Amanhã é um lugar
Onde todo mundo é disciplinado e forte
É lá que se fazem dietas
Praticam-se esportes
As pessoas confiam em si no amanhã
Mas não é um lugar onde você fica
É um lugar de passagem
Porque lá tudo passa
Dizem que passa, amanhã.
Música, feminismo, diálogos, política, futebol, crônica e poesia convivendo no mesmo espaço. E sem conflito.
quarta-feira, 19 de março de 2014
terça-feira, 11 de março de 2014
O alvo
Sempre teve pavor de baratas, e nem vergonha disso tinha. Se era pra matar, que fosse à distância, afogadas em veneno. Um mar de veneno sobre aquelas criaturas nojentas, por mais que o amigo já lhe houvesse avisado:
- Se as baratas sobrevivem a uma guerra nuclear, que diabos eles põem no Baygon?!
Naquela manhã, adentrou o banheiro sonolenta, mas não o bastante para ignorar a presença de más companhias. Uma barata colocava-se caprichosamente na parede interna ao box, sobre o chuveiro. E agora, que eu faço? Vou de novo chegar atrasada ao trabalho por causa desse ser repugnante que não me deixa tomar banho!
E saiu pela casa choramingando - manhãs são mesmo dedicadas ao mau humor -, até que encontrou o amigo:
- Uma barata não me deixa entrar no banho.
Foram os dois conferir.
- Tem certeza que é barata? Parece pequena.
- Sim, temos que matá-las desde jovens pra que não ousem procriar!
E lá foi o rapaz armar-se para enfrentar o monstro. Ela se afastou. Em poucos minutos, ele voltou, e a expressão era de desolamento.
- Pegamos o cara errado.
- Oi?
- Era só um besourinho.
Ela nem ligou. Certificou-se de que o cadáver fora removido e entrou no banho, para se atrasar o menos que pudesse para o trabalho. Ele não teve paz. À noite, sonhou que era um policial inglês perseguindo terroristas no metrô.
- Se as baratas sobrevivem a uma guerra nuclear, que diabos eles põem no Baygon?!
Naquela manhã, adentrou o banheiro sonolenta, mas não o bastante para ignorar a presença de más companhias. Uma barata colocava-se caprichosamente na parede interna ao box, sobre o chuveiro. E agora, que eu faço? Vou de novo chegar atrasada ao trabalho por causa desse ser repugnante que não me deixa tomar banho!
E saiu pela casa choramingando - manhãs são mesmo dedicadas ao mau humor -, até que encontrou o amigo:
- Uma barata não me deixa entrar no banho.
Foram os dois conferir.
- Tem certeza que é barata? Parece pequena.
- Sim, temos que matá-las desde jovens pra que não ousem procriar!
E lá foi o rapaz armar-se para enfrentar o monstro. Ela se afastou. Em poucos minutos, ele voltou, e a expressão era de desolamento.
- Pegamos o cara errado.
- Oi?
- Era só um besourinho.
Ela nem ligou. Certificou-se de que o cadáver fora removido e entrou no banho, para se atrasar o menos que pudesse para o trabalho. Ele não teve paz. À noite, sonhou que era um policial inglês perseguindo terroristas no metrô.
De tudo o que não tem que ser
Entre as leis e os lírios,
Em meio a traumas e vícios,
Nasceram os dois, como um
Nas sombras do desconhecido,
Na luz de um barco inimigo,
A tempo do tempo perdido.
E jogaram-se ingênuos
A buscar pelo mundo
De uma só vez
A pressa e a perfeição.
Castigados pelos deuses
Por somente temerem
O que há de humano,
Partiram-se.
E ao perceberem-se opostos,
Fugiram
Para o conforto
Da própria contradição.
Em meio a traumas e vícios,
Nasceram os dois, como um
Nas sombras do desconhecido,
Na luz de um barco inimigo,
A tempo do tempo perdido.
E jogaram-se ingênuos
A buscar pelo mundo
De uma só vez
A pressa e a perfeição.
Castigados pelos deuses
Por somente temerem
O que há de humano,
Partiram-se.
E ao perceberem-se opostos,
Fugiram
Para o conforto
Da própria contradição.
sábado, 25 de janeiro de 2014
São São Paulo, meu amor...
A borboleta e o aviãoJardim América, Jardim Ângela, Jardim Japão
A Ponte Estaiada e o Minhocão
Um quadro no MASP
Um grafite na Amaral GurgelO rio e a bica
O parque e o complexo industrial
Chuva. Sol.
Gente diferenciadaGente marginalizada
Gente diferente
Gente
A intolerância que leva à morte
O sonho que leva à morte da intolerância
CavaleraAdonyran
Sashimi e Baião de Dois
A Águia de Haia
voando sobre a cabeça
do Engenheiro Berrini

Estádio do Morumbi
Campinho do Ceret
Três horas para chegar
Três minutos para terminar
Trem da CPTM e barquinho do Playcenter

O Bixiga e a Liberdade
O paraíso e a consolação
O Museu da Língua
A língua se reinventando
no baile dos sotaques
e neologismos
A Paulista enfeitadaA Paulista ensanguentada
A Paulista manifestante
Guarapiranga e Carandiru
Pulsa, pulsa, pulsa, pulsa...
Quase cinco séculos.
Parece que foi ontem.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
O buraco e a estrela
No princípio, era o buraco negro
Escuro
Sem fim
Sugando tudo para dentro de si
Para que tudo ali se perdesse
E não tivesse sentido nunca mais.
Entre as coisas engolidas pelo buraco,
Uma estrela viva,
Que, por ser pequena,
Passou despercebida
pelo caos.
Depois disso, era um buraco
Que engoliu uma estrela viva
Pequena
Que brilhava tímida
num cantinho.
E de tanto que aspirou,
Passou a ser um buraco cheio,
Não cabia mais nada,
O buraco com congestão,
O buraco prestes a explodir,
O buraco que já não sugava
E guardava uma estrela viva
Brilhando pequena
num cantinho.
Como vomitasse todo o excesso,
Agora era um buraco pequeno
Fraco,
Quase que a estrela viva
Já não cabia ali.
E quando a estrela caiu
Mais luminosa
(fortaleceu-se pela temporada no buraco),
Aquele se tornou um buraco vazio
Sem poder
Nem sentido.
E no fim,
Já não havia nada.
Só a sombra de um lugar pesado,
De onde uma pequena estrela
Fugiu para brilhar.
Escuro
Sem fim
Sugando tudo para dentro de si
Para que tudo ali se perdesse
E não tivesse sentido nunca mais.
Entre as coisas engolidas pelo buraco,
Uma estrela viva,
Que, por ser pequena,
Passou despercebida
pelo caos.
Depois disso, era um buraco
Que engoliu uma estrela viva
Pequena
Que brilhava tímida
num cantinho.
E de tanto que aspirou,
Passou a ser um buraco cheio,
Não cabia mais nada,
O buraco com congestão,
O buraco prestes a explodir,
O buraco que já não sugava
E guardava uma estrela viva
Brilhando pequena
num cantinho.
Como vomitasse todo o excesso,
Agora era um buraco pequeno
Fraco,
Quase que a estrela viva
Já não cabia ali.
E quando a estrela caiu
Mais luminosa
(fortaleceu-se pela temporada no buraco),
Aquele se tornou um buraco vazio
Sem poder
Nem sentido.
E no fim,
Já não havia nada.
Só a sombra de um lugar pesado,
De onde uma pequena estrela
Fugiu para brilhar.
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