A mãe sempre gritava por causa da demora no banheiro, mas nem imaginava que o menino passava minutos infinitos (para menino, tudo é infinito) de pé em cima do vaso sanitário, de onde seus olhos podiam alcançar a janela que ficava quase na altura do chuveiro. A janelinha era pequena, mas dela, via-se o topo do morro ao longe, e ali o menino ficava vagando sem pressa de voltar.
O morro parecia que tocava o céu. Não tinha nada acima dele. Da janela, não enxergava o chão, só o alto, onde havia uma casinha branca e o céu. O que via da janela era uma combinação do verde-marrom do morro, com o azul do céu e o branco da casinha pequenina. Pensava que queria ir morar naquela casinha. Imaginava risonho a vista que teria da cidade: talvez, de lá pudesse ver o rio!
Não precisaria de cerca, porque ninguém que chegasse ao alto do morro mereceria ser temido. Seriam bem-vindos na sua casa, ele ofereceria café, chimarrão, bolo de laranja. Plantaria árvores em volta da casa, e assim, poderia também oferecer frutas frescas para quem o visitasse. Haveria uma horta! Com certeza, teria um cachorro. Não para guardar a casa, para brincar na casa.
Saía da casinha só quando a mãe gritava, pensando que o filho estava enrolando no banho, gastando muita energia.
Conforme os anos se passavam, a casinha branca ganhava mais adereços, animais, árvores, cores e até cômodos: quando decidiu ser arquiteto, achou que a casa teria de abrigar seu atelier.
No aniversário de 13 anos, pediu de presente um binóculo. Recebeu o agrado com muita alegria, e correu para o banheiro enxergar a casa onde moraria um belo dia. Quando subiu no vaso (ele tinha espichado bastante desde os seis anos, mas não o suficiente para alcançar a janelinha) e olhou pelo binóculo, sua decepção foi flagrante: a casinha branca não era uma casa. Era um letreiro que exibia o nome do morro: Apamecor.
Ficou cabisbaixo por alguns momentos, ninguém entendeu por quê. Mas era como se a casinha branca tivesse sucumbido a um terremoto, uma tempestade, um furacão. Foi tragada pela terra. Quando fechava os olhos via os escombros de tudo, isso doeu, e ele sentiu falta de ser criança de novo.
Mas daqui a pouco, uma luz se fez em seu rosto e ele voltou a ser feliz como antes. Dia seguinte, ligou o chuveiro e postou-se sobre o vaso sanitário, olhando atento pelo binóculo. Começou ali a projetar a construção da sua casa de infância.
Música, feminismo, diálogos, política, futebol, crônica e poesia convivendo no mesmo espaço. E sem conflito.
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sábado, 27 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Três Apitos
Eu tenho a sorte de não ser de um lugar só.
Sinto-me do mundo, e do Brasil, como um mundo em si. Olho e meus olhos se enchem de cores, às vezes, elas caem dos olhos em forma de água salgada. Mas é porque nasceram no peito mesmo, e meu peito é de água do mar.
Nasci na maior cidade da América do Sul, uma linda e louca que me ensinou justamente isso: a gostar do mundo. Me deu os olhos que veem e o peito que sente e fabrica palavras e emoções com a mesma força.
Renasci na minha Porto Alegre, de quem tenho saudades todos os dias. Não sei quem eu sou sem essa eu que nasceu lá.
E a minha Brasília amarela, que tem céu infinito e tanta vida e flores no meio do poder e do concreto, que chega a ofuscá-los. Ela fica bem no meio, não imagino lugar melhor pra ressignificar e reordenar caminhos.
De cada uma eu levo uma porção de coisas. Eu tenho três casas. Tenho a sorte de não ser de um lugar só.
"A tua raça quer partir,
guerrear, sofrer, vencer, voltar.
A minha, não quer ir nem vir.
A minha raça quer passar".
(Cecília Meireles)
Sinto-me do mundo, e do Brasil, como um mundo em si. Olho e meus olhos se enchem de cores, às vezes, elas caem dos olhos em forma de água salgada. Mas é porque nasceram no peito mesmo, e meu peito é de água do mar.
Nasci na maior cidade da América do Sul, uma linda e louca que me ensinou justamente isso: a gostar do mundo. Me deu os olhos que veem e o peito que sente e fabrica palavras e emoções com a mesma força.
Renasci na minha Porto Alegre, de quem tenho saudades todos os dias. Não sei quem eu sou sem essa eu que nasceu lá.
