quinta-feira, 8 de março de 2012

"Não temo quebrantos, porque eu sou guerreira..."

Da mesma forma que não há um só grande amor na vida de alguém ("o" amor da vida), também não há um só lugar no mundo pra cada pessoa. Atualmente, sinto absolutamente que encontrei meu lugar no mundo. A música e Porto Alegre vieram dar um sentido diferente à minha vida a ponto de transformar muita coisa em mim. Isso não quer dizer que eu sempre andei por aí perdida, sem encontrar meu lugar. Pelo contrário. Tenho a sorte de pertencer a vários "lugares". Isso é muito confortante.

Mas se tem uma coisa que dá sentido a todos os meus lugares e todas as minhas paixões é o feminismo. Este post é para dividir com vocês uma alegria imensa que terei neste 8 de março.


Há exatos dois anos e nesta exata Porto Alegre, peguei meu MTB (registro de jornalista) depois de sofrer implacável perseguição daqueles que deveriam defender os trabalhadores: o sindicato da categoria. Perdoem-me o bom português, mas estou me lixando para o corporativismo deles. Sou jornalista e, como escrevi na ocasião, meu MTB, mesmo antes de existir formalmente, sempre esteve a serviço da luta das mulheres por liberdade e igualdade. É um instrumento de que disponho para contribuir, para ser mais uma em marcha.

Hoje, vou subir ao palco do 512 - rua João Alfredo, 512, Cidade Baixa, Porto Alegre - para marcar o Dia Internacional da Mulher, esse dia tão importante, tão repleto de significados, que traz em si o brilho de cada luta e conquista das mulheres, homenageando as mulheres do samba.



Como Beth Carvalho declarou recentemente, é claro que o samba é machista. Pois se o mundo é, como o samba haveria de não ser? Mas as coisas só mudam na luta das mulheres. Embora ainda haja muito o que mudar, se hoje a realidade é diferente de 50 anos atrás, isso se deve somente às mulheres que resistiram, que não aceitaram passivamente o papel da submissão, que ousaram desnaturalizar a opressão e reagir. Muitas morreram, muitas sofreram represálias de todos os tipos. E mesmo quem abre a boca estúpida para dizer "não sou feminista, sou feminina", deve muito a todas essas que lutaram sem medo. Neste 8 de março, essas aí deviam ajoelhar e reverenciar.

Eu farei isso. Com a sorte de ter ao meu lado pessoas que acreditam na mesma coisa, poderei saudar as mulheres do mundo, as guerreiras de todos os lugares, por meio das mulheres do samba. Que enfrentaram mundos e fundos para fazer valer sua vontade e pôr sua voz no mundo. Que superaram obstáculos ferozes para triunfar. Que experimentaram a desigualdade em sua trajetória, e foram em frente com autenticidade, sem se render a padrões perversos que só aprofundam as injustiças. Que entenderam que sua voz e sua música podem sim contribuir pra mudar o mundo, e a vida de tantas outras que vieram depois, e não precisaram esconder seu nome feminino para assinar uma composição, como D. Ivone Lara teve de fazer.

Peço a benção a Clara Nunes, mineira guerreira, primeira mulher a estourar em venda de discos no Brasil. Mulher como tantas mulheres do nosso país, de origem pobre, trabalhadora desde criança, matando um leão por dia. Destemida, correu atrás de um sonho, passando por cima de caras feias, esteriótipos e preconceitos. Resgatou a diversidade da cultura brasileira, chamou a África para a nossa música, cantou a vida das pessoas. Para quem acha que o povo só se identifica com "ai se eu te pego" e afins, Clara é uma prova viva de que o povo não é bobo coisa nenhuma. Mesmo que a mídia tente forçá-lo a ser, engolindo enlatados descartáveis e enriquecendo mentes vazias todos os anos, a cada verão.


