quarta-feira, 26 de junho de 2013

Em defesa das lutas democráticas, das ruas e da nossa história

Documento para debate interno no PT, elaborado por militantes petistas de diversas correntes internas para diálogo com a direção e militância do partido.




1. O Partido dos Trabalhadores foi forjado nas lutas democráticas, por justiça social no Brasil. O PT construiu sua trajetória, ao longo dos anos, calcado na luta das ruas e, nos últimos 10 anos, com Lula e Dilma à frente da Presidência da República. Apresentamos políticas governamentais que elevaram a qualidade devida do povo brasileiro, ajudando a elevar sua condição econômica, social, cultural e tirando milhões de famílias da miséria. Isso nos enche de orgulho como militantes petistas!

2. Porém, nosso partido ficou aquém da capacidade de compreender a necessidade de disputar à esquerda os valores, ideais e as pautas históricas forjadas nas lutas que derrubaram a ditadura. Essa incapacidade, aos poucos, abriu um vácuo enorme entre nós e os movimentos sociais, organizados historicamente pelo campo progressista.

3. Já há algum tempo, temos colocado que o PT tinha uma capacidade limitada de dialogar e organizar os anseios da Juventude:

“Contudo, uma constatação deve ser feita: a organização e o diálogo com a juventude nunca foi uma prioridade política para o Partido dos Trabalhadores. Essa identificação da juventude com o partido sempre esteve presente pelo caráter transformador da sociedade que o PT representa e pelo seu ineditismo com expressão política de esquerda no Brasil. Também pela sua forte inserção nos mais diferentes movimentos sociais, ou seja, os jovens se identificam com nosso Partido em razão do seu programa geral e não porque o Partido tenha uma política voltada para a disputa deste setor.Se levarmos o problema de organização da juventude para nossa intervenção nos movimentos juvenis, a situação é aquém da capacidade de mobilização real do PT. Hoje, não conseguimos ocupar em nenhuma das frentes de luta dos movimentos juvenis uma posição de centralidade.Atuamos de maneira fragmentada e, em geral, levando as disputas internas para o seio dos movimentos”
Resolução Concepção e Funcionamento, I Congresso da JPT, maio de
2008.

4. Considerando a nossa presença há mais de 10 anos no Governo Federal, há uma grande geração que não conhece o PT fora da institucionalidade. Associa a ele não mais a transformação, mas sim o status quo. Isso é agravado pela forte ofensiva da mídia na tentativa de igualar o PT a demais partidos, em um senso comum despolitizador e potencialmente anti-democrático: “são todos iguais e corruptos”.

5. As manifestações organizadas a partir da pauta do “passe livre” merecem um olhar cuidadoso por parte das pessoas realmente preocupadas com o desenvolvimento do país.Para entendermos a sua complexidade, é preciso nos debruçarmos sobre a dinâmica das redes sociais, bem como de novos movimentos sociais, que não se alinham ao nosso tradicional campo democrático e popular. Além disso, há que se considerar atentamente o papel que a grande mídia cumpriu ao optar pela disputa do conteúdo políticos das mobilizações.

6. Longe de vermos o protesto de forma uniforme, houve um forte e rápido giro político e apropriação da pauta por setores organizados da direita. Isso se deu no interior das redes sociais, que possuem um alto poder convocatório.

7. Nela, como todos podem gerar e reproduzir informações, temos uma (falsa)sensação de igualdade e de estarmos falando entre pessoas com as quais confiamos. Afinal, a informação é repassada por vínculos de “amizade”. Contudo,assim como na mídia, há forte possibilidade de manipulação.

8. O que vimos hoje no Brasil é uma explosão de insatisfações com diversos problemas históricos existentes em nosso país. Ela aponta para transformações estruturais no capitalismo brasileiro em todas as esferas de governo, reivindicando mais eficácia no gasto público com transporte público, saúde e educação.

9. Certamente o PT e a esquerda precisam se debruçar sobre a pauta da reforma urbana e apresentar uma proposta que dispute corações e mentes da sociedade.A mobilidade urbana sempre foi pauta prioritária para discussão da esquerda e dos governos municipais do PT, pois está diretamente ligada à qualidade de vidados trabalhadores brasileiros. É preciso ousar e enfrentar os verdadeiros cartéis que dominam as concessões de transporte em todo o país.

10.Alçamos uma importante vitória ao conseguirmos sediar a Copa das Confederações e do Mundo. No entanto, apesar das relevantes alterações nas estruturas de algumas cidades, em outras não ficou nítido para a população qual será o legado positivo que o Brasil deixará ao seu povo ao final das competições.É inegável o mal estar sobre os gastos e nós precisamos dar respostas dignas à população.

11.Mesmo com toda a ampliação da participação popular nas instâncias de representação política, afirmadas nas dezenas de conferências e conselhos de políticas públicas criados, não conseguimos, nos nossos dez anos à frente do governo federal,é preciso garantir espaços de vocalização das demandas que se colocam hoje, nas ruas. As manifestações na rua mostram que, embora tenha havido ganhos expressivos, falhamos no essencial: aproximar o cidadão dos processos de tomada de decisão sobre o dinheiro público. O PT precisa ter papel ativo no interior do governo, na proposição de novos canais de participação democrática, em todos os setores governamentais, antenados com essa juventude que se expressa e se organiza pelas redes sociais, à esquerda e à direita.