E a minha Brasília amarela, que tem céu infinito e tanta vida e flores no meio do poder e do concreto, que chega a ofuscá-los. Ela fica bem no meio, não imagino lugar melhor pra ressignificar e reordenar caminhos.
De cada uma eu levo uma porção de coisas. Eu tenho três casas. Tenho a sorte de não ser de um lugar só.
"A tua raça quer partir,
guerrear, sofrer, vencer, voltar.
A minha, não quer ir nem vir.
A minha raça quer passar".
(Cecília Meireles)
domingo, 20 de outubro de 2013
O meu lugar
O meu lugar que ficou
Andou
Enquanto eu parava
O meu lugar que parou
Rezou
E eu nunca rezava
O meu lugar que me falou
Brotou
Em mim, em paz
O meu lugar
Já me sabe demais
E lá vou eu partir
Vou outra vez ouvir
A música d'onde eu nem estava
Andou
Enquanto eu parava
O meu lugar que parou
Rezou
E eu nunca rezava
O meu lugar que me falou
Brotou
Em mim, em paz
O meu lugar
Já me sabe demais
E lá vou eu partir
Vou outra vez ouvir
A música d'onde eu nem estava
sábado, 17 de agosto de 2013
Professor Darcy Alves
Porto Alegre e seus personagens...
***
Ele nunca lecionou, nem cursou magistério ou algo que o valha. Mas é professor para aqueles cuja noite ilumina com seu canto e seu violão. É professor porque é uma referência de música, de boemia, de alegria, de disposição.
Professor Darcy Alves acompanhou gente muito grande como Lupicínio, de quem foi amigo, e Jamelão. Nas noites de quinta-feira no Parangolé, lá vinha ele trazer Noel, Chico, Lupi e tanto outros para nos fazer companhia, fizesse chuva, lua, frio ou calor. Em outros dias da semana, lá estava ele também. Fumando seu cigarrinho do lado de fora, bebendo sua cerveja, contando histórias e até dando conselhos.
- Como vai o senhor, Professor?
- Melhor agora que você chegou!
Ele diz isso para todas. Com o mesmo charme e sorriso cativante.
- Oi, minha cantora predileta.
Ele provavelmente também diz isso pra todas. Eu finjo que é só pra mim.
Eu já disse inúmeras vezes ao seu Cláudio. Temos que botar um banquinho de concreto na frente do Parangolé, e uma estátua do Professor sentado fumando. Ele fuma de pé, mas isso é porque não tem o banco. Uma coisa tipo Drummond em Copacabana. Com um sorriso enorme e uma cara de quem tá cantando.
Com os amigos de bar, rimos que ele é um patrimônio de Porto Alegre. E é mesmo. Um patrimônio que foi tombado aos poucos, “devagarinho, de mansinho, que é pra não cansar”. Vai ver esse é o segredo da vitalidade.
***
Ele nunca lecionou, nem cursou magistério ou algo que o valha. Mas é professor para aqueles cuja noite ilumina com seu canto e seu violão. É professor porque é uma referência de música, de boemia, de alegria, de disposição.
Professor Darcy Alves acompanhou gente muito grande como Lupicínio, de quem foi amigo, e Jamelão. Nas noites de quinta-feira no Parangolé, lá vinha ele trazer Noel, Chico, Lupi e tanto outros para nos fazer companhia, fizesse chuva, lua, frio ou calor. Em outros dias da semana, lá estava ele também. Fumando seu cigarrinho do lado de fora, bebendo sua cerveja, contando histórias e até dando conselhos.
- Como vai o senhor, Professor?
- Melhor agora que você chegou!
Ele diz isso para todas. Com o mesmo charme e sorriso cativante.
- Oi, minha cantora predileta.
Ele provavelmente também diz isso pra todas. Eu finjo que é só pra mim.
Eu já disse inúmeras vezes ao seu Cláudio. Temos que botar um banquinho de concreto na frente do Parangolé, e uma estátua do Professor sentado fumando. Ele fuma de pé, mas isso é porque não tem o banco. Uma coisa tipo Drummond em Copacabana. Com um sorriso enorme e uma cara de quem tá cantando.
Com os amigos de bar, rimos que ele é um patrimônio de Porto Alegre. E é mesmo. Um patrimônio que foi tombado aos poucos, “devagarinho, de mansinho, que é pra não cansar”. Vai ver esse é o segredo da vitalidade.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
A 10 dias das eleições, minha sugestão de voto em Porto Alegre
Moro em Porto Alegre porque sempre gostei da cidade. Quando eu só a visitava como amiga, antes de virar filha adotiva, me encantei pela cor vermelha da capital gaúcha.