Quem puder ir ao 512 hoje, vai encontrar uma banda que se encontrou exatamente na batalha diária por encontrar seu lugar, e não fugiu do desafio de fazer diferente. Vai encontrar uma cantora feliz da vida, cantando como que estivesse orando. A elas, a todas elas. E especialmente, ao que virá. Mulher tem mais é que carregar bandeira, porque - a história mostra - o mundo depende de que a gente se movimente. Salve o 8 de março! Saravá!

Alcione canta "Maria da Penha".

Clara, a mineira guerreira, grande inspiração.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Violência de "gênero" é o escambau

Para combater a violência contra as mulheres, é preciso tratá-la como elemento da vida real, e mostrar que o agressor é um homem e a agredida é uma mulher.


Nestes dias, o Brasil acompanha o julgamento do assassino de Eloá Pimentel, uma menina de 15 anos morta pelo ex-namorado. O motivo: ela rompeu com ele. Inconformado, e valendo-se do machismo que não aceita que as mulheres tenham as rédeas da própria vida, o rapaz sequestrou a moça e a manteve em cárcere privado por dias. Ao final, ela foi assassinada em rede nacional.

A atuação desastrosa da polícia paulista no caso é memorável. Basta lembrar que mandou de volta ao cativeiro uma vítima que havia sido libertada pelo sequestrador, a menina Naiara, que, ao final, teve como saldo a perda da melhor amiga e um tiro no rosto. Eloá pagou com a vida. Foi atingida por dois tiros que o sequestrador disparou quando a polícia invadiu o local.

Outra característica daquela situação foi a cobertura em tempo real. Enquanto Eloá e Naiara estavam sob a mira do revólver de Lindenberg, também estavam sob os holofotes da mídia. É certo que a cobertura jornalística deve haver. Para informação da população, para divulgação dos casos e para oferecer um olhar atento que intimide o criminoso. Mas o que se viu ali foi uma cobertura que, de tão sensacionalista, quase chegou a confundir vida real e ficção.

É importante que duas coisas fiquem claras. Uma, a violência contra a mulher não é ficção, não é tragédia de teatro e não acontece só com mulheres bem distantes da vida real. Casos como o de Eloá acontecem o tempo todo. Quem não se lembra da morte da cabelereira Maria Islaine, registrada pelas câmeras de segurança que ela mesma instalou para defender-se do ex-marido? Ou não percebe as incontáveis histórias de mulheres mantidas em cárcere privado por ex-maridos ou ex-namorados? Por que isso acontece? Os homens têm uma tendência "natural" à violência e as mulheres têm predisposição para ser vítima?

Desde sempre essas histórias acontecem (recuperei essa ideia em texto sobre o caso Elisa Samudio). O machismo é uma coisa integral que se manifesta em esferas diversas: na desigualdade salarial, em expressões culturais que subordinam as mulheres, nos atos de violência sexista, em ditas "tradições" que aprisionam as mulheres à vida doméstica de modo a cumprir dupla jornada e realizar gratuitamente uma massa de trabalho infinita. Isso tudo é uma coisa só, cada esfera retroalimenta a outra e assim vai. Combater o machismo é ter um olhar integral e integrado sobre tudo isso.

É por isso que não toleramos as famosas "brincadeirinhas" machistas, sem nos importar em sermos classificadas como "sem senso de humor". É por isso que repudiamos a mercantilização dos corpos das mulheres. É por isso que não aceitamos que homens que lutam dentro de partidos de esquerda e de movimentos sociais reproduzam, no âmbito privado, relações de dominação sobre as mulheres.

E, fundamentalmente, é por isso que não dá pra falar em "violência de gênero" e expressões derivadas. A violência é contra a mulher. Invisibilizar o alvo da violência é não contribuir para o seu enfrentamento. É preciso que se diga quem é a vítima e quem é o agressor. Gênero é categoria de análise, gênero não é sujeito de nada. Quem está exposta à violência são as mulheres, assim como quem se organiza para enfrentá-la são as mulheres.