12.Não conseguimos atrair para a militância petista essa parcela da juventude e da sociedade que, genuinamente, coloca suas insatisfações e sua crítica contundente ao sistema político e aos partidos. Sabemos que o PT é um dos partidos em que há maior democracia interna. As eleições diretas para nossas direções são prova disso. Mas, após tantas alianças com nossos adversários históricos, caímos na geleia geral da política institucional. E disso se aproveita a elite conservadora, a mídia irresponsável e setores puramente golpistas que, até então subterrâneos,começam a colocar a cabeça para fora. Essa aberração política fez os grupos assumidamente fascistas liderarem a massa contra as bandeiras e camisas de militantes do PT e outros partidos de esquerda, nas manifestações dos últimos dias, em várias capitais brasileiras.



13.Entendemos que, nas próximas semanas, será jogado o futuro do PT como polo agregador daqueles que permanecem em luta contra as injustiças e contra a desigualdade que - mesmo com todos os avanços - ainda permanece em nosso país.

14.Somos chamados nesse momento a resgatar nossa tarefa histórica: a de organizar nossa militância, de protagonizar a organização de um campo político e de construir com as entidades dos movimentos sociais uma agenda de reformas e mudanças populares para o país, passando pelo governo e pelas ruas, onde a verdadeira massa está à espera de respostas concretas.

15.Mais ainda: devemos atuar também no campo simbólico, ideológico, cultural e político. A falta de identificação da juventude com o PT passa por uma questão de cultura política, de formas e métodos do agir e governar. Nossa burocratização,interna e governamental, afasta a geração dos cidadãos conectados e colaborativos. Além de emprego, educação e saúde, o PT deve voltar a despertar utopia.

16.O partido deve fazer um apelo a todos/as entidades, movimentos, sindicatos,artistas, partidos, intelectuais, juristas, religiosos, enfim todos os cidadãos que,independentemente de suas opiniões políticas e ideológicas e, que estão preocupados com o que está acontecendo, se unam em torno da defesa da democracia, da liberdade de expressão e da livre organização das entidades do movimento social.

17.Cabe à atual direção do partido organizar e fazer chegar a todos os seus diretórios, bancadas parlamentares e aos governos municipais, estaduais e federal a seguinte pauta:

● Rearticular o campo democrático e popular pela defesa das conquistas dos governos Lula e Dilma.
● Aprofundar a campanha pela reforma política, com o financiamento público de campanha, retomando o compromisso radical do PT com a participação popular através da atualização de nosso programa participativo com as possibilidades abertas pelas novas tecnologias e difusão das redes eletrônicas.
● Trabalhar pela democratização dos meios de comunicação, ampliando canais de informação e debate alternativos à mídia conservadora.Enquanto não garantirmos verdadeiramente a pluralidade de fontes de informação, o caráter público das concessões de rádio e TV, e o direito à comunicação do conjunto da população, não superaremos boa parte das fragilidades que nossa democracia mantém.
● Orientar a bancada federal à aprovação urgente de agendas como os 100% do pré-sal para educação.
● Incorporar o direito à mobilidade no Estatuto de Juventude, indicando para implementação do passe livre para juventude no transporte público.
● Dotar o país de uma malha de ciclovias e meios de transportes limpos, que permita a mobilidade com respeito ao meio ambiente.
● Cobrar do governo uma demonstração de guinada à esquerda em ações concretas e cobrar ampliação dos canais de diálogos do governo com os movimentos e a condenação pública imediata, da bárbara violência policial contra os manifestantes.
● Promover a desoneração tributária da classe trabalhadora e tributação das grandes fortunas.
● Enfatizar a laicidade do Estado e a defesa dos direitos humanos, bem como a promoção de igualdade entre homens e mulheres, negros e brancos e a garantia dos direitos da população LGBT. Podemos observar que esses são temas caros à juventude, que compõe parcela expressiva desses movimentos e se frustra quando vê suas reivindicações por cidadania e dignidade serem subordinadas aos caprichos dos setores conservadores que, desde a base do nosso governo, não encontram limites para buscar avançar sua agenda, à revelia do sentimento da nossa sociedade, inclusive.

18. Assim, conclamamos a direção do PT a organizar sua militância a lutar pelo legado
histórico que construímos nos últimos 33 anos. Não deixemos, por pura inoperância,setores historicamente conservadores retomarem o poder.

Em defesa das ruas, do povo e da nossa história.

FACEBOOK, 20 a 24 de Junho de 2013.

Assinam:




