quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Mentiras sinceras me interessam

Não me envergonho disso. Não gosto de verdade o tempo todo. A verdade, normalmente, é dura, ríspida, cruel e filha de chocadeira. Não sei por que essa necessidade de falar a verdade sempre.

Quando eu era pequena, acreditava em coisas que não eram verdade, eram fantasia. Era legal. O mundo era muito melhor e eu sempre podia ser quem eu queria. Se enjoasse de mim mesma, podia ser outra pessoa então. Podia ter váaaarias experiências diferentes, nenhuma no plano da realidade, mas e daí? Quem disse que só as situações verdadeiras acumulam experiência de verdade?

As mentirinhas inocentes deixam o mundo colorido. Porque o mundo de verdade não o é. Mentirinhas à toa são responsáveis por existir esperança. Se todo mundo olhasse tudo do jeito que realmente é, ninguém mais saía de casa. Mas acreditamos em algumas mentiras que nos contam, ou que inventamos, e daí vale a pena sair. Pra perseguir o cenário mentiroso.

Por que as pessoas têm prazer em dizer a verdade como ela é e magoar os outros?

- Amor, você vai me esperar?
- Não prometo.


Ou então:

- Vamos ao jogo de futebol hoje?
- Olha, você é uma péssima companhia pro futebol. Além de gritar histericamente e atormentar os que estão em volta, ainda é pé frio. Vou sem você.


Não se faz isso. É maldade.

As mentiras sinceras, por sua vez, expressam algo que não necessariamente é verdade, mas que queremos que seja.

- Amor, você vai me esperar?
- Eternamente, se for preciso.

- Vamos ao jogo de futebol hoje?
- Tô com mau presságio sobre esse jogo, melhor não.


Poxa, o que custa?

A verdade é pros inimigos. Pros amigos, pras pessoas que consideramos, que temos em bom lugar, reservamos as mentiras sinceras. Com todo carinho.

5 comentários:

Mari Pires disse...

Pensando melhor, amiga, acho que você te razão... :P

beijos!!

Fernando Amaral disse...

Puta golaço.

Saravah Bar disse...

Te digo uma coisa: já fiz intensas defesas desta afirmação e, e todas elas, não tive nenhum apoio. Fiz questão de encaminhá-la a algumas pessoas. Muito pertinente e objetivo.

strl disse...

Alê,

Por esses aforismos aí abaixo, acho que Nietzsche adoraria esse post:
"As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras."
"Temos a arte para não morrer da verdade."
"Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te."

De minha parte entre o Verdadeiro, o Bom e o Belo sempre achei que estando os dois últimos, o primeiro fica meio desnecessário...

Bjs

Storel

Alessandra disse...

hehehe... Adorei, Storel.