Tem vermelho nos pôres-de-sol avistados desde a orla do Guaíba. Tem vermelho nos lenços amarrados nos pescoços, representando o orgulho de sua cultura e de sua história. Tinha vermelho na política, ousada e criativa: a participação popular, o internacionalismo, a intensa solidariedade. A defesa de ideias tão defensáveis, tão cativantes. A integridade vermelha. Essa integridade tem representantes, tem herdeiros. Eu não tenho outro sonho pra sonhar, o meu sonho se esvai pro mundo por meio do mesmo instrumento que escolhi quando comecei a militar. O PT é o guarda-chuva de tudo isso.
O JUBERLEI BACELO tem tudo a ver com a realização da minha vontade de viver em Porto Alegre. Fui jornalista do SindBancários quando ele era seu presidente. Cobri o "passeatão" que abria a greve, logo que cheguei, e me emocionei. O Juba representava tão bem a beleza daquele movimento, que suas palavras no carro de som compunham a paisagem da cidade vermelha, misturada com as bandeiras, aquelas centenas de trabalhadores na rua e aqueles que, de dentro dos prédios, acenavam e aplaudiam.
É um grande líder por isso, mas por bem mais coisas. Só um grande líder não perde a capacidade da solidariedade, de ter atenção a todos à sua volta. De se sentir um de nós e sê-lo. De ser batalhador incansável, sem medo de perder e com muita vontade de vencer.
É por ter muita confiança política e pessoal nesse companheiro, em sua trajetória e, principalmente, no seu presente, que escrevi esta cartinha para sugerir aos amigos e amigas porto-alegrenses que conheçam o JUBERLEI 13.300, que votem no JUBERLEI 13.300 e que nos ajudem a colocar na Câmara Municipal essa figura tão cheia de qualidades que dá sentido ao que vim buscar na minha cidade vermelha.
Facebook: Juberlei13300
Conheça o site da campanha aqui.
sábado, 19 de novembro de 2011
Interromper?
Há cerca de 10 dias, uma ação da SMIC (Secretaria da Indústria e Comércio da Prefeitura de Porto Alegre) fechou 22 estabelecimentos na Cidade Baixa, bairro conhecido por atrair a boemia da cidade, pessoas interessadas em música, lazer, entretenimento. Diversos(as) artistas da noite portoalegrense têm se manifestado contra a arbitrariedade do ato, em defesa da livre circulação da cultura e em busca de soluções efetivas - e não artificiais - para os problemas encontrados, ou utilizados como justificativa para a ação autoritária. Peço que leiam o texto abaixo, e os(as) que concordarem com ele, por favor, me mandem seus nomes e RGs para o e-mail alessandraemtempo@gmail.com. Queremos recolher milhares de assinaturas até o próximo domigo, e apresentá-las num abaixo-assinado à Prefeitura.
"Mandou parar a cuíca é coisa dos hómi"
http://www.youtube.com/watch?v=8xNyeborZBc&feature=fvsr
***
"A raiva dá pra parar pra interromper"
A cultura é um patrimônio público, mas, infelizmente, há poucas instituições dispostas a preservá-la, fortalecê-la e democratizá-la. Embora a exaltação da cultura popular faça parte da maioria dos discursos de propaganda política em períodos eleitorais, há muito tempo não é possível observar na conduta da Prefeitura da Porto Alegre uma real preocupação com o tema.
Apoio à cultura não significa apresentar a cidade como sede de grandes eventos, ao qual a grande maioria dos porto-alegrenses não tem acesso devido aos altos preços. Apoio à cultura significa promover o contato do conjunto da população com bens culturais, tanto quanto incentivar a produção desses bens por parte da própria população. Em nenhum desses dois eixos o poder público municipal tem apresentado ação satisfatória.
Os artistas da Música Popular Brasileira em nossa cidade encontram diversos obstáculos para realizar seu trabalho. Embora lidem com um bem de caráter essencialmente público - a cultura -, não há incentivo governamental para que produzam e circulem sua arte. Pelo contrário: cada vez são impostas mais dificuldades.
Por isso, repudiamos a ação da Prefeitura, através da Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (SMIC), que, na última quinta-feira, 10 de novembro, promoveu um verdadeiro arrastão na Cidade Baixa, tendo fechado 22 estabelecimentos. Muitos destes abrem suas portas e oferecem palco para a promoção da Música Popular Brasileira feita por artistas que nem sempre encontram outro local para apresentar seu trabalho. São casas que geram empregos e garantem espaço para os artistas trabalharem e exporem.