1.     Ademário Sousa Costa Vice-presidente da UNE 2001-2003. Diretório Estadual do PT da Bahia.
2.     Adriano Oliveira – vice-presidente da UNE 99/01 e SNJ 2000/01
3.     Afonso Tiago - JPT do PT Fortaleza de 2003 a 2004, e Sec. Juventude da Pref. de Fortaleza de2005 a 2012.
4.     Alessandra Dadona, secretária de juventude do PT de SP 2008 -2010
5.     Alessandra Terribili - jornalista, cantora e poetisa - diretora da UNE (2003-2005), DE do PT-SP(2005-2007)
6.     Alex Piero, ex-conselheiro do Conselho Nacional de Juventude pela Pastoral da Juventude, atualmente na Secretaria Municipal de Cultura, São Paulo.
7.     Alexandre Luís Giehl - Coordenação Regional II da FEAB (SC/PR), gestão 1999/2000
8.     Alexandre Masotti - DCE UCS (1996/1997), blogueiro e designer gráfico
9.     Alexandre Miranda, ex vice-presidente da União dos Estudantes de Pernambuco UEP- Candido Pinto, 2004/2005 e atual vice-presidente do PT/Olinda
10.  Alexnaldo Queiroz de Jesus, JPT/BA, DCE UFBA (1999/2004), advogado e servidor público
11.  Alisson Tadeu Gama Brito - membro diretório estadual do PT-SE, ex-diretor da UNE (2003/2005)
12.  Allan Rodrigo Alcantara (CA Psicologia 1999-2003, DCE 2001-2002, Psicólogo, ConselheiroRegional de Psicologia 2007-2009, Presidente da Federação das Associações de Moradores doEstado de Santa Catarina, Secretário de Relações Internacionais da Confederação Nacional dasAssociações de Moradores e Secretário Estadual de Formação Política do PT-SC)
13.  Ana Maria Ribeiro, técnica-adminstrativa UFRJ, Diretora UNE 1987/88, CAED/PT, PT-RJ
14.  Anderson Batata - Foi Diretor da UEE-RJ e Secretário da JPT-RJ de 2001 a 2005
15.  Anderson Cunha Santos, Professor de História, DCE-UFMG(1995-1996), Secretaria Geral da FEMEH-1998, Coordenador do Setorial LGBT do PT-MG (2011-2012)
16.  Anderson Santos - Diretor da UEP - Gestão 2009/2011
17.  André Brayner, advogado, foi coordenador do Festival das Juventudes da Prefeitura de Fortalezaem 2010 e 2011
18.  André Rota Sena, Executiva da UNE - 2003-2005,
19.  Antônio Carlos Freitas, deputado estadual, 2• Vice presidente do PT CE, foi do coletivo estadualda JPT de 2005 a 2007.
20.  Ariane Leitão, coletivo nacional de juventude do PT 2005/2008 e Vereadora suplente do PT/POA
21.  Beatriz Selles - médica, DENEM (2005/2006), DCE UFF (2007/2008)
22.  Bob Calazans - Foi Vice Presidente da AMES de 99 a 2000 e do Coletivo da JPT-RJ, e é membro da Executiva Municipal do PT Rio
23.  Breno Cortella, vereador e presidente da Câmara Municipal de Araras/SP, secretário municipal daJPT 2001/2004.
24.  Bruno Elias - militante do PT, 1º Vicepresidente da UNE 2007/2009, Coordenador de RelaçõesInternacionais da JPT 2009/2011.
25.  Bruno Vanhoni Executiva da UNE 2005/2007; Coletivo Nacional de Juventude do PT
26.  Camila Vieira ( k k ) ENECOS ( 1999 a 2003), DCE UCB (2000 a 2004), Diretório Estadual do PTda Bahia
27.  Carla de Paiva Bezerra, é advogada e gestora, trabalha na SNJ/SG. Foi da DNJPT 2008-2011, Secretária da JPT-DF 2008-2009 e do DCE UnB 2003-2004.
28.  Carlos Eduardo Amaral (Cadu) - ex-coordenador-geral do DCE/UFAL (2006-2007) e ex-diretor da UNE (2007 - 2009)
29.  Carlos Eduardo de Souza- secretário juventude do PT-SC 2002- atual secretário Geral PT Floripa
30.  Carlos Henrique Viveiros Santos coordenador da JPT Gov. Valadares 2008 - 2010 e atual Diretorde Políticas Públicas de Juventude da Prefeitura Municipal de Gov. Valadares, Assessor Diocesano da Pastoral da Juventude.
31.  Carlos Odas, secretário nacional de juventude do PT (1999/2001), Coordenador do ProjetoJuventude (2004), atual Coordenador de Juventude do GDF
32.  Cássio Nogueira - Diretor da UNE (2008/2009), JPT/PA (2009/2011), coordenador de Organização da Secretaria Nacional de Juventude do PT
33.  César Augusto Da Ros, CN - FEAB 97/98, professor do Departamento de Ciências Sociais,professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial e Políticas Públicas ePró-Reitor de Assuntos Estudantis da UFRRJ
34.  Charles Carmo foi diretor do DCE/UFBA e do CARB/UFBA
35.  Clarissa Rihl Jokowski, advogada, Presidenta do Diretório Acadêmico do Direito UCS Gestão 2005
36.  Cleberson Zavaski - CN-FEAB 98-99, Presidente da Associação de Eng. Agronomos do DF ePTDF
37.  Cledisson Junior diretor da UNE (2009-2011) conselheiro nacional de promoção da igualdade racial
38.  Daniel Chacon - Direção PT-Natal , Executiva Estadual JPT/RN, Coordenador de Mov.Sociais DCE-UFRN(2008-2009)
39.  Daniel Feldmann - diretor da une(1999-2001)
40.  Daniela Matos - Diretora de Relações Internacionais da UNE 99/2001
41.  Danilo Chaves - FEAB 1999-2001, vice-presidente UEE MG 2003-2004, PT-BH;
42.  Darlan Montenegro, professor de Ciência Política (UFRRJ), foi da executiva da UNE (1992-1995)
43.  David Barros, ex- presidente do Conjuve(2010-2011)
44.  Débora Cruz, jornalista, ex-JPT e do setorial de TI/PTDF
45.  Débora Mendonça, PT/CE, Coletivo de Mulheres Estadual PT/CE, Militante da Marcha Mundialdas Mulheres
46.  Dimitrius Chaves - Diretor da UEE-MG 2007/2011 e atual Secretário Adjunto da Juventude do PT-MG
47.  Domingos Sávio Oliveira membro do diretorio do PT Extremoz/RN
48.  Dora Martins dos Santos, conselheira municipal de Saúde em Botuvatu/SP
49.  Edson Pistori
50.  Eduardo Valdoski, jornalista, ex-coordenador de comunicação (2008-10) e secretárionacional-adjunto da JPT (2007-08) e secretário municipal da JPT/SP (2003-05)
