matamos outros milhões pelo contágio e a fome. Criamos telefones portáteis que funcionam como gravadores, computadores – e às vezes até telefones –, mas ainda temos problema com a coriza nasal. Nosso dia a dia é cheio de pequenas calhordices, dos outros e nossas. Rareiam as razões para confiar no vizinho ao nosso lado, o que dirá do político lá longe, cuja verdadeira natureza muitas vezes só vamos conhecer pela câmera escondida. Somos decididamente uma espécie inconfiável, além de venal, traiçoeira e mesquinha. E estamos envenenando o planeta, num suicídio lento do qual ninguém escapará. E tudo isso sem falar no racismo, no terrorismo e no Big Brother Brasil.
Eu tinha desistido de esperar pela nossa regeneração. Ela não viria pela religião, que se transformou em apenas outro ramo de negócios. Nem viria pela revolução, mesmo que se pagasse para o povo ocupar as barricadas. Eu achava que a espécie não tinha jeito, não tinha volta, não tinha salvação. Meu desencanto era total. Só o abandonaria diante de alguma prova irrefutável de altruísmo e caráter que redimisse a humanidade. Uma prova de tal tamanho e tal significado, que anularia meu ceticismo terminal e restauraria minha esperança no futuro. E esta prova virá neste domingo, se o Grêmio derrotar o Flamengo no Maracanã.
Se o Grêmio derrotar o Flamengo, o Internacional pode ser campeão. Mas o mais importante não é isso. Se o Grêmio derrotar o Flamengo mesmo sabendo as consequências e o possível benefício para o arquiadversário, estará dando um exemplo inigualável de superioridade moral. A volta da minha fé na humanidade não interessa, Grêmio. Pense no que dirá a História. Pense nas futuras gerações!
(Luís Fernando Veríssimo, no Zero Hora de 03/12/2009)
(peço licença ao amigo Bier - augustobier.blogspot.com - pra usar uma charge dele como ilustração... e deixo claro: eu, como em quase tudo na vida, também nessa disputa tenho lado - vermelho!)
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Não trabalhamos com estúpidos
Escrito por Bruno Padron, Porpeta
O treinador Hélio dos Anjos, do Goiás, soltou mais uma de suas "pérolas" em entrevista coletiva. Afirmou que não trabalhava com homossexuais ao ser perguntado sobre um suposto ciúme do elenco com relação à contratação de Fernandão. Se a homofobia fosse considerada crime, o futebol, ao menos, não reproduziria tais barbaridades.
Quando um clube anuncia uma grande contratação, daquelas de impacto, existem inúmeras decorrências da mesma. Se por um lado dirigentes e torcedores soltam fogos de artifício comemorando o feito, por outro, questões como salários pagos bem acima da média do elenco e tratamento diferenciado podem provocar crises internas entre os jogadores.
O noticiário sobre o time do Goiás vem colocando esta questão à mostra. Depois da chegada de Fernandão, após a empolgação inicial, surgiram boatos de que o grupo estava insatisfeito com a presença dele.
Principalmente porque seu salário era bastante superior ao dos outros que, até aquele momento, colocaram o Goiás entre os quatro primeiros colocados do Campeonato Brasileiro, na zona de classificação para a Libertadores. Mas também por supostos privilégios ao meia-atacante.
Fernandão não é mais um garoto. Assim como Ronaldo, no Corinthians, não pode submeter-se à mesma carga de treinamentos feita por um jovem de 22 anos de idade.
Embora se saiba que algumas estrelas do futebol, ao retornarem para campos brasileiros, inserem cláusulas em seu contrato de trabalho que lhes permitem algumas regalias, como a dispensa de alguns dias de treinamento. Será o caso?
Mas todo boato no futebol não é fruto da imaginação da imprensa. Às vezes ela aumenta, mas não inventa. A fertilidade das notícias sempre tem um dirigente ou um jogador como fonte. Em geral, tudo feito em off.
Embora muitas das notícias sejam desprovidas de averiguação, servindo apenas ao furo de reportagem, interesses eleitorais internos dos clubes ou jogadores forjando descontentamento, já de olho em alguma proposta mais interessante de outro time.
Mas quando a notícia aparece, toma conta das entrevistas e algumas respostas são exigidas pela imprensa e pelos torcedores. Daí, a depender do entrevistado, podem variar as versões ou até mesmo o tom usado sobre uma determinada versão, que pode ser previamente combinada.
Hélio dos Anjos, às vésperas de um jogo contra o Flamengo, no Serra Dourada, arranjou uma forma bastante controversa para conclamar a torcida do Goiás a comparecer ao estádio. Disse que achava uma vergonha ter goianos torcedores de times de outros estados. Gerou uma polêmica desnecessária, desrespeitando o direito individual à escolha do seu time do coração. Dito isso, mais um jogo do Flamengo no Serra Dourada com maioria rubro-negra nas arquibancadas.