Entender a cultura como bem público significa cobrar que a Prefeitura cumpra seu papel de incentivadora da mesma. Os locais que têm condições de garantir as reformas e as condições necessárias para funcionamento estão localizados em áreas nobres da cidade, e, em geral, não oferecem espaço para a música popular e muito menos oferecem acesso para a maioria população da cidade.
Todos(as) queremos segurança. Mas queremos que a Prefeitura cumpra seu papel, e não que opte pela saída "fácil" e meramente propagandística de fechar estabelecimentos como solução para o problema. Essa ação é mera "maquiagem", não resolve o problema e apenas penaliza trabalhadores e artistas.
Todos(as) queremos que a tranquilidade dos moradores e moradoras seja garantida. Mas para isso, é necessário também que a Prefeitura facilite a realização de reformas nos estabelecimentos de modo a preservar seu funcionamento.
Não podemos aceitar a criminalização e a marginalização da atividade produtiva de tais estabelecimentos, fundamentais para a promoção da cultura, do turismo, do entretenimento e do lazer em nossa cidade. Portanto, exigimos a imediata liberação para funcionamento das casas que têm condições de abrir, mas cujos processos estão parados na burocracia da SMIC.
Valorizar a cultura popular numa cidade vigorosa como Porto Alegre é um grande desafio. É preciso estar à altura dele.
"Mandou parar a cuíca é coisa dos hómi"
http://www.youtube.com/watch?v=8xNyeborZBc&feature=fvsr
***
"A raiva dá pra parar pra interromper"
A cultura é um patrimônio público, mas, infelizmente, há poucas instituições dispostas a preservá-la, fortalecê-la e democratizá-la. Embora a exaltação da cultura popular faça parte da maioria dos discursos de propaganda política em períodos eleitorais, há muito tempo não é possível observar na conduta da Prefeitura da Porto Alegre uma real preocupação com o tema.
Apoio à cultura não significa apresentar a cidade como sede de grandes eventos, ao qual a grande maioria dos porto-alegrenses não tem acesso devido aos altos preços. Apoio à cultura significa promover o contato do conjunto da população com bens culturais, tanto quanto incentivar a produção desses bens por parte da própria população. Em nenhum desses dois eixos o poder público municipal tem apresentado ação satisfatória.
Os artistas da Música Popular Brasileira em nossa cidade encontram diversos obstáculos para realizar seu trabalho. Embora lidem com um bem de caráter essencialmente público - a cultura -, não há incentivo governamental para que produzam e circulem sua arte. Pelo contrário: cada vez são impostas mais dificuldades.
Por isso, repudiamos a ação da Prefeitura, através da Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (SMIC), que, na última quinta-feira, 10 de novembro, promoveu um verdadeiro arrastão na Cidade Baixa, tendo fechado 22 estabelecimentos. Muitos destes abrem suas portas e oferecem palco para a promoção da Música Popular Brasileira feita por artistas que nem sempre encontram outro local para apresentar seu trabalho. São casas que geram empregos e garantem espaço para os artistas trabalharem e exporem.
Entender a cultura como bem público significa cobrar que a Prefeitura cumpra seu papel de incentivadora da mesma. Os locais que têm condições de garantir as reformas e as condições necessárias para funcionamento estão localizados em áreas nobres da cidade, e, em geral, não oferecem espaço para a música popular e muito menos oferecem acesso para a maioria população da cidade.
Todos(as) queremos segurança. Mas queremos que a Prefeitura cumpra seu papel, e não que opte pela saída "fácil" e meramente propagandística de fechar estabelecimentos como solução para o problema. Essa ação é mera "maquiagem", não resolve o problema e apenas penaliza trabalhadores e artistas.
Todos(as) queremos que a tranquilidade dos moradores e moradoras seja garantida. Mas para isso, é necessário também que a Prefeitura facilite a realização de reformas nos estabelecimentos de modo a preservar seu funcionamento.
Não podemos aceitar a criminalização e a marginalização da atividade produtiva de tais estabelecimentos, fundamentais para a promoção da cultura, do turismo, do entretenimento e do lazer em nossa cidade. Portanto, exigimos a imediata liberação para funcionamento das casas que têm condições de abrir, mas cujos processos estão parados na burocracia da SMIC.
Valorizar a cultura popular numa cidade vigorosa como Porto Alegre é um grande desafio. É preciso estar à altura dele.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
I Conferência Livre de Jovens Mulheres
Hoje, aqui em Porto Alegre, começa a I Conferência Livre de Jovens Mulheres. Eu estou na mesa do primeiro painel, sábado de manhã, sobre "Mulher e Mídia". Abaixo, mais informações. Pra acessar o blog do evento, clique aqui.