51.  Elba Ravane - 2003 Presidenta do Grêmio Estudantil da EAL Sertânia-PE, 2003/2005 Grupo Ação Jovem e JPT Sertânia-PE. Atual Secretária da Mulher da Prefeitura de Caruaru-PE.
52.  Eliana Cacique - Coletivo Estadual da JPT-RJ de 2001 a 2005 e é membro da Executiva Estadualdo PT-RJ.
53.  Elida Miranda, jornalista, Regional ENECOS (2005), CUT- AL e Diretório Estadual do PT/AL
54.  Ellen Machado Rodrigues - Medica Sanitarista, DENEM 2003/2005 , AMERESP 2010/2011
55.  Erika FernandaViana - médica, DCE UFPB 2004/2005
56.  Fabiana Malheiros - DCE UFES, PT-ES.
57.  Fabiana Santos - Foi Presidenta do Grêmio Herber de Souza, do CA de Geografia da UGF, do Coletivo da JPT-RJ de 2001 a 2003 e é membro do Diretório Estadual do PT
58.  Fábio Sanchez, sociólogo, ex-secretário nacional adjunto de Economia Solidária (2005-2011).
59.  Fabrício Gomes de França Ambientalista. Tesoureiro Upes (95-97), secretario da JPT SantoAndré (98-2000). Atualmente Secretário Adjunto da Secretaria de Gestão dos Recursos Naturais de Paranapiacaba e Pq Andreense da Prefeitura de Santo André
60.  Felipe Oliveira Lopes Cavalcanti, Médico Sanitarista, DCE UFPB 2004/2005
61.  Fernanda Teixeira - DCE UEMS, Vice-presidenta da UEE/MS, JPT, MMM, C.E. Mulheres do PT –MS
62.  Fernando Stern - Psicólogo - DCE UFRJ 1999-2003; Secretário Geral UEE/RJ 2002-2004; Diretor da UNE 2003-2005; militante PT Niterói/RJ
63.  Flávia Azevedo, jornalista, ENECOS, DCE UCB e JPT de 2003 a 2005
64.  Florentino Júnior, DCE/UnB (2010) e membro do Setorial de Saúde do PT/DF.
65.  Francielly Damas, farmacêutica, membro da Associação AFLORE - Associação Florescendo a Vida de Usuários, Familiares e amigos da Saúde Mental de Campinas
66.  Gabriel Ribeiro - Foi Secretário Estadual da JPT/RJ e membro do Coletivo Nacional da JPT de2005 a 2008.
67.  Gabriela Gilles Ferreira - ABEPSS, JPT, PT-ES.
68.  Giliate Coelho Neto, médico de família e comunidade, coordenador geral da DENEM (2003),
69.  Graziele Rodrigues Duda - ENESSO, DCE UFES, UNE, JPT, PT-ES.
70.  Guido Rezende - radialista e blogueiro ex-diretor da UNE e UCE
71.  Guilherme Floriani - ME Esalq 98 a 2000
72.  Guilherme Guimarães de Azevedo - DCE- UFV (2007 e 2008); Dir. de Movimentos Socias daUEE-MG (2009/2011); 3º Vice-Presidente da UNE (2011/2013)
73.  Gustavo Rodrigues - Coordenador Geral da UNES (95/97); Femecs (99/2000); Executiva PT- Niterói 2003/2007; Secretario de Saúde de Belford Roxo 2011/2012
74.  Humberto de Jesus - executiva da Ubes 1997/1999, RI da Une 2001/2003, ex-secretario nacional de juventude do PT 2003/2004, atual secretario de desenvolvimento social, cidadania e DH de Olinda.
75.  Ian Angeli – advogado, Sec. Geral UEE/RJ 2007/2009
76.  Ingrid Gerolimich - Foi Coordenadora Geral da AMES-RJ em 2001 e Coordenadora Estadual de Juventude do Governo do Estado do RJ em 2002
77.  Isadora Salomão - Arquiteta e Urbanista, Ex-DCE UFBA e Coletivo de Mulheres doPT-BA
78.  Jacir João Chies, Coordenação Nacional da FEAB 2001/2002.
79.  Jean Tible, assessor da Fundação FriederichEbert
80.  João Brandão, UEE RJ (2003 a 2005),DCE da UFRuralRJ (2002 a 2007) Professor de educaçãofísica do Rio de Janeiro
81.  João Maurício, Executiva Estadual do PT do RJ, UBES 2003
82.  João Paulo Rillo, Deputado Estadual PT-SP, Presidente da UMES de São José do Rio Preto em 1994 e 1995;
83.  João Scaramella - CN FEAB 2002-2003
84.  João Tanuri - Assistente Social; Ex-Diretor DASS - PUC-MG (2004/2006), Movimento da Juventude Popular/Itajubá (2007/2008)
85.  João Vicente (Caixa d’Água) – Coordenador das Juventudes Metalúrgicas do ABC e daCNM/CUT 1997/1999, hoje membro do Setorial Jurídico do PT/SP e Secretário dos AssuntosJurídicos e da Cidadania de Franco da Rocha/SP;
86.  João Wilson Damasceno, gestor cultural, foi secretario geral do DCE UFC em 2007/2008
87.  Jonas Valente - ENECOS, secretário-geral do Sind. dos Jornalistas do DF e militante do PTDF
88.  José (Zé)Ricardo Fonseca - Diretor da UNE 2001-2003- PT-DF
89.  José Haroldo Thunder- Executiva Nacional de Ciências Sociais (1995-1997), DCE Puc Campinas(1996-1998), PT Votorantim
90.  Josué Medeiros - foi 1º vice-presidente da UNE (2005-2007), hoje professor de interpretações doBrasil da UFRJ
91.  Julian Rodrigues , PT-SP (UNE e JPT 1997-2003)
92.  Juliana Terribli, psicóloga, foi dirigente da JPT-SP 2008-2011
93.  Julio Ladeia, vice-presidente UPES 1995/97, ex-membro do Diretório Estadual do PT, militante do PT de São José do Rio Preto, coordenado do CEU Butantã, SP.
94.  Karina de Paula (Kakau) - Membro da Executiva Nacional da JPT e Secretária Municipal da JPTde Rio Claro - SP
95.  Larissa Campos - secretaria adjunta da jpt-mg e DNJPT 2008/2011 1a dirt.de movimentos sociaisda UNE 2007/2009
96.  Leandro Ferreira, Executiva da JPT-SP.
97.  Léo Bulhões - Executiva Nacional de Bio 1998-1999, Presidente DCE UFPE 2000-2001, Diretor UNE 2001-2003, atualmente Assessor Especial de Projetos Secretaria de Participação Social Caruaru/PE
98.  Leopoldo Vieira - adjunto da JPT nacional 2005-2007
99.  Lívia Manzolillo, jornalista, foi Presidente do DCE UNIFOR de 2003 a 2004.
100.     Louise Caroline, Vice-presidenta da UNE 2005/2007; Vice-presidente do PT/PE
101.     Lourival de Moraes Fidelis, estudante de doutorado, UNICAMP, Bolsista de Estágio doutoral pela CAPES, Universidade de Córdoba, Espanha
102.     Lucas Cassab Lopes - Dce UFJF 2005-2006, Cahistufjf 2004-200, coletivo estadual de juventude2006-2008, tesoureiro do pt-jf 2007-2009,
103.     Luciana Mandelli - historiadora - UEE-SP (1999/2003), Col. Nac. JPT (2002/2005) e DR- PT-BA
