segunda-feira, 21 de junho de 2010

Dunga X Imprensa

Não sei vocês, mas a minha opinião foi de que o tal "editorial" dado por Tadeu Schmidt no Fantástico, em crítica ostensiva ao técnico Dunga, foi pedante e covarde.

A imprensa se considera o quarto poder, e de fato, a grande imprensa exerce um poder que muitos ainda não conseguiram mensurar. Reivindica sua "liberdade de imprensa" pra poder fazer o que bem quiser com quem quiser e como quiser, sem ter que arcar com a responsabilidade de seus atos, sem ter que responder por eles, sem se submeter a limite ou controle algum. No caso de rádios e TVs, ignoram e apagam da cabeça do povo que se trata de concessão pública, e portanto, eles têm sim satisfações a prestar, ainda mais.

Essa novela com o Dunga é muito enjoada. Eu não me empolgo com a seleção brasileira, não me mobilizo na torcida, morro de raiva do Galvão narrando um gol. Mas pera lá, dá vontade de torcer pro Dunga vencer só para, a la Zagallo - que não chegou a ser tão perseguido -, esses terem que engolir.

Aquele papo de jornalista magoado porque não pode cobrir treino já estava me aborrecendo há horas, como dizem no Rio Grande do Sul. Era inacreditável o número de matérias produzidas com o único objetivo de choramingar a ausência da imprensa no treino da seleção. Quando viram que não venceriam esse duelo, mudaram o tom: "Tá bom, Dunga pode determinar que o treino é fechado, mas o método foi bem ruim", cheguei a ouvir num telejornal.

Vem cá, o que importa a um leitor, ouvinte ou telespectador se a imprensa entrou no treino ou não e de que forma isso foi definido? Querem fazer disso uma pauta, ou (mais) um elemento de desagrado na opinião pública. O jornalista pode fazer bem seu trabalho sem esse acesso ilimitado. Porque, afinal, ninguém terá acesso ilimitado. Será que é por isso que alguns estão tão desapontados com Dunga??!

O quarto poder foi desafiado. Como reage? Se não se cumpre sua vontade, aí vem retaliação com os meios de que dispõe. A questão é que esses meios são públicos, em larga medida, e o bem com que lidam - a informação - também não lhes pertence. Isso é covardia. E é, no mínimo, pedante demais não aceitar limites. Ou pra Globo não vale o velho dito popular: "Quem fala o que quer, ouve o que não quer"?

4 comentários:

JeffersonBST disse...

Alessandra, gostei do seu texto sobre o caso DungaXImprensa. É sereno e ponderado como poucos, pois o que mais estou vendo nos blogs afora é pura baixaria.
Entendo o seu ponto de vista, mas imagino que por mais que uma situação nos levem à determinadas reações, existam princípios básicos que devam ser seguidos, que nesse caso específico seriam educação e bom senso.
Com certeza o Dunga tem seus motivos, mas essa má vontade com a imprensa e esse episódio com o Escobar ultrapassaram todos os limites, revelando que essa "muricite" está grave por demais.
PS. não sou fã da Globo, odeio o ufanismo do Galvão, não curto programas do Faustão, Huck e A.M.Braga.

LUCIA IRENE REALI LEMOS disse...

Ale,correta a tua avaliação.Fico imaginando o tanto que "apurrinharam" o Dunga pra ele reagir daquela forma (um tanto sarcástica na minha opinião) - claro, que não precisa muito, ele já é irritado por natureza, mas daí a Globo "fazer" um carnaval com isso já é demais pra minha jabulani...Vamos botar a boca na "vuvuzela", Bj, Lucia

RobsonLe disse...

Isso mesmo Alessandra. "Quem fala o que quer ouve o que não quer" explica muito bem este caso! Fiz um texto sobre este tema também, podem conferir no meu blog: "Clássicos da Copa: Dunga e imprensa se enfrentam novamente" em: http://robsonleite.com.br/blog/cultura-a-imprensa-na-copa-do-mundo/

Marcelo disse...

sobre a briga do Dunga com a globo, a globo se considera o quarto poder, mas, inventar o dunga como treinador, um cara arrogante que nunca foi técnico de nada, nem de time de escola, simplesmente ignorar que existem profissionais que se dedicam ao futebol, treinadores que estão por ai a anos e não tem esse reconhecimento ?
Fico com a definição do velho caudilho Leonel Brizola: "É a briga do capeta com o coisa ruim"