Abaixo, a programação da conferência:
07 de Outubro de 2011
18h – Credenciamento
19h – Abertura - Composição da mesa com autoridades
19h40 – Grande Painel: “Memórias de um Passado Recente”. Panelistas: Maria Mulher; Movimento de Mulheres Camponesas; Mari Perusso - Confederação das Mulheres do Brasil e Mari Machado – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.
21h – Coquetel de Encerramento
08 de Outubro de 2011
8h30 – 1º Painel: Comunicação em Pauta: Mulher e Mídia. Palestrantes: Alessandra Terribili; Bia Barbosa; e Juliana Nunes.
10h30 – GT: Politica para Jovens Mulheres: Saúde Integral e Combate à Violência. Entidades Debatedoras: Nadine Anflor - Conselheira CDES e Delegada de Mulheres; Maíra Taborda - Secretaria de Politica para Mulheres/RS; LIGA Brasileira de Lésbicas; Clarivani - MNLM.
12h – Intervalo para almoço
13h30 – Apresentação Cultural: Dança Afro
13h45 – 2º Painel: Mulheres Jovens no Poder. Painelistas: Mariana Carlos – Vereadora de Cachoeira do Sul; Ariane Leitão – Mebro da Equipe da Casa Civil/RS; Gleidy Braga Ribeiro - Secretaria Nacional de Juventude;
15h30 – GT: Educação, Lazer e Cultura. Debatedoras: Tiely Queen – ONG Maças Podres; Alexandra Castilhos – UEE Livre; Maria Mulher.
17h30 – Encerramento.
Abaixo, a programação da conferência:
07 de Outubro de 2011
18h – Credenciamento
19h – Abertura - Composição da mesa com autoridades
19h40 – Grande Painel: “Memórias de um Passado Recente”. Panelistas: Maria Mulher; Movimento de Mulheres Camponesas; Mari Perusso - Confederação das Mulheres do Brasil e Mari Machado – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.
21h – Coquetel de Encerramento
08 de Outubro de 2011
8h30 – 1º Painel: Comunicação em Pauta: Mulher e Mídia. Palestrantes: Alessandra Terribili; Bia Barbosa; e Juliana Nunes.
10h30 – GT: Politica para Jovens Mulheres: Saúde Integral e Combate à Violência. Entidades Debatedoras: Nadine Anflor - Conselheira CDES e Delegada de Mulheres; Maíra Taborda - Secretaria de Politica para Mulheres/RS; LIGA Brasileira de Lésbicas; Clarivani - MNLM.
12h – Intervalo para almoço
13h30 – Apresentação Cultural: Dança Afro
13h45 – 2º Painel: Mulheres Jovens no Poder. Painelistas: Mariana Carlos – Vereadora de Cachoeira do Sul; Ariane Leitão – Mebro da Equipe da Casa Civil/RS; Gleidy Braga Ribeiro - Secretaria Nacional de Juventude;
15h30 – GT: Educação, Lazer e Cultura. Debatedoras: Tiely Queen – ONG Maças Podres; Alexandra Castilhos – UEE Livre; Maria Mulher.
17h30 – Encerramento.
E depois, todas (e todos) estão convidadíssimos para o Tributo a Clara Nunes, no Tapas Bar.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Rio Grande do Sul...
Alguns anos atrás, eu tinha escrito um poema que era mais ou menos assim:
Eu queria ser gaúcha
Porque de tanta coisa linda que vi no sul
As pessoas são a melhor delas
Porque sua capital é vermelha
Porque seu pôr-do-sol despretensioso e belo
Parece que se converte em notas musicais.
Mas não posso ficar longe do Rio
Ir até lá respirar de vez em quando
Só pra sentir a paz de estar abraçada pela Guanabara
Também não dá pra abrir mão do Recife
Vê-lo transbordar cultura, sabedoria
História e consciência de si
Respeitar seu próprio sotaque,
E permitir que você tire forças da Praia de Boa Viagem.
E nunca vou esquecer que foi a jovem capital federal
Que mudou a minha vida
Ao me ver em mim
E me mostrar pra mim mesma.
Recentemente passei a amar minha São Paulo.
Foi ela que me ensinou a ver esse mundareu de coisa boa.
Não lembro bem, eu meio que perdi o original. Ao tentar recompô-lo, creio que escrevi outro. Mas a ideia era essa.