104.     Manuela Nicodemus – UEE-MS (2001/2003)
105.     Marccella Berte, economista, Coord. de Movimentos Sociais da JPT 2008-2011, integra o coletivo nacional de meio ambiente e desenvolvimento do PT e é suplente no DN.
106.     Marcio Ladeia, publicitário, assessor da CUT, UNE 2005/2007, vereador de São José do RioPreto 2001/2004, UMES 1996/1999 e UPES 1997/1998 militante do PT.
107.     Marcos Asas - poeta e médico, Conselheiro Nacional de Saúde, presidente do DCE UPE "PauloFreire" 2004/2005, presidente AMERESP 2011/2012, diretor de Saúde da ANPG
108.     Mateus Vieira - designer gráfico, membro da DNJPT 2008-11
109.     Miguel Papi – DCE UFRJ (1998/2001)
110.     Orlando Catharino, membro do coletivo estadual da jptsp em 1991 e 1992
111.     Otávio Antunes - jornalista, Vice-presidente da UBES 1997/1999 PT Campinas
112.     Patrick Paraense - ex-militante da JPT/PA e Publicitário
113.     Paulo Navarro - médico Sanitarista, DCE UFPB 2004/2005, presidente da AMERESP 2010/2011
114.     Pedro Gerolimichex Vice Presidente da UBES 2003/2004 - Diretório Municipal PT/RJ
115.     Pedro Moreira Coordenação regional da feab (2002 e 2003), secretario estadual de juventude doPT/MG 2004 e 2005 e vice presidente de UEE/MG 2004-2005
116.     Pedro Tourinho - Vereador PT Campinas, Médico Sanitarista, professor PUC Campinas,DENEM 2005/2006
117.     Pedro Vasconcelos - Ex Secretário da JPT RS 2005 2007. Membro do Coletivo Nacional deCultura do PT.
118.     Penildon Silva Filho, professor da UFBA. DCE UFBA 1992-1993 e Diretor da UNE 1993-1995
119.     Rafael Barbosa de Moraes (pops), vice-presidente da UNE 2003/2005, secretário nacional dejuventude 2005/2008
120.     Renam Brandão - Secretário da JPT-BA 01/03, Executiva dos Estudantes de CEFETS 97
121.     Rídina Motta Diretora LGBT UNE 2009 /2011
122.     Rodrigo Abel, Secretário nacional de juventude do PT 2000/2003
123.     Rodrigo Campo, ex-Tesoureiro do PT-RS, de 2005 a 2007.
124.     Rodrigo Rubinato "Cabelo" - Coordenador da Ames - RJ em 2003, Secretário-geral da FEMEH em 2004
125.     Rodrigo Salgado, Professor e Advogado. Ex-coordenador da FENED, Coordenador do DAJMJr
126.     Rogério Tomaz Jr, jornalista, militante de direitos humanos, ex-Enecos (2000/2002)
127.     Romeu Morgante, ex-presidente da Umes Santo Andre (1998/99) e diretor da UBES (1999/2001)
128.     Ronaldo Pinto - diretor da UNE (2007/2009), militante do Mais-PT e da Mensagem ao Partido
129.     Samuel de Mesquita - Ex-presidente da UENI, Ex-presiidenteda ARES, Ex- vice-presidente baixada da UEE/RJ, Ex-presidente do DA de Direito da UNIABEU
130.     Sávio José, vereador PT - Viçosa-MG.
131.     Serena Reis - CN FEAB 2002-2003, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio/MMA
132.     Sérgia Garcia, diretora da UPES gestão 1998, medica formada em Cuba, militante da Associação Médica Nacional – (AMN-MF)
133.     Sergio Godoy, professor de Relações Internacionais da Fundação Santo André, ex membro do coletivo nacional da JPT, ex Secretário Geral da UPES
134.     Sylvio Freitas - executiva da UBES 2005-2007
135.     Tales de Castro - vice-presidente da UNE (2007/2009), secretário estadual da JPT-GO
136.     Tássia Rabelo - Ex-Presidenta do CA da FGV, Ex-diretora do DCE da UERJ, Ex. Membro da Executiva Nacional da JPT
137.     Tassio Brito coordenador geral DCE UESC(2007-2009), 2 diretor de RI da UNE(2008-2009,direção nacional da jpt(2008-2011) 3 Vice Presidente da UNE(2009-2011)
138.     Tatiana Oliveira diretora de mulheres da une 2005-2007
139.     Tatiana Zocrato - DCE PUC-MG 2002-2004 ,Vice-Presidenta UEE-MG2004-2009 , SEJPT-MG 2008-2011
140.     Thomás Ferreira CN ABEEF 2003/2004 Coord. Geral DCE/UFV 2005
141.     Tiago Montenegro - jornalista, Enecos (2004), militante do PT, LGBT, movimento pela democratização das comunicações.
142.     Ticiana Studart, SNJ PT 2003 a 2005, da secretaria nacional de mulheres do PT de 2005a 2007, e membro da executiva do PT CE
143.     Valter Bittencourt - Jornalista. Assessor de Juventude da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), militante do PT de Santo André
144.     Vanuccio Pimentel, ex-presidente DCE Fafica (2001-2003), Cientista Político e Presidente do PT de Caruaru (PE)
145.     Verônica Lima, vereadora de Niterói, executiva da UBES 1997/99
146.     Veronica Maia, advogada, militante da RENAP, foi da SNJ PT de 2005 a 2007.
147.     Vinicius Cascone - FENED, advogado, militante do PT, Campinas/SP
148.     Vinícius de Lima - ex-coord nacional de comunicação da JPT e Presidente do DCE Estácio de Sá ES (2007), Diretório Estadual do PT ES (2008) e Movimento Não é só uma Passagem (2005 - ES)
149.     Vinícius Ghizini, historiador, Secretário Adjunto JPT/Macro Campinas e SecretárioMunicipal JPT/Americana.
150.     Vinícius Santos - diretor do DCE da UFSCar/SP (2003-2006), e membro da JPT macro Ribeirão Preto/SP (2005-2006)
151.     Vinicyus Sousa - Ex - Diretor da executiva estadual da JPT - BA
152.     Wagner Romão, sociólogo, ex-presidente do Diretório Zonal de Pinheiros (São Paulo) -2005 a 2007.
153.     Wanderson Pimenta, ex- coordenador geral do DCE - UFBA (2012).
154.     Wenderson Gasparotto, ex diretor da UEE-SP (1997/2001)
155.     Wesley Francisco, DCE UFV, CA História/UFBA, FEMEH, UNE(2003) Coletivo NacionalLGBT
156.     Wilney Alves Martins, ex secretário estadual da JPT-GO (2007/2011), ex diretor da UEE-GO (2007/2009). Membro do Diretório Municipal do PT de Anápolis-GO