Agora, ao responder sobre o suposto "ciúme" do grupo com Fernandão, Hélio afirmou que ciúme era "viadagem" e ele não trabalhava com homossexuais.
Mal sabe, ou sabe muito bem e não quer dizer, que a homossexualidade no futebol é algo mais comum do que se imagina, embora não amplamente divulgada. Ou seja, ele pode estar trabalhando ou já ter trabalhado com vários. O que o tornaria ainda um mentiroso. Além disso, já não é o único caso recente de discriminação por orientação sexual no futebol.
Até os dias de hoje, o nome do meio-campo Richarlyson, do São Paulo, não é gritado pela principal torcida organizada do clube no início dos jogos. Isso porque houve boatos, levantados por um dirigente palmeirense e negados pelo jogador, diante das ameaças dos dirigentes são-paulinos, sobre a homossexualidade do jogador. Desde então, ninguém fala mais sobre o assunto.
Pouco importa se, de fato, o jogador é ou não homossexual. Importa que o tratamento dado à questão pelo mundo do futebol é discriminatório, passando inclusive pela negação da existência "desse tipo de coisa" no futebol.
Outros, como Raí, ex-jogador do São Paulo, afirmam que a homossexualidade é freqüente no meio. Estaria mentindo? Provável que não. O que evidencia tudo que está abaixo do tapete.
Uma legislação que puna a homofobia não acabará com ela, mas pode cumprir o papel de colocar em pauta este debate, seja na sociedade como um todo, seja em meios mais hostis, como o futebol.
Algo que faria Hélio dos Anjos, ao menos, pensar duas vezes antes de falar tais bobagens. Poderia ser processado, ou até preso. Mas, com certeza, não usaria o espaço privilegiado que o futebol possui na mídia para destilar preconceitos.
Sabemos que os sexuais não são os únicos. Existe racismo, xenofobia, e todos os outros que permeiam nossa sociedade. Mas o futebol precisa dar outro exemplo, afinal os personagens da bola são referências de comportamento para muitos jovens. Hoje, infelizes referências.
Ele pediu desculpas pela declaração preconceituosa, mas as ruas provam que o limite chegou ao fim. Muita gente morre no dia-a-dia por pensamentos e atitudes estúpidas como a dele, e desculpas já não são mais suficientes.
Bruno Beneduce Padron (o Porpetta!) é bancário - e meu amigo.
E-mail: brunopadron@yahoo.com.br
O treinador Hélio dos Anjos, do Goiás, soltou mais uma de suas "pérolas" em entrevista coletiva. Afirmou que não trabalhava com homossexuais ao ser perguntado sobre um suposto ciúme do elenco com relação à contratação de Fernandão. Se a homofobia fosse considerada crime, o futebol, ao menos, não reproduziria tais barbaridades.
Quando um clube anuncia uma grande contratação, daquelas de impacto, existem inúmeras decorrências da mesma. Se por um lado dirigentes e torcedores soltam fogos de artifício comemorando o feito, por outro, questões como salários pagos bem acima da média do elenco e tratamento diferenciado podem provocar crises internas entre os jogadores.
O noticiário sobre o time do Goiás vem colocando esta questão à mostra. Depois da chegada de Fernandão, após a empolgação inicial, surgiram boatos de que o grupo estava insatisfeito com a presença dele.
Principalmente porque seu salário era bastante superior ao dos outros que, até aquele momento, colocaram o Goiás entre os quatro primeiros colocados do Campeonato Brasileiro, na zona de classificação para a Libertadores. Mas também por supostos privilégios ao meia-atacante.
Fernandão não é mais um garoto. Assim como Ronaldo, no Corinthians, não pode submeter-se à mesma carga de treinamentos feita por um jovem de 22 anos de idade.
Embora se saiba que algumas estrelas do futebol, ao retornarem para campos brasileiros, inserem cláusulas em seu contrato de trabalho que lhes permitem algumas regalias, como a dispensa de alguns dias de treinamento. Será o caso?
Mas todo boato no futebol não é fruto da imaginação da imprensa. Às vezes ela aumenta, mas não inventa. A fertilidade das notícias sempre tem um dirigente ou um jogador como fonte. Em geral, tudo feito em off.
Embora muitas das notícias sejam desprovidas de averiguação, servindo apenas ao furo de reportagem, interesses eleitorais internos dos clubes ou jogadores forjando descontentamento, já de olho em alguma proposta mais interessante de outro time.
Mas quando a notícia aparece, toma conta das entrevistas e algumas respostas são exigidas pela imprensa e pelos torcedores. Daí, a depender do entrevistado, podem variar as versões ou até mesmo o tom usado sobre uma determinada versão, que pode ser previamente combinada.