Pensei nesse poema por causa do início dele, e porque hoje moro em Porto Alegre. Dia 20 de setembro é feriado no Rio Grande do Sul, data que recupera a Revolução Farroupilha. Eu não tenho lá muito apreço pelo bairrismo mítico, prefiro vê-lo na sua expressão simpática de "rir de si mesmo".
E adoro essa coisa polarizada do Rio Grande do Sul. Ou morre de calor ou passa muito frio. Ou é Inter ou é Grêmio. Esquerda ou direita. Gosto da forma como o povo de Porto Alegre habituou-se a ocupar o espaço público, entendendo como seu, mas não só seu. Sinto isso ao passear pela Redenção num domingo, pelo Gasômetro, pela zona sul. Gosto da forma como fui acolhida pelos que já me esperavam chegar, mas especialmente, pelos que nem sabiam que eu chegaria e me puseram pra dentro de suas vidas.
Ainda falta muito pra ver. Mas os pampas de Bagé, as ladeiras (lombas!) da Serra Gaúcha, o mar marrom do litoral, o charme tão peculiar das cidades na beira da Lagoa e a diversidade da vida na região metropolitana compõem um cenário tão plural que não pode ser simplificado nisso que se propagandeia como "a" tradição gaúcha. A que desfila no 20 de setembro é só uma das facetas. O Rio Grande do Sul é muito mais.
Eu não ligo quando chove, eu me aborreço muito quando faz 2ºC, eu torço pra chegar o verão, eu imagino muitas coisas que poderiam acontecer, e busco me inserir nas que acontecem. Vou à feirinha de orgânicos, adoro comer xis, acho o Beira-Rio o estádio mais bem-posicionado que eu conheço e acho que dividir um chimarrão na sala de aula é um gesto sutil de dizer ao outro que você é amigo dele. Atitudes simples que fazem brilhar um cotidiano. É isso, é tudo isso: o Rio Grande não te deixa ser indiferente. Ele é um convite a se posicionar.
Obrigada por me receberem.
Eu queria ser gaúcha
Porque de tanta coisa linda que vi no sul
As pessoas são a melhor delas
Porque sua capital é vermelha
Porque seu pôr-do-sol despretensioso e belo
Parece que se converte em notas musicais.
Mas não posso ficar longe do Rio
Ir até lá respirar de vez em quando
Só pra sentir a paz de estar abraçada pela Guanabara
Também não dá pra abrir mão do Recife
Vê-lo transbordar cultura, sabedoria
História e consciência de si
Respeitar seu próprio sotaque,
E permitir que você tire forças da Praia de Boa Viagem.
E nunca vou esquecer que foi a jovem capital federal
Que mudou a minha vida
Ao me ver em mim
E me mostrar pra mim mesma.
Recentemente passei a amar minha São Paulo.
Foi ela que me ensinou a ver esse mundareu de coisa boa.
Não lembro bem, eu meio que perdi o original. Ao tentar recompô-lo, creio que escrevi outro. Mas a ideia era essa.
Pensei nesse poema por causa do início dele, e porque hoje moro em Porto Alegre. Dia 20 de setembro é feriado no Rio Grande do Sul, data que recupera a Revolução Farroupilha. Eu não tenho lá muito apreço pelo bairrismo mítico, prefiro vê-lo na sua expressão simpática de "rir de si mesmo".
E adoro essa coisa polarizada do Rio Grande do Sul. Ou morre de calor ou passa muito frio. Ou é Inter ou é Grêmio. Esquerda ou direita. Gosto da forma como o povo de Porto Alegre habituou-se a ocupar o espaço público, entendendo como seu, mas não só seu. Sinto isso ao passear pela Redenção num domingo, pelo Gasômetro, pela zona sul. Gosto da forma como fui acolhida pelos que já me esperavam chegar, mas especialmente, pelos que nem sabiam que eu chegaria e me puseram pra dentro de suas vidas.
Ainda falta muito pra ver. Mas os pampas de Bagé, as ladeiras (lombas!) da Serra Gaúcha, o mar marrom do litoral, o charme tão peculiar das cidades na beira da Lagoa e a diversidade da vida na região metropolitana compõem um cenário tão plural que não pode ser simplificado nisso que se propagandeia como "a" tradição gaúcha. A que desfila no 20 de setembro é só uma das facetas. O Rio Grande do Sul é muito mais.
