Um pequeno e sensível poema da minha amiga Chris, Christine Rondon, que se inspirou numa desventura minha para me presentear com palavras doces e tranquilizantes até. Em meio à reta final das eleições municipais, à grande manifestação de Madri, às tentativas de sufocar a Cidade Baixa e emudecer nosso canto, em meio ao fardo pesado do dia-a-dia... Sempre bem-vindo um belo poema. Como ele é meu - já que ganhei! -, batizei-o de "Desventura".
***
Desventura
Ninguém? Julgas que mais ninguém?
Pois te digo que há alguém, e digo-te quem:
Um certo moço, que anda por aí
Sem saber de mim, sem ser de ninguém...
Era um moço de uns trinta anos
Sem nome, aliança ou endereço
E de tanto olhá-lo mal posso dizê-lo
Em sua completa ventura
E minha desventura de não tê-lo.
Era um moço de olhos pequenos
Pele perfeita, como se nem fumasse
E de tudo era ele a própria fumaça
Que se esvaía, penetrava, meu veneno
Que atiçava e aumentava a desventura de não tê-lo.
A boca era o prenúncio da loucura
Os olhos, da perdição, pressentimento
Deixava minhas vontades todas nuas
Nesse jogo de recuos fraudulentos
... Que amalgava a desventura de não tê-lo.
Ninguém mais, julgaria eu também
Não fosse esse moço pilchado, desatento
Que não cuidou que minha pressa o precedia
No desespero de cada minuto em que rompia
A minha completa ventura de não tê-lo.
Música, feminismo, diálogos, política, futebol, crônica e poesia convivendo no mesmo espaço. E sem conflito.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Catalunha, novo Estado da Europa
Sei que, no dia de hoje, a esquerda brasileira lembra o 11 de setembro de Salvador Allende. Não por solidariedade ao povo chileno apenas, mas porque essa é a nossa história também. Certa de que me sentirei contemplada nessa memória coletiva, peço licença para falar de uma outra luta que tem lugar neste dia: o Dia Nacional da Catalunha.
Os(as) internacionalistas têm a defesa do direito de autodeterminação dos povos no seu gene. Este não é um caso diferente. A identidade catalã vem, há muito, sendo reprimida pela noção de unidade espanhola, repressão essa que não se restringe ao âmbito cultural, mas, por diversas vezes, estendeu-se às vias militares (a ditadura de Franco representou o massacre da Catalunha, por exemplo).
Hoje, os catalães celebrarão sua identidade, e seu desejo de serem um povo soberano. Minha solidariedade a eles, eu expresso da tradução do texto abaixo, de autoria do Col-lectiu Emma.
Uma manifestação diferente no Dia Nacional da Catalunha
Os(as) internacionalistas têm a defesa do direito de autodeterminação dos povos no seu gene. Este não é um caso diferente. A identidade catalã vem, há muito, sendo reprimida pela noção de unidade espanhola, repressão essa que não se restringe ao âmbito cultural, mas, por diversas vezes, estendeu-se às vias militares (a ditadura de Franco representou o massacre da Catalunha, por exemplo).
Hoje, os catalães celebrarão sua identidade, e seu desejo de serem um povo soberano. Minha solidariedade a eles, eu expresso da tradução do texto abaixo, de autoria do Col-lectiu Emma.
Uma manifestação diferente no Dia Nacional da Catalunha
Nota sobre a marcha de 11 de setembro em Barcelona
(tradução de Alessandra Terribili da versão em espanhol)
Em 10 de julho de 2010, centenas de milhares de catalães – um povo pouco dado a levantar a voz – saíram às ruas numa manifestação política realmente massiva. A causa imediata era que a Espanha acabava de formalizar sua rejeição ao Estatuto ratificado pelo Parlamento Catalão, aprovado em referendo quatro anos antes. Naquele momento, a revisão do marco legal que regulava o autogoverno foi vista pela Catalunha como uma proposta leal de acordo político dentro da estrutura do Estado. Contudo, em 2010, muitos já davam como impossível esse acordo, e por mais que, oficialmente, não se tratasse de uma manifestação pela independência, esse foi, precisamente, o grito que mais se escutou nas ruas de Barcelona naquele dia.