Hélio dos Anjos, às vésperas de um jogo contra o Flamengo, no Serra Dourada, arranjou uma forma bastante controversa para conclamar a torcida do Goiás a comparecer ao estádio. Disse que achava uma vergonha ter goianos torcedores de times de outros estados. Gerou uma polêmica desnecessária, desrespeitando o direito individual à escolha do seu time do coração. Dito isso, mais um jogo do Flamengo no Serra Dourada com maioria rubro-negra nas arquibancadas.
Agora, ao responder sobre o suposto "ciúme" do grupo com Fernandão, Hélio afirmou que ciúme era "viadagem" e ele não trabalhava com homossexuais.
Mal sabe, ou sabe muito bem e não quer dizer, que a homossexualidade no futebol é algo mais comum do que se imagina, embora não amplamente divulgada. Ou seja, ele pode estar trabalhando ou já ter trabalhado com vários. O que o tornaria ainda um mentiroso. Além disso, já não é o único caso recente de discriminação por orientação sexual no futebol.
Até os dias de hoje, o nome do meio-campo Richarlyson, do São Paulo, não é gritado pela principal torcida organizada do clube no início dos jogos. Isso porque houve boatos, levantados por um dirigente palmeirense e negados pelo jogador, diante das ameaças dos dirigentes são-paulinos, sobre a homossexualidade do jogador. Desde então, ninguém fala mais sobre o assunto.
Pouco importa se, de fato, o jogador é ou não homossexual. Importa que o tratamento dado à questão pelo mundo do futebol é discriminatório, passando inclusive pela negação da existência "desse tipo de coisa" no futebol.
Outros, como Raí, ex-jogador do São Paulo, afirmam que a homossexualidade é freqüente no meio. Estaria mentindo? Provável que não. O que evidencia tudo que está abaixo do tapete.
Uma legislação que puna a homofobia não acabará com ela, mas pode cumprir o papel de colocar em pauta este debate, seja na sociedade como um todo, seja em meios mais hostis, como o futebol.
Algo que faria Hélio dos Anjos, ao menos, pensar duas vezes antes de falar tais bobagens. Poderia ser processado, ou até preso. Mas, com certeza, não usaria o espaço privilegiado que o futebol possui na mídia para destilar preconceitos.
Sabemos que os sexuais não são os únicos. Existe racismo, xenofobia, e todos os outros que permeiam nossa sociedade. Mas o futebol precisa dar outro exemplo, afinal os personagens da bola são referências de comportamento para muitos jovens. Hoje, infelizes referências.
Ele pediu desculpas pela declaração preconceituosa, mas as ruas provam que o limite chegou ao fim. Muita gente morre no dia-a-dia por pensamentos e atitudes estúpidas como a dele, e desculpas já não são mais suficientes.
Bruno Beneduce Padron (o Porpetta!) é bancário - e meu amigo.
E-mail: brunopadron@yahoo.com.br
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Mais machismo e mais homofobia no futebol
18/09/2009 - 15h07
Diego Souza responde Fabrício e avisa que não jogará como 'mocinha'
Do UOL Esporte
Em São Paulo
tsc tsc... machismo e futebol de novo... se não me engano, bem na semana em que Marta estréia pelo Santos, com a 10.
O pobre do Diego Souza nunca chegará a ser uma "mocinha" como Marta.
Outro que falou bobagem foi o técnico do Goiás, Hélio dos Anjos. "Eu não trabalho com homossexuais. Dizer que tem ciumeira é coisa de viado" - falou ele para a imprensa. Ah, se já tivéssemos aprovado a lei que criminaliza a homofobia...
Todo mundo sabe, é até chavão, que essas estrelas do futebol são modelos pra uma porção de crianças, jovens, adultos e idosos pelo país afora. Não podem falar sem pensar. Aliás, deviam pensar mais.
Diego Souza responde Fabrício e avisa que não jogará como 'mocinha'
Do UOL Esporte
Em São Paulo
tsc tsc... machismo e futebol de novo... se não me engano, bem na semana em que Marta estréia pelo Santos, com a 10.
O pobre do Diego Souza nunca chegará a ser uma "mocinha" como Marta.
Outro que falou bobagem foi o técnico do Goiás, Hélio dos Anjos. "Eu não trabalho com homossexuais. Dizer que tem ciumeira é coisa de viado" - falou ele para a imprensa. Ah, se já tivéssemos aprovado a lei que criminaliza a homofobia...
Todo mundo sabe, é até chavão, que essas estrelas do futebol são modelos pra uma porção de crianças, jovens, adultos e idosos pelo país afora. Não podem falar sem pensar. Aliás, deviam pensar mais.
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