O caminho para não permitir que haja mais moças de 15 anos que têm a vida interrompida nas mãos de um ex-namorado, mais mulheres e senhoras vítimas de violência doméstica, de cárcere privado, de assassinato, é entender que essa violência é cometida por homens sobre mulheres. É importante ter políticas para a prevenção e o enfrentamento. É importante que as pessoas entendam que é inaceitável, intolerável. É importante desnaturalizar as bases culturais dessa opressão. É importante desconstruir a base material da desigualdade. E pra tudo isso acontecer, uma coisa bem simples precede: é preciso deixar explícito que a violência é produto do machismo - aquele de todo dia, que não é nenhum espetáculo de TV. Chamar de "violência de gênero" significa andar dez passos para trás nessa caminhada.

domingo, 22 de janeiro de 2012

A Fonte das Mulheres

Acho que a melhor decisão que tomei desde que o ano começou foi entrar no cinema nesta tarde de domingo para ver A Fonte das Mulheres. Isso não desmerece as demais decisões de 2012. É que o filme é realmente muito bom.



Eu não tinha ouvido falar dele, mas, como vocês devem supor, o nome me chamou a atenção. Em tempos de pós "Primavera (?) Árabe", o filme ganha ainda mais atualidade. A história se passa numa pequena comunidade islâmica, situada em local desértico entre o norte africano e o oriente médio. Sob um olhar superficial, as mulheres se rebelam contra os homens, porque cabe a elas o trabalho pesado de ir buscar água para abastecer a vila, sem nenhuma ajuda de seus maridos, pais e irmãos.

Entretanto, o enredo se apropria dessa "limitada" questão para lançar luz sobre muito mais. A protagonista da história, a jovem Leila, é das raras mulheres que sabem ler e escrever. Ao lado da experiente Velho Fuzil, as duas questionam a interpretação que se faz do Alcorão, alegando que Alah espera que homens e mulheres sejam iguais. Denunciam que as mulheres realizam todo o trabalho, enquanto os homens somente as exploram. Mobilizam as demais e se organizam para enfrentar a situação por meio de uma greve de sexo, que atinge enorme repercussão. Muitas mulheres acabam estupradas pelos maridos, sofrem violência, inclusive diante dos filhos, sem ter a quem recorrer. Em meio a tudo isso, a omissão da Igreja e a corrupção das autoridades.

Leila é perseguida pela sogra, que demonstra discriminá-la pelo fato de ser estrangeira. Ao mesmo tempo, o marido, professor, dos mais intelectualizados da aldeia, procura apoiar sua luta, mas recua muitas vezes. Teme que as mulheres queiram ir além de conquistar ajuda no ato de ir buscar água.

Num diálogo entre homens, que se reúnem para encontrar solução para o impasse, alguém se lembra que a tarefa, executada pelas mulheres, deveria ser garantida pelo Estado. Porém, pouco ou nada fazem para fortalecer a luta feminina - que, a princípio, buscara a divisão da tarefa com os homens. Os mais conservadores sugerem explicitamente que elas sejam controladas por meio de violência. Porém, destemidas, elas seguem com sua luta, utilizando de todos os poucos artíficios de que dispõem.

Engana-se quem assiste ao filme com desprendimento científico. Ali, fala-se sobre um local perdido entre o norte da Árica e o Oriente Médio, e sobre a religião dos muçulmanos. Entretanto, respeitadas as proporções, aquela é a realidade de todas as mulheres do mundo. A divisão sexual do trabalho, que responsabiliza exclusivamente as mulheres pelo trabalho doméstico e de cuidados, continua escravizando milhões delas em todo o mundo, seguidoras de todas as religiões. A violência é um meio de controlá-las em toda a parte. O estupro dentro do casamento é uma cruel realidade global. A organização das mulheres no feminismo continua sendo combatida por muitos, por meio da desqualificação política e da truculência. A liberdade ainda não é uma realidade, e a luta feminista continua necessária.