Dois anos depois, quando os catalães se preparam para celebrar seu Dia Nacional em 11 de setembro, as coisas não melhoraram, em absoluto, e não só pela situação deplorável da economia. É certo que as medidas que o governo espanhol tomou para gerir a crise financeira levaram à defesa da independência muitos que ainda tinham dúvidas, mas o descontentamento catalão é mais profundo. À asfixia a que conduz a atuação espanhola nos âmbitos econômico e político, soma-se um recrudescimento dos ataques contra todos os componentes da identidade nacional catalã. Isso faz imprescindível – e urgente – que os catalães assumam o controle de seu próprio futuro.
Este ano, a manifestação de 11 de setembro terá um lema bem claro: “Catalunha, novo Estado da Europa”. Os participantes cruzarão a cidade até chegar ao Parlamento, onde uma delegação será recebida por sua presidenta. Embora se trate essencialmente de uma iniciativa da sociedade civil, diversos grupos políticos apoiam a manifestação. Alguns líderes e representantes políticos virão a ela com seus partidos, entre eles, o CDC [Convergència Democràtica de Catalunya], um partido moderado de centro-direita que é sócio majoritário da coalizão que governa o país. Muitos outros irão como cidadãos privados, a despeito das ressalvas que suas organizações expressaram. O presidente Artur Mas [presidente da Generalitat, ou seja, do Governo da Catalunha] anunciou que não assistirá, mas o mero fato de haver considerado essa possibilidade – ou alguma outra forma de manifestar seu apoio – é uma demonstração do caminho que a ideia da independência percorreu em poucos anos. Efetivamente, as pesquisas indicam que, se hoje houvesse um referendo sobre a separação da Espanha, essa seria a opção de mais da metade dos votantes, enquanto somente um quinto deles seria contra.
Cada vez mais catalães tomam consciência do dano irreversível que a Espanha está cometendo contra sua economia e sua população, e muitos já não creem que se possa chegar a um acordo com o Estado. Assim, nesta ocasião, não sairão às ruas para reclamar um tratamento justo por parte do governo central, nem para protestar por sua última negativa ou falar da questão; na realidade, o governo espanhol não tem papel algum nesse ato. Em 11 de setembro de 2012, os catalães exigirão diretamente de seus líderes que iniciem o caminho à plena soberania.
***
Que um lindo sol vermelho brilhe hoje no céu de Barcelona.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Eu sei que vou
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua
A cada não olhar
A cada despedida, eu vou chorar
Ao contemplar a lua, eu vou lembrar
As não esquinas
As idas e vindas
A minha sina
E cada volta tua
Não há de apagar
Nem remediar,
Anestesiar
Qualquer dor ou soluço
O controle do impulso
O não ficar
Eu sei que vou
Porque sempre fui
Porque sempre estou
Nos versos não escritos
Na pressa do infinito
Nas ondas de calor
Na não chuva
No não amor
No nunca fim
No sempre assim
Eu sempre sou
Porque essa espera
Já se misturou no sangue
É parte de mim
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Lista de Presentes
Eu queria um dia de sol, já ganhei.
Eu queria cantar, vou cantar. Estar bem acompanhada, estarei.
Quero música, sorrisos, risadas, cerveja gelada, amigos e esperança. Não preciso de mais do que isso.
Quero que o Barça dê show, que o São Paulo me encante, quero continuar tendo ideias loucas, quero abrir caminhos, quero oxigênio, ar, quero criar, quero deixar fluir. Quero a força do mar de Iemanjá, com a generosidade e a profundidade junto.
Quero ajudar a eleger o Juba e o Villa, porque acredito nesse projeto, porque sempre admirei Porto Alegre pelos tons de vermelho que são parte intrínseca dela - e ninguém lhe rouba. Quero porque tenho esperança - e ninguém me rouba.
Quero comemorar em São Paulo e em Brasília, e vou. Quero buscar pedaços do meu coração em Fortaleza, Rio de Janeiro, Salvador, Barcelona, em tanto lugar, em todo o mundo. Eu vou.
