sexta-feira, 16 de abril de 2010

O amor sabe pensar

Começar o fim de semana falando de amor, tema polêmico...

Amor que é amor não pode ser incondicional. Não existe. Se é incondicional, não é amor, é alguma patologia. Amor de verdade tem critério, tem limites, tem sim condições. Amor só se desenvolve na racionalidade, é mentira que amar é perder a cabeça. Como é possível amar se não enxergar integralmente a pessoa amada?

É impossível amar alguém que, deliberadamente, nos faz mal. Seja quem for. Também aquela velha história de opostos que se atraem não é muito real. Se se atraem, não são tão opostos. Complementaridade não é oposição. Oposição inviabiliza uma relação, isso é óbvio.

As pessoas podem ser diferentes, podem admirar, no outro ou na outra, alguma coisa que não têm em si. Mas não há amor entre duas pessoas diametralmente opostas.

Tem gente que adora viajar, tem gente que detesta. Mas eles podem ser felizes juntos, respeitando um o espaço do outro. Quem gosta, pode ir viajar sozinho. Quem detesta, pode fazer concessão vez ou outra. Isso não é uma oposição.

Mas imagina só. Pessoas que têm visões de mundo absolutamente diferentes, formas opostas de levar a vida, sonhos, desejos e planos que são incompatíveis. Como é possível que se amem? Isso não dura. O amor não agüenta.

O chato é que essas pessoas se encontram, e quando são obrigadas a se deixarem, fica a frustração. Às vezes, a não consumação do amor, a não realização plena, deixa a falsa ideia de que aquele sim era o grande amor. Bobagem. Amor que é amor se realiza. Não existe amor no plano das ideias, do que poderia ter sido, do querer ser. A gente fantasia o que nunca foi pra encontrar guarida na imaginação. Mas é melhor continuar buscando. Amor é concreto, e só é amor depois que está, enfim, realizado. O desafio é manter o encantamento com a estabilidade.

Tem gente que se seduz exatamente pela instabilidade. Mas amor não é aventura. Amor é autoaplicável.

Às vezes, o amor, pra se realizar, tem que transpor obstáculos. Mas quem os traz é a vida, não o próprio amor. Diferenciar é essencial pra quem quer ser feliz.

Aqui, contrario gênios da poesia e da literatura mundial de todos os tempos (dsculpem a petulância), mas estou convicta: amor é racional. Isso não tira a beleza dele, pelo contrário! Só quem sabe o que faz consegue sentir o bem na sua plenitude.

O brilho nos olhos, o frio na espinha, a sensação de leveza, de prazer, tudo isso se intensifica se você planeja racionalmente seu sentimento. O medo é inimigo do amor. A submissão também. As duas coisas se camuflam de amor, precisa estar atento. Amor é um querer bem que transcende.

Sem essa bobagem de gostar de sofrer, de aceitar qualquer coisa. Sem confundir com medo ou submissão. Sem se contentar em satisfazer carência. Amor é mais.

É que nem artista burro, já viu? O artista (artista mesmo) é inteligente por definição. É pressuposto. Isso não quer dizer que você concorde com o que ele pensa sobre tudo. Mas artista tem que ser inteligente, ter uma capacidade extraordinária de entender e de comunicar. A racionalidade e a sensibilidade andam juntas.

Amor é você aceitar o outro como ele é, mesmo já tendo tentado mudá-lo. Porque o outro, como ele é, se te aborrece às vezes, não te anula e nem te faz mal por isso. O outro, como ele é, não é oposto. É simplesmente ele. Sem nenhuma necessidade de se enquadrar em padrões ou modelos pré-estabelecidos. Porque ele consegue ser melhor ele mesmo quando tem você por perto. É isso que é amor.

4 comentários:

Renam disse...

Bom ler isso. Concordo! Não só por suas palavras confirmarem que estou amando...

Anônimo disse...

É de presente para um amigão também?

Anônimo

Fernando Amaral disse...

Gostei tanto que tuitei. Muito bom, moça. Uma dúvida aqui e outra ali, mas o texto vai nos pontos certos... e desculpe a piada infame, além do ponto G inclusive.

Nessa Gil disse...

Mário Quintana diz que quem ama inventa aquilo que ama. A gente sempre ama alguém que não conhece por inteiro, seja namorado, marido, amigo...O que mantêm o amor é a possibilidade da descoberta do outro e no outro. Estar com alguém que se conhece por completo além de impossível é chato. Mas porque não é racional, o que não quer dizer que não deva ser sadio.Tirando essa pequena observação sobre racionalidade, tudo perfeito!!
Bjs e saudades