157.     Wladia Fernandes, coordenadora LBGTT do PT CE foi da JPT de 2005/09

QUEM SOMOS?
Grupo de petistas de diversas tendências internas, que militaram em movimentos sociais e/ou partidários de juventude nas lutas de resistência ao neoliberalismo, contribuíram para a vitória de Lula, e depois, Dilma, e querem elaborar coletivamente, desde essa experiência, que rumos o PT deve adotar para responder satisfatoriamente às ruas. Afinal, nós, que sempre estivemos nas ruas, conhecemos bem o que elas representam.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

As epifanias e a dança da esperança

Subia a ladeira apressada, mas sem vontade. O corpo todo doía, principalmente as costas. E mais ainda, o coração. Engana-se quem pensa que o palpitar do coração é embalado apenas nas paixões por pessoas desta vida. O coração apaixona-se por muita coisa, e sente as dores dos ataques às coisas bonitas em que acreditamos.

Subi, cheguei atrasada para o almoço. Na minha cabeça, tinha um nó. Se ninguém sabe bem o que está acontecendo, por que eu haveria de saber? Mas senti que a alegria inicial que o processo me desencadeou, pela beleza da tomada das ruas por um objetivo coletivo, pela beleza de conquistar uma vitória importante em meio a isso... Essa alegria foi subitamente substituída por uma tristeza que não tinha origem e que ocupava o corpo e a alma agora.