As falas e as músicas cantadas por Leila e Velho Fuzil são, muitas vezes, emocionantes. Não porque rebuscadas ou carregadas de metáforas, pelo contrário: exatamente porque falam de coisas concretas de forma literal, com inteligência e coragem.

Um belo filme, uma boa história, uma importante lição: as mulheres não vão aguentar caladas a opressão que sofrem.





LE SOURCE DES FEMMES 
Diretor: Radu Mihaileanu
Elenco: Leïla Bekhti, Hafsia Herzi, Biyouna, Sabrina Ouazani
Duração: 135 min
Ano: 2011

Em Porto Alegre, o filme está em cartaz no Unibanco Arteplex
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Todas Elas - samba é substantivo feminino

Mais um sambinha... a parceira Bibiana Petek, da Feira de Mangaio, está colocando a música... Em breve vocês ouvirão. Espero que gostem desta também.


TODAS ELAS

Eu não peço licença
Pra entrar
O lugar é meu também
É aqui que eu vou ficar

Sou maior do que pensa
Vim lutar
Sou visível, sou alguém
O mundo todo é o meu lar

Você pode me tirar
Pra dançar
Mas se eu quiser
Canto, toco, organizo
Faço chover granizo
Se convier

Dançar conforme a música
Andar na linha de corte
Não preciso só de sorte
Não preciso ser a única

Eu sou muitas, sou todas elas
E pra elas vou cantar
Salve Chiquinha, Leci, Clementina
Maria Rita e Jovelina
Vou chegando pra ficar

Eu não peço licença
Pra entrar
O lugar é meu também
É aqui que eu vou ficar

Minha alegria imensa
Não acaba
Irreverência de quem
Conquista a sua vaga

Você pode me tirar
Pra dançar
Mas sou capaz
De escrever letra e melodia
Pra descrever a ferida
Que você traz

Dançar conforme a música
Desde os tempos mais antigos
Eu sei que Clara está comigo
Eu sei que não sou a única

Eu sou muitas, sou todas elas
E pra elas vou cantar
Salve Beth, Elis, dona Ivone
Mariene, Teresa, Alcione
Sou valente como o mar

Salve todas as que não couberam nesta humilde canção, mas que todas trazemos no coração! É a nossa história, a memória, é a senhora do tempo, de todo povo brasileiro, da cultura, da desenvoltura, da vida dura, das grandes figuras... Salve Clara Guerreira pela inspiração, salve toda mulher do samba, salve toda mulher do mundo, salve quem quer um futuro de igualdade pra todos nós! Saravá!

E ninguém vai nos calar.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Uma luz que chegou de repente

Entre as tantas coisas maravilhosas que 2011 me deu, uma delas foi essa nova relação com a música. Porque eu sempre fui de samba, sempre cantei de brincadeira por aí. Mas Porto Alegre deixou eu imaginar mais, e imaginando é que você desafia o que está pré-estabelecido. É por isso que eu não acredito em destino. Porque eu gosto muito de imaginar.

Lamento-me todos os dias por não ter podido ver e ouvir Clara Nunes pessoalmente. Uma fatalidade terrível levou-a em 1983, quando eu tinha apenas 4 anos e ainda não sabia sambar. Ainda não havia para mim João Nogueira, Noel, Clementina, Adoniran. Mas alguma coisa acontece no meu coração desde que conheci a Clara nos discos.

A história toda de brincar de cantar aconteceu porque eu sempre pedia, a todas as rodas de samba que conhecia em São Paulo, para que tocassem "Conto de Areia". Nem sempre sabiam a letra. Aprendi a cantar para fazer a música constar do repertório de todo mundo. Em Brasília, com amigos, cantava Clara e João Nogueira - que eram, aliás, muito amigos. Um dia me ocorreu a ideia de que devia, já em Porto Alegre, promover uma homenagem a essa mulher que é uma grande inspiração pra mim e pra tanta gente. Vamos fazer um Tributo a Clara Nunes no mês de seu aniversário, propus ao querido Beto, do Comitê Latinoamericano. Bora. Ele topou.

