terça-feira, 11 de março de 2014

De tudo o que não tem que ser

Entre as leis e os lírios,
Em meio a traumas e vícios,
Nasceram os dois, como um
Nas sombras do desconhecido,
Na luz de um barco inimigo,
A tempo do tempo perdido.

E jogaram-se ingênuos
A buscar pelo mundo
De uma só vez
A pressa e a perfeição.

Castigados pelos deuses
Por somente temerem
O que há de humano,
Partiram-se.
E ao perceberem-se opostos,
Fugiram
Para o conforto
Da própria contradição.

sábado, 25 de janeiro de 2014

São São Paulo, meu amor...

A borboleta e o avião

Jardim América, Jardim Ângela, Jardim Japão

A Ponte Estaiada e o Minhocão

Um quadro no MASP
Um grafite na Amaral Gurgel

O rio e a bica
O parque e o complexo industrial
Chuva. Sol.

Gente diferenciada
Gente marginalizada
Gente diferente
Gente

A intolerância que leva à morte
O sonho que leva à morte da intolerância

Cavalera
Adonyran

Sashimi e Baião de Dois

A Águia de Haia
voando sobre a cabeça
do Engenheiro Berrini

Estádio do Morumbi
Campinho do Ceret

Três horas para chegar
Três minutos para terminar

Trem da CPTM e barquinho do Playcenter

O Bixiga e a Liberdade
O paraíso e a consolação


O Museu da Língua
A língua se reinventando
no baile dos sotaques 
e neologismos

A Paulista enfeitada
A Paulista ensanguentada
A Paulista manifestante

Guarapiranga e Carandiru

Pulsa, pulsa, pulsa, pulsa...

Quase cinco séculos.
Parece que foi ontem.









sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Eu vejo cores em você

Adoro Brasília
                      amarela
                      azul
                      ou cinza
                                  com verde.



O buraco e a estrela

No princípio, era o buraco negro
Escuro
Sem fim
Sugando tudo para dentro de si
Para que tudo ali se perdesse
E não tivesse sentido nunca mais.

Entre as coisas engolidas pelo buraco,
Uma estrela viva,
Que, por ser pequena,
Passou despercebida
pelo caos.

Depois disso, era um buraco
Que engoliu uma estrela viva
Pequena
Que brilhava tímida
num cantinho.

E de tanto que aspirou,
Passou a ser um buraco cheio,
Não cabia mais nada,
O buraco com congestão,
O buraco prestes a explodir,
O buraco que já não sugava
E guardava uma estrela viva
Brilhando pequena
num cantinho.

Como vomitasse todo o excesso,
Agora era um buraco pequeno
Fraco,
Quase que a estrela viva
Já não cabia ali.

E quando a estrela caiu
Mais luminosa
(fortaleceu-se pela temporada no buraco),
Aquele se tornou um buraco vazio
Sem poder
Nem sentido.

E no fim,
Já não havia nada.

Só a sombra de um lugar pesado,
De onde uma pequena estrela
Fugiu para brilhar.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

...

A música pula pra fora da alma
Como uma pessoa que salta do alto d'um prédio
Consciente de que pode voar.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Três Apitos

Eu tenho a sorte de não ser de um lugar só.

Sinto-me do mundo, e do Brasil, como um mundo em si. Olho e meus olhos se enchem de cores, às vezes, elas caem dos olhos em forma de água salgada. Mas é porque nasceram no peito mesmo, e meu peito é de água do mar.

Nasci na maior cidade da América do Sul, uma linda e louca que me ensinou justamente isso: a gostar do mundo. Me deu os olhos que veem e o peito que sente e fabrica palavras e emoções com a mesma força.



Renasci na minha Porto Alegre, de quem tenho saudades todos os dias. Não sei quem eu sou sem essa eu que nasceu lá.


E a minha Brasília amarela, que tem céu infinito e tanta vida e flores no meio do poder e do concreto, que chega a ofuscá-los. Ela fica bem no meio, não imagino lugar melhor pra ressignificar e reordenar caminhos.


De cada uma eu levo uma porção de coisas. Eu tenho três casas. Tenho a sorte de não ser de um lugar só.

"A tua raça quer partir,
guerrear, sofrer, vencer, voltar.
A minha, não quer ir nem vir.
A minha raça quer passar".
(Cecília Meireles)