Eu não ligo quando chove, eu me aborreço muito quando faz 2ºC, eu torço pra chegar o verão, eu imagino muitas coisas que poderiam acontecer, e busco me inserir nas que acontecem. Vou à feirinha de orgânicos, adoro comer xis, acho o Beira-Rio o estádio mais bem-posicionado que eu conheço e acho que dividir um chimarrão na sala de aula é um gesto sutil de dizer ao outro que você é amigo dele. Atitudes simples que fazem brilhar um cotidiano. É isso, é tudo isso: o Rio Grande não te deixa ser indiferente. Ele é um convite a se posicionar.
Obrigada por me receberem.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
E eu pergunto com que roupa...
Um senhor chamado Nelcir Tessaro, vereador do PTB em Porto Alegre, resolveu propor à Câmara de Vereadores da cidade que defina de que forma os parlamentares devem se vestir para comparecer às sessões. Mais do que uma idéia brilhante produto de dias e até meses de reflexão, mais do que uma incomum generalidade, o vereador tem dois alvos: suas colegas Sofia Cavedon (PT) e Fernanda Melchionna (PSOL).
Ao que tudo indica, ele se incomoda que as mulheres não se vistam em trajes “formais”, em tailleur, de salto alto, vestido longo. Ele se incomoda profundamente com a pouca formalidade que percebe nas vestimentas das duas vereadoras. Ele se incomoda especialmente com camisetas que trazem dizeres políticos.
Ora, vejamos. Proibir dizeres políticos em camisetas de pessoas que são pagas exatamente pra fazer política é meio estranho. O que se espera de um parlamentar é que tenha posição e que a defenda. Que a exponha. Eu, particularmente, gosto de quem expõe sua opinião na simplicidade enfática de uma camiseta.
Porque qualquer pessoa pode usar uma camiseta para exibir o que pensa sobre algum assunto. Não é privilégio de quem detém um mandato, ou conta com microfones e holofotes para poder falar. Um parlamentar – ou no caso, UMA parlamentar – que usa esse meio para explicitar a opinião que está representando, pra mim, demonstra sua sintonia com a idéia em questão e com aqueles e aquelas que lhe delegaram o mandato.
Outra nuance da discussão é aquela clássica: o machismo que continua orientando algumas ações e discursos no parlamento. Lastimável que venha um cidadão querer definir como as mulheres devem se vestir, se comportar, falar, se expressar para serem respeitadas na política. Isso não tem outro nome, se não machismo.
Juntando as duas coisas, é como no título do artigo escrito pela vereadora Fernanda: a política não tem que ser só pra engravatados.
Acho que vou dar de presente à vereadora Sofia, de quem, felizmente, sou companheira de corrente, uma camiseta com os dizeres: “Machismo, aqui, não”. Pra ela usar na sessão da Câmara que, semana que vem, vai apreciar o projeto de Tessaro – sim, o projeto existe, este artigo não é uma pegadinha.
***
Ou nas palavras do grande Chico: “Quero perder de vez tua cabeça / Minha cabeça perder teu juízo”.
Ao que tudo indica, ele se incomoda que as mulheres não se vistam em trajes “formais”, em tailleur, de salto alto, vestido longo. Ele se incomoda profundamente com a pouca formalidade que percebe nas vestimentas das duas vereadoras. Ele se incomoda especialmente com camisetas que trazem dizeres políticos.
Ora, vejamos. Proibir dizeres políticos em camisetas de pessoas que são pagas exatamente pra fazer política é meio estranho. O que se espera de um parlamentar é que tenha posição e que a defenda. Que a exponha. Eu, particularmente, gosto de quem expõe sua opinião na simplicidade enfática de uma camiseta.
Porque qualquer pessoa pode usar uma camiseta para exibir o que pensa sobre algum assunto. Não é privilégio de quem detém um mandato, ou conta com microfones e holofotes para poder falar. Um parlamentar – ou no caso, UMA parlamentar – que usa esse meio para explicitar a opinião que está representando, pra mim, demonstra sua sintonia com a idéia em questão e com aqueles e aquelas que lhe delegaram o mandato.
Outra nuance da discussão é aquela clássica: o machismo que continua orientando algumas ações e discursos no parlamento. Lastimável que venha um cidadão querer definir como as mulheres devem se vestir, se comportar, falar, se expressar para serem respeitadas na política. Isso não tem outro nome, se não machismo.
Juntando as duas coisas, é como no título do artigo escrito pela vereadora Fernanda: a política não tem que ser só pra engravatados.
Acho que vou dar de presente à vereadora Sofia, de quem, felizmente, sou companheira de corrente, uma camiseta com os dizeres: “Machismo, aqui, não”. Pra ela usar na sessão da Câmara que, semana que vem, vai apreciar o projeto de Tessaro – sim, o projeto existe, este artigo não é uma pegadinha.