Não era pra repetir, não era pra ter ideias a partir disso, não era pra se envolver. Era pra ter sido um episódio. Não foi. Tenho sorte de ter encontrado pessoas mára que também se sentem assim quanto ao samba, à música, à batucada. Tenho sorte de não ter me sentido tão ferida quando um ou outro(a) deixaram em entrelinhas o quanto é incômodo lidar com algo que está despertando. Claro, é muito mais fácil entrar no bonde andando. O bonde em que eu entrei mal saíra da estação e estava começando a trilhar seu caminho, um pouco inseguro, rumo a um destino incerto. E daí a incerteza do destino? O improviso é a alma do samba.

Aqui estou. Não para agradar a quem só gosta de coisa arrumada, mas vou tomando as providências cabíveis pra fazer isso bem... É porque não quero que a Clara se sinta constrangida por uma performance medíocre dia desses. Por outro lado, sei também que não precisa ter pressa, que as coisas se ajeitam, que o bonde encontra o rumo quando você encontrar. Eu sei que o samba é democrático, que cabe quem quiser sambar. Eu sei que o samba não é quadrado, "que não se ensina na escola". Ainda bem que, no caminho, aparece quem queira te ajudar, contribuir pra uma coisa que não é sua vontade egoísta, mas sim, um processo cultural envolvente. Ainda bem que nem todo mundo se incomoda com o despertar. Eu me apavoro é com a ideia de continuar adormecida.

Com isso, deixo um beijo em quem se identifica com o que está escrito aí acima. A quem apareceu na minha vida para ajudar a fortalecer isso. Inclusive, e talvez, principalmente, os amigos e amigas que foram assistir às apresentações, que gostaram da ideia, que apoiaram, que deram opiniões e que dançaram com a Feira de Mangaio. Foi inspirada por tudo isso aí que eu disse, que escrevi os versos do post anterior. Na certeza absoluta de que ninguém faz samba só por que prefere. E pedindo, todos os dias, a bênção de Clara Nunes. Saravá!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Curto Pavio - o enredo do meu samba

Aí está, pessoal... A letra do meu primeiro samba, para a qual meu camarada Aquiles está compondo a música... Quero saber as opiniões!
Curto Pavio

Acorde,
Venha ouvir estes poucos acordes
Pra dizer que na vida e no samba
Não é tudo agora
Tudo tem sua hora
Futuro não morde

É cantando que eu vou te mostrar
Quem é mesmo de samba não foge
Nem de improviso
Nem de um aviso
Pisar devagar

Quem tem medo de se perder
É quem nunca vai se encontrar

Quem me conhece é que sabe, sou curto pavio
Eu que não fujo da dor, e nem de desvario
Não é dia nublado que vai me apavorar

Não fujo de ondas no mar, nem de curvas no rio
Não temo corte, má sorte, a noite ou o frio
Invento o dia de sol e começo a cantar

Vem ver,
Que o céu clareou, não vai chover
O povo ainda está sambando
Sem qualquer limite
Sem qualquer convite
E assim tem que ser

Acorde logo pra vir olhar
O samba é a majestade descalça
Vem sem permissão
Pisa em qualquer chão
De qualquer lugar

Eu nunca temi me perder
No samba eu vim me encontrar

Quem me conhece é que sabe, sou curto pavio
Eu que não fujo da dor, e nem de desvario
Não é dia nublado que vai me apavorar

Não fujo de ondas no mar, nem de curvas no rio
Não temo corte, má sorte, a noite ou o frio
Invento o dia de sol e começo a cantar