A tristeza de constatar a intolerância contra os seus. Não é porque poderia ter sido comigo. É porque foi contra gente que dedicou e dedica muito tempo de sua vida para lutar pelo que acha justo, não para si, para todos(as). Gente assim foi agredida por portar bandeiras. Rasgaram suas bandeiras como quem quer rasgar sua esperança. E eu não tô falando só de petistas quando falo "nos meus".

Senti em mim todas essas dores. A dor do Itamaraty, obra de Niemeyer, em chamas em Brasília. A dor dos ataques sofridos pela esquerda. Aqueles que acordaram agora atacando quem sempre esteve desperto e em luta por igualdade e justiça. E sempre apanhou por isso, inclusive, da mesma mídia que hoje os apoia.

Subindo mais, ouço gritos. "Alê, Alê!". Não encontro. "Olha para cima!". Um amigo me chamava com um sorriso, como quem pede "fique bem". Sorri porque é bom ver um rosto amigo lhe sorrindo nessas horas. E segui o trajeto.

Ao chegar ao trabalho, outro amigo chama no chat da internet: "Alê, estamos fudidos". Eu ri. A isso se seguiu uma conversa sobre o que deveríamos fazer para não mais estar... assim. rs...

E 70 pessoas discutiam avidamente: o que fazer? Por que isso aconteceu? Aonde isso vai levar? Aonde queremos que chegue? Precisamos gritar, precisamos gritar! A beleza das pessoas que se organizam para defender sua história, sua identidade, seus sonhos. Principalmente seus sonhos. Coletivos. Não são os erros do caminho que vão atrapalhar a gente de persegui-los.

Xô, tristeza. Ela deu lugar ao sorriso do Tiago, ao sarcasmo atento do Borgonovi, ao turbilhão de ideias, planos, vontades e determinação de gente da minha geração que está acordada há muito tempo, com muita história pra contar e ainda mais história para escrever. Brava gente, já que está na moda usar trechos de hinos.

E quem há de sucumbir à tristeza, quando há tanta beleza pela vida?

Os laços solidários que me unem a essas pessoas sempre salvam meu dia. Por isso, meus camaradas, a tristeza não me abateu, e eu estou aqui para defender a alegria. A minha, a de vocês, a do povo brasileiro. Contem comigo nas trincheiras vermelhas sempre. Não passarão!

terça-feira, 18 de junho de 2013

A história que acontece

Sobre a postura da mídia diante das manifestações de 17 de junho de 2013.
***


Eu também serei prudente, como vários amigos(as), e controlarei a ânsia de produzir análises sobre o dia de ontem e o processo como um todo. Mas uma coisa não dá pra me furtar a falar logo: a postura da grande mídia, particularmente, a da Globo, me assusta.

A tal "autocrítica" do cretino do Jabor é sintomática. A mudança de tom na cobertura é evidente. Não só de um dia pro outro. De sempre para ontem.

Eu vou pra rua desde 1998. Já apanhei da polícia, já vi colegas e amigos apanharem, já tomei gás de pimenta na cara, já tomei gás lacrimogênio, já tive amigo preso acusado de liderar a "baderna"... Já soube de tantos, no campo, mortos em luta. Conseguimos arrancar vitórias nesses processos. Mas tomamos muita porrada e sofremos muito preconceito.

A Globo sempre se preocupou mais com o trânsito que com a gente. Essa sempre foi a chave da cobertura. Os tantos pobrezinhos que, de dentro dos seus carros, perderam a hora de voltar pra casa, e expressavam em rede nacional sua raiva da nossa necessidade de nos manifestarmos. A Globo nunca abordou a violência policial, a Globo sempre tratou as ações irresponsáveis isoladas como produtos da ação coletiva.

Agora, me digam... 15 anos se passaram. Por que mudou de repente?!!

Ontem, a cobertura falava que as manifestações foram pacíficas, e atribuía a uma minoria os "excessos" que despertavam a ira militar. A emissora expôs na TV gente de dentro dos seus carros dizendo que a causa é justa, e que não se importava com os problemas causados no trânsito. Aí que eu fiquei boquiaberta.

Obviamente, nada sobre as palavras de ordem que buscavam denunciá-la. Uma das iniciativas que achei geniais em São Paulo foi justamente a de dirigir-se à sede da Globo. A mim, soou como um: "nem vem tentar me manipular, que eu tô de olho em você não é de hoje".

Não é à toa, também, que a tal ideia de que "o gigante acordou" tem sido valorizada pela mídia como um todo. Estar atento(a) a isso não é birra, não é dispensar a ampliação do movimento - ao contrário, lógico! Eu milito há 15 anos sonhando com esse dia, o de sermos centenas de milhares, o dia de sermos milhões. Mas mesmo para chegar aí, é preciso entender o que a mídia quer provocar ao mudar de discurso com esse "cavalo de pau". Por que reforçar a ideia do gigante adormecido que acorda?

Afirmar que acordamos agora significa ignorar o processo de luta popular que nunca deixou de existir em nosso país e que levou até onde estamos. A história tem percurso, a história não cai do céu, nem é inventada em posts de facebook. Conhecer os processos e reivindicá-los ajuda a ter consciência do que foi e de pra onde queremos ir. Creio que é isso que "eles" querem evitar. Desassociar o tanto que lutamos há 500 anos de tudo que se viu ontem mostra que "eles" também querem disputar os rumos do nosso movimento.