***
Ou nas palavras do grande Chico: “Quero perder de vez tua cabeça / Minha cabeça perder teu juízo”.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
De mudança
Pessoa - Alê, você vai mesmo se mudar pra Porto Alegre?
Ale - Vou.
Pessoa - Tem certeza?
Ale - Não. Mas vou mesmo assim.
Ale - Vou.
Pessoa - Tem certeza?
Ale - Não. Mas vou mesmo assim.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
A cidade que mora em mim - um poema para Porto Alegre

Eu não nasci na minha cidade
Eu a adotei.
Não há rua nela em que eu não veja
O mundo que dela mesma
eu tenho para esmiuçar
e fazer dele meu palco, cenário e figurino
para ali contar minhas histórias
(aquelas que não escrevi
porque me faltava o cenário).
Não há esquina de onde não se ouça
o soluçar da dor
de cada canto do Brasil
(embora ela se reconheça
como quem já quis chorar suas próprias dores sozinha)
As esquinas democráticas,
E pores-de-sol incomparáveis,
A vontade que ela me desperta
de saber dela sempre mais.
A claridade da cidade de olhos bem abertos
A umidade da cidade à flor da pele.
Respiram na complexidade doce
de um povo que fala cantando
e sempre tem um time.
(quase sempre tem um lado)
Porto Alegre sorri em vermelho
pelas dores
pelos cantos
pelo colorido do céu no fim da tarde
pelo adormecer do sol no Guaíba
na camisa do Inter
na luta do povo.
Eu não nasci na minha cidade
Mas ela também me adotou.
Da última vez que parti,
O sol ensolararava a minha estrada
Mas as nuvens logo choraram
assim que me viram sair.
Eu a adotei.
Não há rua nela em que eu não veja
O mundo que dela mesma
eu tenho para esmiuçar
e fazer dele meu palco, cenário e figurino
para ali contar minhas histórias
(aquelas que não escrevi
porque me faltava o cenário).
Não há esquina de onde não se ouça
o soluçar da dor
de cada canto do Brasil
(embora ela se reconheça
como quem já quis chorar suas próprias dores sozinha)
As esquinas democráticas,
E pores-de-sol incomparáveis,
A vontade que ela me desperta
de saber dela sempre mais.
A claridade da cidade de olhos bem abertos
A umidade da cidade à flor da pele.
Respiram na complexidade doce
de um povo que fala cantando
e sempre tem um time.
(quase sempre tem um lado)
Porto Alegre sorri em vermelho
pelas dores
pelos cantos
pelo colorido do céu no fim da tarde
pelo adormecer do sol no Guaíba
na camisa do Inter
na luta do povo.
Eu não nasci na minha cidade
Mas ela também me adotou.
Da última vez que parti,
O sol ensolararava a minha estrada
Mas as nuvens logo choraram
assim que me viram sair.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
A cidade que mora em mim
O MAPA
(Mário Quintana)
Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(É nem que fosse o meu corpo!)
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...

***
Porto Alegre é encantadora.
Pra quem não sabe, o Guaíba não é um rio, é um lago. Enorme. É onde o sol vai descansar depois de brilhar intensamente o dia todo. E o povo de Porto Alegre costuma ir assistir ao espetáculo que ele dá quando cai até adormecer no lago. Dá vontade de aplaudir. Como diz o texto de "Beleza Americana": quem vai se deixar levar pelos males se há tanta beleza no mundo?
A foto não é minha. Mas em breve meu olhar sobre Porto Alegre estará aqui. De muitas formas, se a inspiração permitir. Ela tem estado ao meu lado ultimamente. A incerteza é inspiradora. Mas não tanto quando a beleza que há no mundo.
(Mário Quintana)
Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(É nem que fosse o meu corpo!)
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...

***
Porto Alegre é encantadora.
Pra quem não sabe, o Guaíba não é um rio, é um lago. Enorme. É onde o sol vai descansar depois de brilhar intensamente o dia todo. E o povo de Porto Alegre costuma ir assistir ao espetáculo que ele dá quando cai até adormecer no lago. Dá vontade de aplaudir. Como diz o texto de "Beleza Americana": quem vai se deixar levar pelos males se há tanta beleza no mundo?
A foto não é minha. Mas em breve meu olhar sobre Porto Alegre estará aqui. De muitas formas, se a inspiração permitir. Ela tem estado ao meu lado ultimamente. A incerteza é inspiradora. Mas não tanto quando a beleza que há no mundo.
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