sexta-feira, 20 de setembro de 2013

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

11 de setembro: Salve a Catalunya!

Certamente, hoje, com muita razão, muitos(as) lembram Allende e uma parte obscura da história da América Latina. Peço licença a todos(as) para, ao mesmo tempo em que faço coro com vcs, que não deixam o mundo esquecer, lembrar outra história que também tem palco num 11 de setembro.

Em homenagem à histórica luta do povo catalão por liberdade, autonomia e independência, segue abaixo trecho de um modesto poema meu sobre a Catalunha e sua capacidade extraordinária de nunca estar vencida. Llibertat!



BRASIL-CATALUNHA

Com a precisão de uma história bem contada,
No grito forte e na alma lavada,
A sardana e a ciranda se deram as mãos.

Quatro colunas cantam como flautas,
E, como um cavaco na nota exata,
Mergulham a memória na canção.

Na beira do céu, vejo o mestre Telê sorridente,
Celebrando com toda essa gente
Que está protegida por Ogum!
Pois quem souber olhar além do espelho
Pode ser que veja o Sol Vermelho
A bronzear o Abaporu...

Eu queria compor um lindo samba
Que pudesse cantar esse encanto
Para a inspiração dar o recado:
A luta de um povo por liberdade
Não cessa, nem quer piedade
Brilha feliz em vermelho e dourado.

Eu queria recitar os meus versos
Com a leveza do peso da história
Para a melodia ter traços e cores:
Dizer que a beleza é capaz de ganhar
Da dor e da dúvida
E a arte é uma arma de libertar.

Assim, passam-se séculos de peleia,
E se os jornais temerem o fim das cadeias
As ruas em festa, dançando, testemunharão
Pois quem precisa de notícia?
Eu prefiro mesmo a poesia...
Para compor um lindo samba em catalão.

Però qui necessita la notícia?
Jo prefereixo la poesia
Per compondre um bell samba en català.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Herói Humano

Era um herói tão humano
Que algo lhe iria assustar.
Para os outros, destemido.
Para ele, alguém a buscar
Uma coisa que perdera
N'algum outro lugar.

Não sabia bem o que era,
Nem onde iria encontrar.
Saiu a ganhar o mundo,
Chamando na flauta a dó
De quem nada tinha a ganhar.

Certa vez, nosso herói
Atravessou um deserto
Sozinho.
Nem percebeu o caminho.
E quando chegou, cansado,
Mal teve o tempo parado
De orgulhar-se de si.
Logo viria a partir,
Desbravar novas terras inglórias,
Recompor-se no som da memória,
No tom das dores ardidas
Cantadas em verso e prosa
Em todo canto da vida.

E ele não temia.

A montanha era alta,
As árvores, pouco amistosas,
O chão, superfície rochosa
A desafiar sua flauta.

O frio não lhe assustava,
O escuro era seu camarada.
As pessoas eram sem rosto
Os livros não tinham consolo.

A flauta ainda cantava...

E seguiu, sem armadura.
Como fosse familiar.
Mas tudo mudou de figura
Quando o herói chegou lá...

Lá era maior.
Fez caretas para assustar.
E nosso herói destemido
Preferiu o trajeto voltar...
Por vias sem acidentes,
Para bem longe de lá.

E quem poderia supor
Que o calcanhar de aquiles
Do bravo compositor
Era lá
Maior do que a própria montanha,
Que toda blasfêmia e infâmia,
Que com as próprias mãos escalou?

sábado, 17 de agosto de 2013

Professor Darcy Alves

Porto Alegre e seus personagens...
***



          Ele nunca lecionou, nem cursou magistério ou algo que o valha. Mas é professor para aqueles cuja noite ilumina com seu canto e seu violão. É professor porque é uma referência de música, de boemia, de alegria, de disposição.

           Professor Darcy Alves acompanhou gente muito grande como Lupicínio, de quem foi amigo, e Jamelão. Nas noites de quinta-feira no Parangolé, lá vinha ele trazer Noel, Chico, Lupi e tanto outros para nos fazer companhia, fizesse chuva, lua, frio ou calor. Em outros dias da semana, lá estava ele também. Fumando seu cigarrinho do lado de fora, bebendo sua cerveja, contando histórias e até dando conselhos.

- Como vai o senhor, Professor?

- Melhor agora que você chegou!

            Ele diz isso para todas. Com o mesmo charme e sorriso cativante.

- Oi, minha cantora predileta.

            Ele provavelmente também diz isso pra todas. Eu finjo que é só pra mim.

            Eu já disse inúmeras vezes ao seu Cláudio. Temos que botar um banquinho de concreto na frente do Parangolé, e uma estátua do Professor sentado fumando. Ele fuma de pé, mas isso é porque não tem o banco. Uma coisa tipo Drummond em Copacabana. Com um sorriso enorme e uma cara de quem tá cantando.

            Com os amigos de bar, rimos que ele é um patrimônio de Porto Alegre. E é mesmo. Um patrimônio que foi tombado aos poucos, “devagarinho, de mansinho, que é pra não cansar”. Vai ver esse é o segredo da vitalidade.


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Ao professor Nicola, do Colégio Agostiniano São José em 1991

Eu sempre gostei dos versos, sei lá por quê. Sempre gostei, desde pequena. Lembro que quando a forma de escrever era livre, na escola, nas aulas de redação, eu escrevia poesias. Não conhecia Drummond, Bandeira, Florbela. Mas achava legal me expressar assim.

Um dia, tinha um professor de História, que pediu pra gente escrever sobre os aposentados. Escrevi em versos. Lembro bem.

Lembro que ele leu meu poema pra turma toda e me fez prometer que eu nunca deixaria de escrever poesia, mesmo se, nas palavras dele, "um namorado não gostasse" do que eu faço.

Pois hoje, eu diria, pro meu professor Nicola, se tivesse oportunidade, que nunca ninguém me tirou e nem vai tirar, da poesia. Escrevi um livro. Tenho material pra mais. Tenho vontade pra mais. Tenho tempo e prioridade. Pra mais.

Na minha vida não cabe ninguém que não goste do que eu faço. Críticas ao que faço, recebo. Críticas ao tempo que dedico, não.

Fique tranquilo, meu profe. Não vou deixar de fazer o que tu me viu fazer há mais de 15 anos. E aquele incentivo, nunca esqueci. Queria que tu lesses isto, pra se orgulhar de mim hoje. Porque sou grata de tê-lo encontrado há esse tempão atrás.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Eu devia...

Eu devia ler mais textos de Ciência Política
De Paleontologia
De Análise Sintática
Devia ver mais futebol, ir mais à praia
Devia ler cartas de amor dos outros
E reler as minhas

Devia ver uns filmes
Ouvir músicas novas
Acho que devia aprender a surfar
Dar cambalhotas
Devia gastar mais tempo no café
Devia desligar a TV quando escrevo
E ligar o rádio quando durmo

Eu devia ir à feira,
Acordar a tempo
Eu devia dar tempo
Ao tempo
Eu devia andar no tempo
certo
Eu devia ter errado menos

Eu devia nem me importar

Falar mandarim
Comer lambari
Andar de pé na areia
Pisar na lua cheia
Fazer ioga
tae kwon do
Devia saber digitar em braile
Cantar pra espantar os meus males

Eu devia fazer tanta coisa
Mas só fico que nem boba
Imaginando finais
Pra tudo que eu
Sozinha
Inventei.