Quero merecer tudo isso.
E como na música do Zeca Baleiro, "se é assim, quero sim, acho que vim pra lhes ver". Quero a companhia dos amigos e amigas portoalegrenses nesta noite, lá no Comitê. E aí, parafraseando, agora, Victor Hugo, "não terei mais nada a desejar". Beijos, meus queridos e minhas queridas. Agradeço pelas mensagens de carinho.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Prostituição: Por um debate livre da moral machista
Texto meu de um tempão atrás, alguns aninhos. Infelizmente, não perdeu a atualidade. Agora, é Jean Willis (PSOL-RJ) a querer recuperar essa ideia de que a prostituição é eternamente uma saída para as mulheres. Uma lástima.
Acontece que, infelizmente, a igualdade ainda não existe, e é a busca dela que movimenta o feminismo. As relações entre homens e mulheres são relações de poder. Para desenvolver qualquer análise e qualquer luta da esquerda, é preciso partir daí: a necessidade de construir igualdade entre homens e mulheres como um pressuposto da luta socialista.
É sob esse prisma que queremos apreciar o projeto de lei 98/2003, de autoria do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que legaliza a prostituição no Brasil, e que conta com a simpatia de alguns parlamentares petistas. Para nós, mulheres petistas, o que importa é construir um debate político numa perspectiva feminista, para que tenhamos um posicionamento claro de enfrentamento ao machismo e à opressão, na sua totalidade.
O absurdo projeto
Ao contrário do que o discurso pseudo-libertá rio que justifica a apresentação do projeto quer afirmar a proposta contida nele é altamente conservadora. Ao fim e ao cabo, trata-se de permitir que se explore e se abuse de mulheres dentro de algumas condições. Trata-se de regulamentar que mulheres permaneçam na condição de objeto ou coisa a ser possuída, sem o direito elementar de dispor de seu próprio corpo. Os supostos defensores da superação da hipocrisia acabam sendo, na realidade, porta-vozes da exploração e da rendição à opressão sexual.
O conteúdo do projeto de lei não lida com direitos das pessoas prostituídas, e sim, regulamenta o comércio e libera os negócios dos empresários do sexo, já que retira do Código Penal os artigos que criminalizam os agenciadores. E alguém aqui acha que prostituição é profissão livre e autônoma, como qualquer trabalhador ou trabalhadora do setor de serviços? Ou conhecemos a realidade de que, quase sempre, trata-se de mulheres exploradas por um “cafetão”, ou em situações mais drásticas, mulheres que se prostituem por um prato de comida ou por um real na beira das estradas ou em cinemas pornô do centro de São Paulo. Sem falar em pais que prostituem as filhas. É preciso encarar a realidade de que a maioria das prostitutas não tem nenhuma autonomia sobre seu “serviço” ou sobre sua sexualidade, e muitas delas são vítimas freqüentes de violência.
E ainda há o tráfico de mulheres, situação favorecida pelo projeto em questão. Milhares de mulheres migram do hemisfério sul para se prostituírem no hemisfério norte. Os países mais pobres “exportam” mulheres para o primeiro mundo, reservando-lhes uma vida de escravização que, na grande maioria das vezes, elas não se propunham a levar. O tráfico de mulheres é organizado nacional e internacionalmente. São organizações criminosas, e quem lucra com isso são homens que exploram mulheres.
Tentar diferenciar “prostituição livre” de “prostituição forçada” é um absurdo do tamanho da violência que essa situação representa. É falso pintar de libertário o discurso de defesa da regulamentação da prostituição. Estamos falando da manifestação mais extrema das relações de poder entre os sexos, e o problema disso não é meramente “a marginalização da atividade”, inclusive porque o projeto prevê, centralmente, a descriminalizaçã o das condutas de favorecer a prostituição. E como regulamentar isso? Facilitar a reposição da mercadoria? Estabelecer tabela de preços?
