quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Pagode Caboclo

Era um daqueles domingos infinitos. Almoça em casa, assa uma carne, ouve uma música, toma uma cerveja. Começo da noite, parte para o Grao, para mais uma estrelada noite de sambas e choros. Ali está tudo o que eu preciso para começar a semana bem.

E então, chega o Jacaré, com Serginho e Nelson. Puxei Aline e lá fomos parar: bora continuar o samba do Grao em casa. Ói, Ale, tenho um samba, termina ele! "Antes da fama, ele morava no Novo Gama...". Um baita samba. Não sei como o Jacaré consegue essas coisas, ele compõe como se estivesse batendo papo. As palavras chegam já embrulhadas nas notas e com o pandeiro tinindo. A mim, coube terminar aquela beleza. Só sei que foi assim.

O tal do cara largou o Novo Gama e o Varjão e todo o circuito que costumava cumprir porque se apaixonou pela filha de um empresário. Só pode ser isso. E nós?! Nós já nem o vemos mais, sei lá dele.

E aí está o Pagode Caboclo, selecionada entre quase 300 composições para a segunda fase do Festival da Rádio Nacional, com outras 49 músicas. Eu e o Jacaré com o coração batendo em baticumbum, felizes da vida por estar entre um bocado de gente que a gente admira. Estamos lá nós e a inspiração que este Distrito Federal trouxe pras nossas vidas. Por essas e outras, a gente só tem que agradecer a este adorável quadradinho.

Jaca e eu

PAGODE CABOCLO

Antes da fama
Ele morava no Novo Gama
E namorava uma menina do Varjão
Batia couro numa terreira na Ceilândia
Levava doce pra festa de Cosme e Damião

Em Planaltina, sempre foi considerado
E respeitado até em São Sebastião
Jogava bola no campeão do Colorado
Até que um dia uma flor do cerrado
Lhe roubou o coração

Ela era filha
D'um poderoso senhor empresário
Dizem que até ganhou de aniversário
Uma fazenda lá no Jalapão

O pai da moça
Não quis saber de bagunça na casa
Disse pro cabra: ou se arranja ou vaza
Não quero genro de calo na mão

E hoje em dia ele nem dá bom dia
Pros mano de cá
Não vai pra terreira, nem pra cachoeira, 
Não faz mais fogueira, não vem mais jogar

Só vive engomado, atolado em trabalho
Pra impressionar
Sumiu do churrasco, do balacobaco,
Esqueceu o cavaco no Paranoá.

Um comentário:

ANTÔNIO FREITAS disse...

Gostei da letra, parabéns.