Eu estive nos atos contra o relógio da Globo, em 2000. Dizíamos que queríamos que nossa história fosse contada por nós mesmos. Eram 500 anos de resistência negra, indígena e popular. Mas ali, éramos vândalos. Como éramos vândalos na semana passada.

Não somos vândalos, não somos irresponsáveis, não somos "diferenciados", não queremos ser rotulados. Queremos ser livres. É por isso que vamos às ruas e não vamos sair delas - porque nelas estamos há muito tempo.

Eu reivindico a história de lutas do meu povo.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Retrato

Os olhos são o sul.
Se alegres, no verão.
Profundo e feliz mar azul
Que se pinta de marrom.

Contrariados, porém,
São inverno cortante.
Um frio desdém
Que fere o semblante
E deixa, em degradê,
O charme hesitante
De se proteger.

Pela cabeça, passam conflitos,
Confusões, grandezas e sonhos,
Soluções, problemas e mitos.
É São Paulo pulsando nos trilhos
Da sem métrica canção
Do imprevisível da vida,
Da fonte da contradição.

O peito é de terra vermelha,
Que tem a aspereza da seca
E vontade da nova estação.

As mãos são de Rio de Janeiro,
Que fazem os próprios tambores
Do corpo, a sua extensão.

A boca é Recife.
Quando em sorriso,
É brisa suave
Que sopra em tons graves
E se esparrama
Num doce improviso.

Mas, quando em beijo,
É o rio vibrante
Que passa com a calma
E a leveza das águas,
Fazendo-se a cama
Do navegante.

E quando ri,
É o mar aberto
Sem perto
Sem longe
Sem fim.


***
Embora meu livro Retratos - E algumas mentirinhas a mais tenha sido publicado em fevereiro/2013, este poema não poderia ter outro nome que não "Retrato".

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Mais um caso extremo de violência contra a mulher. Até quando?

Mais um caso - mais um! - de violência contra a mulher termina de forma trágica. Aqui no Rio Grande do Sul, na cidade de Sapucaia do Sul, região metropolitana de Porto Alegre, um homem de 41 anos fez a ex-mulher, de 51, refém por quase 24 horas.

A polícia cercou a casa e iniciou as negociações com o agressor. Ele já havia anunciado, segundo relatos da família dela, que, caso não reatasse o relacionamento com a mulher, ele a mataria. Na segunda-feira, tentou invadir a casa. Na terça-feira pela manhã, conseguiu.

Ainda segundo relatos, durante o relacionamento, a mulher era agredida pelo então companheiro. Consta que há B.O. registrado por ela, e que havia uma medida protetiva a seu favor. Mas nesta manhã, ela sofreu tentativa de asfixia, e encontra-se, agora, hospitalizada em estado gravíssimo.

A imprensa brada, com sua "indignação" costumeira: a polícia não está preparada!!!

Eu pergunto: a imprensa está?

Até quando trataremos casos de violência contra a mulher como "crimes passionais"? Parece uma simples troca de expressão, mas não é. É preciso visibilizar que se trata de um crime decorrente da profunda desigualdade entre homens e mulheres, não uma ação motivada por paixão ou desespero. Esta segunda opção de tratamento acaba trazendo em si algum atenuante para um crime que deveria ser percebido como intolerável. Quantas terão que morrer? Quantas viverão suas vidas sob violência, ameaças, medo?

Ouvi a coletiva concedida pelo coronel responsável pela operação. As perguntas dos colegas jornalistas raramente chegavam ao X da questão. Queriam saber por que a polícia não invadiu a casa antes, por que não atirou, por que não havia escutas dentro da casa. Durante o tempo que acompanhei, nenhuma questão sobre o óbvio: se havia uma medida protetiva, se havia registros da violência sofrida anteriormente, se havia ameaças de morte, por que deixamos a situação culminar com a invasão da casa dela?!

Uma colega, comentando o caso no rádio, dizia do quão diferente são os casos "passionais" dos crimes "comuns", já que, nos primeiros, o agressor não se importa com sua própria vida. Quase bati o carro ao ouvir uma atrocidade dessas. Uma análise estúpida, que desconsidera o histórico de cada situação, desconsidera o genérico das situações e despreza, completamente, a realidade de desigualdade vivenciada pelas mulheres. É como se os homens fossem "naturalmente" violentos e descontrolados. A velha história da "legítima defesa da honra", só que com outra roupa.

Os casos de violência contra mulheres são cotidianos. A ausência de políticas efetivas de prevenção é preocupante. A abordagem da imprensa é rasa.

De acordo com levantamento do jornal Zero Hora, seis mulheres foram mortas no Rio Grande do Sul nos últimos oito dias. Os dados da Secretaria de Segurança Pública apontam que 42 mulheres foram mortas entre janeiro e maio no estado, mais da metade, pelo parceiro ou ex-parceiro.

Até quando? Enquanto tratarem esse tipo de crime como "passional", ficará subentendida uma extraordinariedade que não há. Muitas são as mulheres vitimadas. Todos os dias há mulheres sofrendo algum tipo de violência. Vamos esperar que elas morram nas mãos de parceiros ou ex-parceiros, então exigiremos a prisão deles?

Ainda falta muito preparo à polícia, às autoridades da segurança pública, à imprensa para que os casos de violência contra a mulher sejam enfrentados onde se deve: na raiz.