Somos mulheres, não mercadoria
Na década de 80, organismos internacionais estimularam e impulsionaram a criação de organizações de prostitutas, por conta da necessidade de massificar a prevenção da Aids, doença à qual essas mulheres são mais expostas. Algumas dessas organizações tiveram grande importância para a defesa dos direitos humanos e da saúde das prostitutas. Isso não significa que a prostituição seja uma alternativa de profissão para as mulheres (como sempre, as mais pobres), ou que seja positivo regulamentar uma relação de opressão e violência em carreira ou projeto de vida.
Em vez de assumir um discurso de moral machista e conservadora como o acima descrito, em vez de buscar instrumentos para legitimar uma situação de dominação e subordinação extrema de mulheres, que têm seus corpos e suas vidas alienados como em nenhuma outra situação, em vez de facilitar a vida daqueles que exploram mulheres, que as levam de seus países de origem para levar uma vida de violência longe de casa, em vez de tudo isso, há que se construírem alternativas para as mulheres. As políticas de emprego na cidade e no campo precisam ter um enfoque de gênero. As políticas de educação, de saúde, de habitação, não podem ignorar que homens e mulheres são tratados de forma desigual nesta nossa sociedade.
O feminismo sempre defendeu o livre exercício da sexualidade, a autonomia do desejo, o direito ao próprio corpo, a legalização do aborto. E isso nada tem a ver com a apropriação e circulação mercantil dos corpos das mulheres. Quem afirma o contrário, como se a prostituição fosse uma “fatalidade”, um “ato espontâneo”, ignora que nossa sociedade é marcada pelo machismo, pela opressão e pela exploração econômica. Não é possível descolar práticas sexuais das relações sociais nas quais estão inseridas. Prostituição é quando a desigualdade e a opressão apresentam sua carga erótica. Isso deve ser combatido, não estimulado.
Prostituição: Por um debate livre da moral machista
Nós, feministas do PT, cansamos de ouvir argumentos conservadores (para dizer o mínimo) para tentar justificar ou atenuar o machismo presente em nosso cotidiano ainda hoje – inclusive no cotidiano militante. Um discurso tão falacioso quanto comum é o que afirma que as mulheres já conquistaram seu espaço, que já há igualdade e que o machismo é coisa do passado. Como se mesmo entre nós não houvesse expressões clássicas do machismo que permeia as relações sociais desiguais entre homens e mulheres.
Acontece que, infelizmente, a igualdade ainda não existe, e é a busca dela que movimenta o feminismo. As relações entre homens e mulheres são relações de poder. Para desenvolver qualquer análise e qualquer luta da esquerda, é preciso partir daí: a necessidade de construir igualdade entre homens e mulheres como um pressuposto da luta socialista.É sob esse prisma que queremos apreciar o projeto de lei 98/2003, de autoria do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que legaliza a prostituição no Brasil, e que conta com a simpatia de alguns parlamentares petistas. Para nós, mulheres petistas, o que importa é construir um debate político numa perspectiva feminista, para que tenhamos um posicionamento claro de enfrentamento ao machismo e à opressão, na sua totalidade.
O absurdo projeto
Ao contrário do que o discurso pseudo-libertá rio que justifica a apresentação do projeto quer afirmar a proposta contida nele é altamente conservadora. Ao fim e ao cabo, trata-se de permitir que se explore e se abuse de mulheres dentro de algumas condições. Trata-se de regulamentar que mulheres permaneçam na condição de objeto ou coisa a ser possuída, sem o direito elementar de dispor de seu próprio corpo. Os supostos defensores da superação da hipocrisia acabam sendo, na realidade, porta-vozes da exploração e da rendição à opressão sexual.
O conteúdo do projeto de lei não lida com direitos das pessoas prostituídas, e sim, regulamenta o comércio e libera os negócios dos empresários do sexo, já que retira do Código Penal os artigos que criminalizam os agenciadores. E alguém aqui acha que prostituição é profissão livre e autônoma, como qualquer trabalhador ou trabalhadora do setor de serviços? Ou conhecemos a realidade de que, quase sempre, trata-se de mulheres exploradas por um “cafetão”, ou em situações mais drásticas, mulheres que se prostituem por um prato de comida ou por um real na beira das estradas ou em cinemas pornô do centro de São Paulo. Sem falar em pais que prostituem as filhas. É preciso encarar a realidade de que a maioria das prostitutas não tem nenhuma autonomia sobre seu “serviço” ou sobre sua sexualidade, e muitas delas são vítimas freqüentes de violência.
E ainda há o tráfico de mulheres, situação favorecida pelo projeto em questão. Milhares de mulheres migram do hemisfério sul para se prostituírem no hemisfério norte. Os países mais pobres “exportam” mulheres para o primeiro mundo, reservando-lhes uma vida de escravização que, na grande maioria das vezes, elas não se propunham a levar. O tráfico de mulheres é organizado nacional e internacionalmente. São organizações criminosas, e quem lucra com isso são homens que exploram mulheres.
Tentar diferenciar “prostituição livre” de “prostituição forçada” é um absurdo do tamanho da violência que essa situação representa. É falso pintar de libertário o discurso de defesa da regulamentação da prostituição. Estamos falando da manifestação mais extrema das relações de poder entre os sexos, e o problema disso não é meramente “a marginalização da atividade”, inclusive porque o projeto prevê, centralmente, a descriminalizaçã o das condutas de favorecer a prostituição. E como regulamentar isso? Facilitar a reposição da mercadoria? Estabelecer tabela de preços?
Somos mulheres, não mercadoria
Na década de 80, organismos internacionais estimularam e impulsionaram a criação de organizações de prostitutas, por conta da necessidade de massificar a prevenção da Aids, doença à qual essas mulheres são mais expostas. Algumas dessas organizações tiveram grande importância para a defesa dos direitos humanos e da saúde das prostitutas. Isso não significa que a prostituição seja uma alternativa de profissão para as mulheres (como sempre, as mais pobres), ou que seja positivo regulamentar uma relação de opressão e violência em carreira ou projeto de vida.
Em vez de assumir um discurso de moral machista e conservadora como o acima descrito, em vez de buscar instrumentos para legitimar uma situação de dominação e subordinação extrema de mulheres, que têm seus corpos e suas vidas alienados como em nenhuma outra situação, em vez de facilitar a vida daqueles que exploram mulheres, que as levam de seus países de origem para levar uma vida de violência longe de casa, em vez de tudo isso, há que se construírem alternativas para as mulheres. As políticas de emprego na cidade e no campo precisam ter um enfoque de gênero. As políticas de educação, de saúde, de habitação, não podem ignorar que homens e mulheres são tratados de forma desigual nesta nossa sociedade.
O feminismo sempre defendeu o livre exercício da sexualidade, a autonomia do desejo, o direito ao próprio corpo, a legalização do aborto. E isso nada tem a ver com a apropriação e circulação mercantil dos corpos das mulheres. Quem afirma o contrário, como se a prostituição fosse uma “fatalidade”, um “ato espontâneo”, ignora que nossa sociedade é marcada pelo machismo, pela opressão e pela exploração econômica. Não é possível descolar práticas sexuais das relações sociais nas quais estão inseridas. Prostituição é quando a desigualdade e a opressão apresentam sua carga erótica. Isso deve ser combatido, não estimulado.
terça-feira, 3 de julho de 2012
Um bom dia
Mau humor. Incômodo, dor de alma. Sensação de impotência, ninguém entende, ninguém vai junto. Puta mundo injusto. As pessoas são grosseiras, ninguém se respeita, todo mundo só quer o seu. Está frio lá fora, a Holanda tá eliminada da Eurocopa, o Maluf tá na aliança. A Cidade Baixa está agonizando, a Grécia elegeu a direita, os militares mandam no Egito. Você não sabe bem o que quer, e isso dá um nó nas veias e um assalto no coração. Você sabe bem o que não quer, e isso te embrulha o estômago. E as pessoas, meu Deus... As pessoas.
Vontade de dar uma desaparecida. Do planeta. Assim: "ó, mundo, vou lá e já volto, tá?".
Ai, preciso de um abraço. Pode ser virtual? Pode sim.
Ih, nem tinha reparado que dessas nuvens escuras chovem florezinhas coloridas.
***
Postado no Face há alguns dias... Achei que merecia vir pro blog.
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